Por que o CEO da Bolt dispensou todo o departamento de RH (e parte da equipa de liderança)

Num discurso na Workforce Innovation Summit da Fortune, Ryan Breslow, CEO da Bolt, empresa de tecnologia de checkout, defendeu os drásticos cortes na força de trabalho da empresa, incluindo um recente despedimento em massa que afectou cerca de 30% dos colaboradores, bem como a sua decisão de eliminar a equipa de RH. E explicou porquê.

Human Resources
20 de Maio 2026 | 12:50

«Tínhamos uma equipa de RH, e essa equipa estava a criar problemas que não existiam», disse Ryan Breslow à directora editorial da Fortune, Kristin Stoller. «Esses problemas desapareceram quando os dispensei.»

A medida pode parecer drástica, mas Breslow afirmou que era um passo necessário para ressuscitar a fintech em dificuldades que cofundou em 2014, em Stanford.

Depois de alcançar uma avaliação de 11 mil milhões de dólares em 2022 e de empregar milhares de funcionários, a sorte da Bolt mudou. Breslow deixou o cargo de CEO nesse mesmo ano e, em 2024, a avaliação da empresa terá caído para cerca de 300 milhões de dólares — uma queda de quase 97% —, enquanto várias rondas de despedimentos reduziram drasticamente o número de trabalhadores. Breslow atribuiu a crise a más decisões e a gastos excessivos.

Breslow regressou como CEO em 2025, operando no que chama de “tempos de guerra”.

«Estamos de volta ao modo startup, e estes profissionais de RH têm insights realmente importantes quando se está em tempos de paz e numa empresa maior», disse, acrescentando que a Bolt, desde então, contratou uma equipa mais pequena de operações de pessoal para supervisionar a formação necessária e servir de recurso para os colaboradores.

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«Precisamos de um grupo de pessoas muito focadas nos resultados, e existe uma cultura de procrastinação e de queixas», acrescentou na conferência da Fortune.

Nos últimos meses, a empresa de tecnologia de checkout foi alvo de rumores de que estaria a reter salários de trabalhadoes e que alguns contratados não teriam recebido. Na sua conversa com a Fortune, Breslow negou que a Bolt tenha retido fundos da equipa. Os colaboradores da Bolt desenvolveram um sentido de “direito adquirido” e não estavam a esforçar-se o suficiente — por isso, despediu a maioria deles.

Além dos RH, Breslow disse que a Bolt tinha entrado numa queda de produtividade mais ampla, com os colaboradores a acomodarem-se demasiado durante os anos de bonança da empresa. «Havia um sentimento de privilégio que se alastrava por toda a empresa, e as pessoas sentiam-se empoderadas, com direitos adquiridos, mas na verdade não trabalhavam arduamente. E esse foi o principal problema que tive de combater», disse Breslow.

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Quando regressou como CEO, deu aos colaboradores contratados ao abrigo da anterior estrutura de liderança 60 dias para se adaptarem a uma cultura mais enxuta, ao estilo startup. Mas o resultado foi que “99%” não se conseguiu adaptar, e Breslow acabou por se livrar de quase toda a equipa de liderança e recomeçar do zero. «Estavam habituados a trabalhar numa empresa onde não tinham de se envolver directamente e podiam gastar muito dinheiro, e simplesmente já não tínhamos esse dinheiro para gastar.»

A mudança, acrescentou, exigiu o abandono de alguns dos ideais de liderança que tinha adoptado anteriormente. Isto incluiu a eliminação da semana de trabalho de quatro dias e das férias ilimitadas. «Como pioneiro da liderança consciente, tive de trazer a empresa de volta a um patamar mais realista.»

Agora, Breslow defende que a estratégia está a dar resultados. Actualmente, a Bolt apresenta-se como uma “Superapp” — uma solução completa para enviar dinheiro, ganhar recompensas e negociar criptomoedas — e reduziu o seu pessoal para cerca de 100 pessoas. Segundo Breslow, a empresa está a prosperar sem aquilo que descreveu como “profissionais de renome e com grandes credenciais”.

«Temos uma equipa com um quarto do tamanho, composta por pessoas muito mais jovens, que trabalham muito mais e têm mais energia. E os nossos clientes dizem-nos: ‘Não recebíamos este tipo de atenção há quatro anos’.»

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