As desigualdades sociais têm um peso muito relevante no percurso educativo. Quanto mais desfavorecido for o contexto familiar, maior o risco de insucesso escolar e vice-versa. De acordo com o relatório da Fundação José Neves, entre os países da OCDE, Portugal aparece como um dos países em que esse perfil socioeconómico mais condiciona as expectativas e as escolhas educativas dos alunos.
Por exemplo, já aos 15 anos, os jovens portugueses de contextos sociais favorecidos têm uma maior expectativa de prosseguir para o ensino superior do que os jovens mais desfavorecidos. Uma diferença de 44 pontos percentuais, que fica acima da média da OCDE e de outros países europeus.
Os jovens de contextos sociais desfavorecidos tendem a baixar a fasquia, a não prosseguir no ensino superior ou não considerar as universidades mais prestigiadas e competitivas por acharem que estão fora do seu alcance.
Segundo o relatório da Fundação José Neves, o acesso e uso da informação, as desigualdades sociais têm um papel determinante. Apesar da informação estar disponível a todos, os jovens socialmente desfavorecidos (e que mais dela necessitariam para orientar o seu processo de decisão) tomam decisões imperfeitas recorrem menos à informação. O resultado é que muitos destes alunos face às suas ambições e preferências, por falta de acesso à informação, por incapacidade de a processar e por lhes faltarem fontes de proximidade com diversidade de experiências educativas.
As fontes de proximidade, nomeadamente pais e amigos destes estudantes, têm menor conhecimento assim como experiências a partilhar e, por isso, menos condições para aconselhar.














