Portugal é o segundo país da Europa onde mais profissionais afirmam já ter sido alvo de discriminação numa entrevista de emprego por causa da orientação sexual

Margarida Lopes
3 de Setembro 2021 | 10:00
Portugal é o segundo país da Europa onde mais profissionais afirmam já ter sido alvo de discriminação numa entrevista de emprego por causa da orientação sexual

A primeira edição do estudo “Diversity at Work” do ManpowerGroup mostra que apenas 34% dos profissionais portugueses entrevistados e 41% do universo da comunidade LGBTQI+ sente abertura para revelar a sua orientação sexual no seu local de trabalho.

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Este valor coloca Portugal a meio da tabela europeia, já que, em polos opostos, estão Espanha – 48% dos trabalhadores espanhóis afirmam ter abertura para assumirem a sua orientação sexual em contexto laboral – e a República Checa – com 30% dos inquiridos no estudo a partilhar o seu estatuto com os seus colegas.

O estudo revela ainda que em Portugal, 51,89% do total dos inquiridos, quer sejam ou não pertencentes à comunidade LGBTQI+, acreditam ser mais benéfico para o candidato esconder a orientação sexual ao longo de um processo de recrutamento. Este dado cai, porém, quando diz respeito apenas às respostas dos membros da comunidade, sendo que 41,39% têm a mesma convicção.

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Portugal é o segundo país em que mais pessoas acreditam ser este o caminho benéfico para o candidato, com Itália a chegar aos 65,04% a terem essa posição e 49,56% dos membros da comunidade a concordarem. No entanto, são os portugueses quem mais assume já ter ocultado intencionalmente a sua orientação sexual, durante entrevista de emprego, com um valor de 45,58%.

Ainda em contexto laboral, 23% dos trabalhadores nacionais afirmam já ter sido alvo de discriminação numa entrevista de emprego devido à sua orientação sexual, valor apenas ultrapassado por Espanha, onde esta realidade já foi sentida por 24,63% dos respondentes. No polo oposto está a Suíça, com 11,76% dos seus inquiridos a terem-se sentido, no passado, discriminados durante um processo de recrutamento.

Questionados sobre se a escolha de novas oportunidades de emprego passa também pelas políticas LGBTQI+ existentes em cada organização, 35,98% dos entrevistados em Portugal assumiu que sim. Este valor assume-se como o segundo mais elevado em contexto europeu, apenas ultrapassado por Itália, onde 41,31% coloca estas políticas como prioritárias no seu processo de decisão.

Em relação às políticas existentes nas empresas nacionais, actualmente, 26,67% dos inquiridos reconhece haver acções direccionadas às mulheres e 17,88% a pessoas com deficiência. Já 11,73% refere a implementação de programas destinados a profissionais com diferentes etnias e origens e 8,48% a pessoas de idade superior.

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No intermédio estão 12,7% dos inquiridos, que dizem existir políticas para inclusão da comunidade LGBTQI+ nas organizações onde trabalham. Por último, 20,3% dizem não existirem quaisquer políticas de diversidade nas organizações onde operam, independentemente do seu tipo.

O estudo conclui que mais de metade dos entrevistados nacionais – 59,52% -, dizem já ter assistido a comportamentos não inclusivos no seu local de trabalho, tais como piadas sobre a comunidade LGBTQI+. Apesar de elevado, este valor é ultrapassado pela realidade italiana e espanhola, onde 62,57% e 63,69% dos trabalhadores, respectivamente, já assistiram a tais incidentes em contexto laboral.

Cerca de 60,39% dos entrevistados nacionais dizem inclusivamente que esse comportamento é, normalmente, realizado pelas próprias lideranças, sendo essa a percentagem a mais elevada, quando comparada com os restantes países em análise.

Por outro lado, quando questionados sobre se já testemunharam algum tipo de discriminação na sua empresa relacionada com a orientação sexual, tal como a diferenciação salarial ou a atribuição de promoções, 29,32% dos inquiridos em Portugal responderam afirmativamente. A identidade de género ou orientação sexual já levaram também a que 11,9% fossem vítimas de violência verbal no seu local de trabalho.

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E 20,24% dos trabalhadores portugueses avançam ainda que a partilha da sua orientação sexual veio limitar as suas oportunidades de carreira, valor que, mesmo assim, é um dos mais baixos entre as realidades em análise, encontrando-se o contexto italiano (29,92%) como o mais preocupante.

No polo oposto, está uma minoria de 7,14% de trabalhadores nacionais que dizem ter sido promovidos após comunicarem a sua orientação sexual, um dos valores mais baixos do estudo no que se refere a este ponto, com apenas a Suíça a apresentar um valor inferior, de 6,17%.

A maioria dos inquiridos nacionais, 62,35%, consideram que um dos benefícios de assumirem a sua orientação sexual é o aumento da sua produtividade no seu local de trabalho. Este valor é mesmo o mais elevado do estudo, seguindo-se o de 57,75% dos profissionais da República Checa e de Espanha com 50,18%. Em linha, estão 79,22% de todos os inquiridos portugueses e 81,6% dos respondentes LGBTQI+ que consideram que um ambiente de trabalho diverso é mais produtivo.

À semelhança, 85,16% do total dos inquiridos diz que um ambiente de trabalho mais diverso promove a inovação e novas ideias em contexto laboral, sendo que, quando inquirida a comunidade LGBTQI+ sobre o mesmo tópico, o valor alcança os 85,98%.

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A análise do ManpowerGroup confirma que os novos modelos de trabalho impactam o grau de inclusão no local de trabalho em geral e, em particular, das pessoas LGBTQI+. Assim, quase metade dos inquiridos (47,8%) afirmam ter experimentado, em diferentes graus, uma maior inclusão dentro da empresa. Contudo, parece que assumir a orientação sexual e identidade de género, com estes novos modelos de trabalho, não será tão fácil para as pessoas LGBTQI+: 39% a nível global e 33% em Portugal pensam que será mais difícil mostrar abertamente a sua orientação sexual ou identidade de género num ambiente remoto ou híbrido.

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