Portugal já tem a primeira rede de empresas para a promoção da diversidade LGBTI. Integra 30 empresas nacionais

Human Resources com Lusa
30 de Junho 2025 | 16:40
Portugal já tem a primeira rede de empresas para a promoção da diversidade LGBTI. Integra 30 empresas nacionais

Portugal já tem a primeira rede empresarial para a promoção da diversidade e inclusão LGBTI nos ambientes de trabalho, criada em Maio e que integra 30 empresas nacionais, cujo objectivo é ajudar as empresas portuguesas a serem mais inclusivas.

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A REDI (Rede pela Diversidade e Inclusão LGBTI) Portugal nasceu no mês de Maio, da iniciativa de algumas empresas que já eram associadas da REDI Espanha e trabalhavam no mercado ibérico, e que sentiam «a falta de uma estrutura semelhante que pudesse apoiar as suas organizações em Portugal».

Tal como explicou à Lusa o presidente da REDI Portugal, a associação é autónoma da congénere espanhola, mas “bebe da experiência” da rede empresarial que existe no país vizinho, assumindo-se como «uma associação portuguesa para as empresas que são portuguesas no mercado português».

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«Em Portugal não havia uma organização que trabalhasse esta temática de uma forma dirigida especificamente para as empresas. Há algumas associações que trabalham a temática da diversidade LGBTI, mas não é numa linguagem para as empresas, no contexto empresarial, e isso faz diferença», apontou João Mattamouros Resende.

Segundo o responsável, a REDI Portugal pretende não só «dotar as empresas com recursos para trabalharem a matéria da diversidade LGBTI internamente», como também ajudar essas mesmas empresas «a dirigir-se melhor aos seus clientes», uma vez que são todas empresas que trabalham para o consumidor final e «os seus clientes reflectem a estrutura da sociedade e, portanto, também têm clientes LGBTI».

Segundo o responsável, as pessoas que fazem parte da comunidade LGBTI ou são simpatizantes e estão muito atentas ao que as empresas fazem hoje em dia e se uma empresa não incorporar essa diversidade, seja interna ou externamente, ela «vai claramente transmitir a ideia de que os seus valores corporativos não integram de forma genuína a diversidade».

«E os consumidores, os clientes, vão penalizar essas empresas», alertou, defendendo que agora era o momento de avançar na criação de uma associação deste género e as empresas demonstrarem a sua adesão a estes valores.

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João Resende adiantou que a associação faz formação dirigida em vários níveis: órgãos de administração e direções intermédias, departamentos de recursos humanos e equipas de comunicação.

«Ajudamos a preparar essas equipas com os argumentos, com dados, para que possam elas próprias dentro da sua organização trabalhar a temática em benefício naturalmente da empresa e, acreditamos nós, da sociedade, dos clientes e de todos», defendeu.

O advogado lembrou que as estimativas apontam para que pelo menos 10% da população faça parte da comunidade LGBTI (Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo). No entanto, «qualquer pessoa (…) facilmente conclui que não conhece 10% das pessoas de uma determinada empresa que pertencem ao colectivo».

«Isso significa que as pessoas não vivem a sua orientação ou identidade sexual de forma livre e espontânea e isso tem um impacto, que é as pessoas gastam energia a esconder a sua vida pessoal (…) e acabam por ser menos dedicadas àquilo que é a sua função dentro da empresa, menos produtivas, menos eficientes, menos engajadas, menos dedicadas, menos enturmadas com a empresa», apontou.

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Entendeu, por isso, que «ajudar as empresas a criar um ambiente inclusivo e diverso que permita que essas pessoas vivam a sua vida e a sua forma de estar de forma natural é benéfico para as empresas».

João Resende disse que a REDI Portugal começou com 24 empresas, no momento da sua fundação, e passado um mês já são cerca de 30, de várias dimensões e setores, desde serviços, retalho, escritórios de advogados ou gabinetes de arquitetura, e que qualquer empresa pode contactar a associação e pedir para aderir.

Referiu que a REDI Espanha começou com uma dezena de empresas e actualmente tem mais de 300. «Todas as semanas há empresas que se manifestam interesse em juntar-se ao projecto», admitindo que o mesmo possa acontecer em Portugal.

O presidente da REDI Portugal salientou também que o facto de o foco estar na diversidade LGBTI, isso não significa que outras diversidades não sejam importantes, apontando que «a experiência e os dados mostram que as empresas que trabalham em diversidade, seja qual for, trabalham melhor todas as diversidades».

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