Portugal pode perder quase metade da força de trabalho até 2070

Margarida Lopes
5 de Março 2020 | 10:41

De acordo com o Diário de Notícias, Portugal está a envelhecer rapidamente e, se a tendência se mantiver, o país vai perder 40% da força de trabalho até 2070, alertou o director-geral do Emprego da Comissão Europeia numa conferência organizada pela instituição, em Lisboa.

 

Joost Korte foi o orador principal na apresentação do novo relatório anual de Bruxelas sobre Portugal.

Este estudo faz o diagnóstico e a concretização das medidas económicas e diz quais são as perspectivas para as finanças públicas e impostos; do estado do sector financeiro; do mercado de trabalho, da educação e das políticas sociais; e diz que reformas são necessárias para aumentar a competitividade e o investimento.

Para Joost Korte, a maioria dos países da União estão perante um problema demográfico e social grave, estão a ficar sem pessoas capazes de trabalhar, mesmo contando com a imigração. «De acordo com as nossas avaliações, Portugal perderá cerca de 40% da sua força de trabalho até 2070. Ainda falta muito até lá, mas, em todo o caso, 40% é uma quebra enorme», disse o responsável.

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No início da intervenção, Joost Korte elogiou Portugal por ter saído da crise com sucesso, por a economia portuguesa estar a crescer «mais rápido do que na União Europeia» e por cumprir várias metas previstas para 2020 “antes do tempo”.

Apesar disso, o país enfrenta vários desafios difíceis. Como referido, a sociedade está muito envelhecida e a envelhecer rapidamente, a economia tem «uma produtividade baixa» e «começam a faltar pessoas qualificadas» em determinados segmentos produtivos.

«Um em cinco portugueses tem mais de 65 anos. Isto significa que actualmente há apenas três pessoas activas por cada uma com mais de 65 anos. E em 2070 espera-se que este rácio baixe para metade, de três para 1,5 pessoas por cada indivíduo com mais de 65 anos», referiu Joost Korte.

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«Isto obviamente tem enormes implicações para a sustentabilidade do sistema de pensões, vai exigir uma reforma extensiva de como financiar e organizar o sistema educativo, a formação e o sistema de saúde», observou o perito holandês, citado pelo Diário de Notícias.

 

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