
Portugueses de Sucesso: André Pinto, BCG Brasil. Quatro países, um grande ensinamento: a importância da adaptabilidade e da empatia cultural
A vida dá muitas voltas. Que o diga André Pinto, que transitou de Engenharia Mecânica para o sector energético e passou por vários países até se instalar no Brasil. A inquietação e a curiosidade levaram-no a trabalhar no maior desafio económico e tecnológico da actualidade.
Por Tânia Reis
Seguiu Engenharia Mecânica, mas cedo percebeu que queria fazer mais, de sair da rotina e de ter um papel mais abrangente na transformação das empresas. Assim que surgiu a primeira oportunidade de expandir horizontes e experiência, André Pinto agarrou-a. Suécia, Espanha, Chile e Brasil, onde está há 13 anos, trouxeram inúmeras aprendizagens mas, acima de tudo, a importância da adaptabilidade e da empatia cultural.
Hoje é managing director and senior partner no Boston Consulting Group no Rio de Janeiro e regressar a Portugal é algo que ambiciona, mas de momento não tem pressa. Uma coisa garante: sem o apoio da família, nada disto teria sido possível.
Estudou Engenharia Mecânica no Instituto Superior Técnico e integra a Tetra Pak em 2002 na área de gestão de projectos industriais. Recorda-se como foi a entrada no mundo do trabalho?
Foi uma experiência marcante. Tinha acabado de concluir o curso, e entrar na Tetra Pak foi como mergulhar na realidade prática, onde finalmente podia aplicar o que tinha aprendido. Era um trabalho desafiante, interessante e com impacto.
No entanto, percebi cedo que não queria ficar apenas no lado técnico. Gostava muito da engenharia, mas sentia vontade de fazer mais, de sair da rotina e de ter um papel mais abrangente na transformação das empresas. Essa inquietação foi determinante para as escolhas que fiz mais tarde.
Também desempenhou funções na empresa na Suécia, no que, acredito, terá sido a sua primeira experiência internacional. Como surgiu a oportunidade? Ir para fora era um objectivo de carreira?
Desde cedo ambicionava ter uma carreira internacional. Na Tetra Pak, surgiu a possibilidade de fazer um projecto em Malmö, na Suécia, uma das sedes globais da empresa, e não hesitei em agarrar essa oportunidade. Foi a minha primeira experiência fora de Portugal e deu-me uma perspectiva completamente diferente, uma cultura muito organizada e eficiente, onde o rigor e a qualidade são sempre prioritários. Ao mesmo tempo, fui obrigado a adaptar-me rapidamente a novos contextos. Ir para fora era, de facto, um objectivo meu, e a Suécia acabou por ser a porta de entrada ideal.
Em 2005, vai estudar Finanças para Barcelona. Porque sentiu necessidade de melhorar as suas competências e conhecimentos na área financeira?
A decisão teve várias motivações. Por um lado, queria complementar a formação em engenharia com uma base sólida em finanças e gestão, para poder ter um papel mais estratégico.
Por outro, havia uma motivação pessoal muito forte: a minha namorada na altura – hoje minha esposa, Elena – vivia em Barcelona, e fazia todo o sentido estarmos mais próximos. Além disso, via em Barcelona uma plataforma excelente para desenvolver uma carreira internacional. Não queria ficar apenas confinado ao mundo da engenharia, queria ir mais longe. O MBA no IESE deu-me essa oportunidade.
Entretanto, integra o Boston Consulting Group em 2007 e, três anos depois, vai de Barcelona para Santiago do Chile. Como foi a mudança para a realidade sul-americana?
Entrei na BCG em Barcelona, onde fiquei quase quatro anos. Foi uma escola extraordinária, em termos de intensidade, aprendizagem e oportunidades. Depois surgiu a possibilidade de ir para o Chile. Foi pensado como um movimento temporário, com a ideia de regressar a Espanha, mas, mais uma vez, quis fugir da rotina e conhecer novas realidades.
No Chile, encontrei um mercado vibrante e comecei a interagir com o escritório do Brasil. Foi nessa altura que me aproximei do sector energético latino-americano e tive o primeiro contacto com a efervescência da economia brasileira e com a descoberta do pré-sal — um momento transformador para o sector.
O que é que o atraiu nesse sector?
O sector energético sempre me atraiu pela sua importância estrutural no desenvolvimento das sociedades e das economias. A energia é, em muitos aspectos, o motor do progresso, alimenta a indústria, impulsiona a inovação e permite melhorar continuamente a qualidade de vida. Historicamente, as grandes transformações económicas e sociais estiveram sempre ligadas à forma como produzimos e utilizamos energia.
Do ponto de vista pessoal, como engenheiro mecânico com formação em termodinâmica, o tema da energia sempre foi intelectualmente muito estimulante. A forma como a energia se transforma, se transporta e é utilizada de forma eficiente fascinou-me desde os tempos de estudante, e acabou por ser uma ponte natural entre o meu interesse técnico e a minha ambição de contribuir para algo com impacto global.
Para além disso, o sector tem uma relevância geopolítica incontornável. A energia moldou fronteiras, alianças e estratégias globais ao longo da história, e continua hoje a ser um dos principais eixos de influência internacional, tanto na Europa, onde a transição energética redefine dependências e prioridades, como nos Estados Unidos e em várias outras regiões do mundo.
Mas o que mais me entusiasma é o momento actual. Estamos a viver uma transformação profunda a nível mundial. A transição energética é, provavelmente, o maior desafio económico e tecnológico da nossa geração. Exige inovação, investimento, cooperação e visão de longo prazo. Trabalhar neste contexto é sentir que estamos a contribuir directamente para um futuro mais sustentável e equilibrado, não apenas em termos ambientais, mas também sociais e económicos.
Leia o artigo na íntegra na edição de Outubro (nº. 178) da Human Resources, nas bancas.
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