87. Como resultado, os homens superam, significativamente, as mulheres em cargos de direcção e, nos cargos de topo (os chamados C-suite), apenas um em cada quatro lugares é ocupado por uma mulher. Estas são algumas das principais conclusões do estudo “Women in the Workplace 2022”, elaborado pela McKinsey & Company e pela LeanIn.Org.
O estudo, para o qual foram inquiridos mais de 400 mil trabalhadores de 333 organizações que, no seu conjunto, empregam mais de 12 milhões de pessoas, destaca que o género ou o facto de serem mães influenciam de forma negativa na hora de progredir profissionalmente, numa promoção ou aumento salarial.
Da mesma forma, no último ano, 29% das mulheres pensaram em reduzir o seu horário de trabalho, aceitar um cargo menos exigente ou até mesmo deixar de trabalhar, contra 22% dos homens. Além disso, 37% das executivas afirmam ter tido um colega de trabalho que conseguiu obter algum reconhecimento profissional, contra 27% dos executivos que afirmam ter vivido a mesma situação, mas ao contrário.
Em comparação com os homens do seu nível profissional, as executivas fazem mais para apoiar o bem-estar dos colaboradores e promover a diversidade, a equidade e a inclusão. O compromisso das empresas com estes valores é muitas vezes decisivo quando se pensa em mudar de emprego e, de facto, as executivas têm 1,5 vezes mais probabilidades do que os homens de mudar de emprego por esta razão.
Ao mesmo tempo, 40% das executivas afirmam que o seu trabalho para promover a diversidade, igualdade e inclusão não é reconhecido nas suas avaliações de desempenho. Como resultado, 43% das mulheres sentem-se sobrecarregadas, em comparação com 31% dos homens com o mesmo cargo que reconhecem sentirem-se esgotados.
Outro aspecto destacado pelo estudo é a flexibilidade. Para uma em cada duas mulheres (49%) é um dos três aspectos mais importantes quando decidem mudar ou permanecer numa empresa, em comparação com 34% dos líderes masculinos. Além disso, dois terços das mulheres com menos de 30 anos dizem que estariam mais interessadas em ascender na carreira se vissem os seus líderes a ter um equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
A maioria dos empregados prefere trabalhar à distância, pelo menos uma parte do tempo. No caso das mulheres, apenas uma em cada 10 quer trabalhar a maior parte do tempo no formato presencial. Contudo, a razão vai para além da flexibilidade, as mulheres que trabalham remotamente, pelo menos uma parte do tempo, relatam sofrer menos microagressões e ter uma maior segurança psicológica. Isto é especialmente pronunciado para mulheres de cor, LGBTQ+ e mulheres com deficiências.
No entanto, não existe uma única fórmula de formato de trabalho válida para todos. Oferecer a oportunidade de escolher o formato em que os colaboradores desejam trabalhar – seja remoto ou presencial – é fundamental. Os profissionais que têm essa escolha geralmente ficam menos esgotados, mais felizes nos seus trabalhos e muito menos propensos a deixar as suas empresas. Também a maioria dos responsáveis de recursos humanos afirma que oferecer opções de trabalho flexíveis ajudou a diversificar e a reter os seus talentos. Ainda assim, apontam que estas novas formas de trabalho podem também trazer inconvenientes.
Um dos aspectos que gera preocupação, por exemplo, é o facto de os colaboradores que trabalham remotamente poderem sentir-se menos conectados com as suas equipas. Além disso, a distância impõe maiores exigências de gestão aos directores. Por outro lado, é possível que os colaboradores que trabalham maioritariamente a partir de casa, com maior probabilidade de serem mulheres, tenham menos oportunidades de reconhecimento e promoção.














