«Tínhamos uma equipa de RH, e essa equipa estava a criar problemas que não existiam», disse Ryan Breslow à directora editorial da Fortune, Kristin Stoller. «Esses problemas desapareceram quando os dispensei.»
A medida pode parecer drástica, mas Breslow afirmou que era um passo necessário para ressuscitar a fintech em dificuldades que cofundou em 2014, em Stanford.
Depois de alcançar uma avaliação de 11 mil milhões de dólares em 2022 e de empregar milhares de funcionários, a sorte da Bolt mudou. Breslow deixou o cargo de CEO nesse mesmo ano e, em 2024, a avaliação da empresa terá caído para cerca de 300 milhões de dólares — uma queda de quase 97% —, enquanto várias rondas de despedimentos reduziram drasticamente o número de trabalhadores. Breslow atribuiu a crise a más decisões e a gastos excessivos.
Breslow regressou como CEO em 2025, operando no que chama de “tempos de guerra”.
«Estamos de volta ao modo startup, e estes profissionais de RH têm insights realmente importantes quando se está em tempos de paz e numa empresa maior», disse, acrescentando que a Bolt, desde então, contratou uma equipa mais pequena de operações de pessoal para supervisionar a formação necessária e servir de recurso para os colaboradores.
«Precisamos de um grupo de pessoas muito focadas nos resultados, e existe uma cultura de procrastinação e de queixas», acrescentou na conferência da Fortune.
Nos últimos meses, a empresa de tecnologia de checkout foi alvo de rumores de que estaria a reter salários de trabalhadoes e que alguns contratados não teriam recebido. Na sua conversa com a Fortune, Breslow negou que a Bolt tenha retido fundos da equipa. Os colaboradores da Bolt desenvolveram um sentido de “direito adquirido” e não estavam a esforçar-se o suficiente — por isso, despediu a maioria deles.
Além dos RH, Breslow disse que a Bolt tinha entrado numa queda de produtividade mais ampla, com os colaboradores a acomodarem-se demasiado durante os anos de bonança da empresa. «Havia um sentimento de privilégio que se alastrava por toda a empresa, e as pessoas sentiam-se empoderadas, com direitos adquiridos, mas na verdade não trabalhavam arduamente. E esse foi o principal problema que tive de combater», disse Breslow.
Quando regressou como CEO, deu aos colaboradores contratados ao abrigo da anterior estrutura de liderança 60 dias para se adaptarem a uma cultura mais enxuta, ao estilo startup. Mas o resultado foi que “99%” não se conseguiu adaptar, e Breslow acabou por se livrar de quase toda a equipa de liderança e recomeçar do zero. «Estavam habituados a trabalhar numa empresa onde não tinham de se envolver directamente e podiam gastar muito dinheiro, e simplesmente já não tínhamos esse dinheiro para gastar.»
A mudança, acrescentou, exigiu o abandono de alguns dos ideais de liderança que tinha adoptado anteriormente. Isto incluiu a eliminação da semana de trabalho de quatro dias e das férias ilimitadas. «Como pioneiro da liderança consciente, tive de trazer a empresa de volta a um patamar mais realista.»
Agora, Breslow defende que a estratégia está a dar resultados. Actualmente, a Bolt apresenta-se como uma “Superapp” — uma solução completa para enviar dinheiro, ganhar recompensas e negociar criptomoedas — e reduziu o seu pessoal para cerca de 100 pessoas. Segundo Breslow, a empresa está a prosperar sem aquilo que descreveu como “profissionais de renome e com grandes credenciais”.
«Temos uma equipa com um quarto do tamanho, composta por pessoas muito mais jovens, que trabalham muito mais e têm mais energia. E os nossos clientes dizem-nos: ‘Não recebíamos este tipo de atenção há quatro anos’.»














