Portugal destaca-se como o país da Europa Ocidental com maior proporção de preocupados. A Itália, com 44%, e a Grécia, com 43%, são os países que mais se aproximam do valor português. Em contraste, a Suécia (14%), a Dinamarca (15%), a Noruega (17%) e a Finlândia (20%) registam os valores mais baixos.
A nível global, 36% dos inquiridos afirmam recear a substituição do seu emprego pela IA. A preocupação é mais intensa nas economias emergentes: as Filipinas lideram, com 78% de inquiridos preocupados, seguindo-se a índia (65%) e a Indonésia (64%). Nas economias mais desenvolvidas, os valores são substancialmente mais baixos: 25% na Suíça, 21% na Alemanha e 20% nos Países Baixos.
O caso português ganha relevo quando comparado com o padrão global das economias de rendimento elevado, onde apenas 29% dos inquiridos estão preocupados com a substituição do seu emprego pela IA. Com 51% a partilhar esse receio, Portugal aproxima-se mais do padrão das economias de rendimento médio do que dos restantes países europeus de desenvolvimento semelhante.
Os dados por grupos sociodemográficos mostram que a preocupação é mais intensa entre os inquiridos de menor rendimento. Nos grupos de rendimento mais baixo, os cidadãos preocupados representam 38% da amostra. Nos de rendimento mais elevado, o valor desce para 32%. A escolaridade não diferencia de forma significativa a proporção de preocupados, que se mantém próxima dos 37% em todos os grupos.
A faixa etária é a variável com maior impacto na percepção do risco. Os mais jovens, com menos de 34 anos, são os mais preocupados, com 43% a temer a substituição. Nos inquiridos entre os 35 e os 54 anos, essa percentagem desce para 39%. Entre os maiores de 55 anos, é de 26%.
Na América Latina, a preocupação é elevada: o Peru regista 64% de inquiridos preocupados, o Equador 60% e a Colômbia 54%. Nos Estados Unidos, a percentagem decresce para os 32%. No conjunto dos resultados, o estudo revela que a percepção do risco da IA sobre o emprego é, sobretudo, moldada pela posição de cada trabalhador na economia, em termos de rendimento, escolaridade e faixa etária.
O Inquérito Internacional da Gallup International (EoY) foi realizado em 61 países de todo o mundo.














