Portugal poderia arrecadar 100 milhões de euros este ano com IRC mínimo de 15% às multinacionais

Human Resources com Lusa
27 de Outubro 2021 | 16:45

Portugal arrecadaria 100 milhões de euros adicionais em 2021 com a implementação do acordo na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) de taxa mínima de 15% de IRC para empresas multinacionais, segundo um estudo hoje divulgado.

A conclusão é do Observatório Fiscal da União Europeia (UE), um organismo independente sobre fiscalidade comunitária, que num relatório hoje divulgado e ao qual a Lusa teve acesso analisa os “Efeitos do Imposto Mínimo Global sobre as receitas”, com estimativas por país, na sequência do consenso alcançado na OCDE no início de Outubro e que deverá entrar em vigor dentro de dois anos.

No que toca a Portugal, este IRC mínimo de 15% equivaleria a 100 milhões de euros em receitas adicionais do imposto sobre as sociedades em 2021 (isto num cenário de ausência de alteração na lei fiscal), o correspondente a 1% dos lucros actuais com a cobrança às multinacionais no país, segundo o Observatório Fiscal da UE.

No conjunto dos 27, «verificamos que os Estados-membros da UE poderiam ganhar 80 mil milhões de euros adicionais em receitas de impostos sobre as sociedades a partir de um imposto mínimo global», assinala o organismo no relatório.

Este montante «representa cerca de um quarto das actuais receitas do imposto sobre o rendimento das sociedades», assinala o observatório.

Continue a ler após a publicidade

No início de Outubro, 136 países e jurisdições acordaram na rápida implementação de uma reforma do sistema internacional do impostos sobre as sociedades, comprometendo-se com a implementação de uma taxa mínima de 15% de IRC para empresas multinacionais a partir de 2023.

Perante o consenso, o Observatório Fiscal criou simulações dos efeitos sobre as receitas do imposto mínimo global de 15% estabelecido, baseando a sua análise nas mais recentes estatísticas de relatório por país divulgadas pela OCDE.

«Verificamos que os países de elevado rendimento são os que mais ganham com o imposto mínimo global de 15%, porque a maioria das empresas multinacionais estão sediadas em países de elevado rendimento», destaca esta entidade.

Continue a ler após a publicidade

Além da UE, foram também considerados outros países, como os Estados Unidos, que ganhariam cerca de 57 mil milhões de euros por ano com este IRC mínimo de 15%.

Por seu lado, os ganhos de receitas seriam menores nos países considerados como em desenvolvimento, como a China (seis mil milhões de euros), a África do Sul (quatro mil milhões de euros) e o Brasil (1,5 mil milhões de euros), adianta o documento, a que a Lusa teve acesso.

Desde há vários anos que a OCDE discute uma proposta relativa a impostos adaptados a uma economia globalizada e digitalizada, visando então exigir impostos às multinacionais, que os pagam onde lhes é mais favorável.

Em Julho passado, o G20 chegou a acordo sobre a implementação de um novo mecanismo tributário para as empresas multinacionais, abrangendo 130 países e jurisdições.

Antes, em Junho, os ministros das Finanças do G7 chegaram a acordo para implementar uma taxa mínima de 15% sobre os lucros das empresas, nomeadamente multinacionais.

Continue a ler após a publicidade

Muitos países têm vindo a defender, no seio da OCDE, um imposto mínimo global de 25%, mas no final de maio a administração norte-americana propôs uma taxa de 15%.

Partilhar


Mais Notícias