Por Ana Leonor Martins
Doutorado em Engenharia Química pelo Instituto Superior Técnico, Lino Dias começou como jovem cientista, movido pela paixão pela investigação e pela vontade de aplicar conhecimento científico com impacto real. Ao
longo de um percurso internacional, que começou em 2001, na Alemanha, que o levou a trabalhar com equipas e clientes em diferentes continentes, foi assumindo funções cada vez mais estratégicas, atravessando áreas tão distintas como Investigação & Desenvolvimento, Supply Chain, Marketing, Estratégia e Desenvolvimento
de Negócio. Hoje é vice-presidente na Bayer AG, liderando, à escala global, a estratégia da empresa para o segmento de Frutas, com a certeza de que o verdadeiro motor da inovação são as pessoas e que a liderança se constrói todos os dias, com confiança, comunicação e abertura ao erro como fonte de aprendizagem.
Em 2012, entre cerca de 100 mil trabalhadores em todo o mundo, o português natural de Portalegre foi considerado o colaborador mais eficiente da Bayer, mas não é algo que valorize por aí além. Mais marcante foi «ser acolhido de braços abertos por agricultores em países como a Índia, o Bangladesh, a Indonésia, o Quénia ou ou as Honduras, com flores ou com um chá e com um profundo sentido de agradecimento», graças ao projecto Better Life Farming, pelo qual também foi distinguido. Mas, casado e pai de quatro filhas, o que identifica como o «projecto mais espectacular» da sua vida é a sua família. Olhando para trás, não fazia nada de diferente, excepto, talvez, aprender a tocar piano.
Conta já 25 anos de experiência na Bayer, onde começou em 2001. Foi a sua primeira experiência profissional?
A minha primeira experiência profissional foi como professor provisório de Física e Química, na Escola Secundária de São Lourenço, em Portalegre, durante um período curto de seis meses, enquanto esperava pela resposta à minha candidatura a uma bolsa de doutoramento. Depois disso, trabalhei em alguns projectos de engenharia, em Portugal. Na Bayer apenas comecei depois do meu doutoramento. Foi o meu primeiro emprego regular.
O que mais o atraiu nessa oportunidade?
A dimensão da empresa, com presença em todo o mundo, e o seu historial de inovação.
Começou logo na Alemanha. O que foi mais desafiante, a adaptação profissional ou pessoal?
Não tive problemas de adaptação a nível profissional. Tive a sorte de ter um trabalho muito próximo da minha área de formação e ia muito bem preparado do Técnico. Mas quando comecei a trabalhar na Alemanha, não tinha ainda terminado de escrever a minha tese de doutoramento. Era um objectivo muito importante, não só para mim, como para a empresa. Ou seja, além de ter de fazer bem o meu trabalho e aprender uma nova língua e uma nova cultura, tinha ainda de trabalhar na tese durante todo o tempo livre. Foram mais de seis meses, durante os quais contei com a preciosa ajuda da minha mulher, que estava a fazer um pós-doutoramento na Suíça e me visitava ao fim-de-semana, para me ajudar com a logística da casa e eu poder trabalhar.
No percurso na Bayer, o que identifica como marcos mais importantes?
A minha carreira tem sido muito diversa, mesmo estando na mesma empresa. Iniciei o meu trabalho na área de Investigação & Desenvolvimento (I&D), numa área muito próxima da do meu doutoramento. Depois disso, passei por inúmeras áreas diferentes, desde Supply Chain, IT, Comunicação, Gestão de Projectos, Consultoria Interna, Marketing, Gestão de Produtos, Administração, Desenvolvimento de Novas Áreas de Negócio e Estratégia.
Em cada função nova, novos desafios. Olhando para trás, julgo ter havido quatro fases muito importantes no meu desenvolvimento. A primeira foi uma contribuição individual, como jovem cientista que quer demonstrar as suas competências técnicas num ambiente novo e muito exigente. A segunda, como membro de valor acrescentado numa equipa, em que o que importa é o resultado final, de todos. A terceira, como líder de pessoas, em que o desafio é saber formar equipas eficientes, estando atento às necessidades de cada um, como profissional e como
pessoa com a sua vida privada. A quarta, como líder que tem a possibilidade de influenciar o caminho estratégico da empresa com as suas decisões.
Nos projectos em vários países do mundo, há agum especialmente marcante?
Teria muitas histórias para contar, mas o mais marcante é o momento em que nos apercebemos de como a empresa onde trabalhamos pode modificar a vida das pessoas de forma significativa. Não me refiro apenas à área farmacêutica, em que essa relação causal é mais imediata, mas aos pequenos produtores agrícolas, de países
em desenvolvimento, para quem uma colheita é a principal fonte de rendimento – e, muitas vezes, a forma de subsistência.
Ser acolhido de braços abertos por agricultores em países como a Índia, o Bangladesh, a Indonésia, o Quénia ou as Honduras, com flores ou com um chá e com um profundo sentido de agradecimento, ainda me emociona profundamente e não vou esquecer nunca na vida.
Leia a entrevista na íntegra na edição de Abril (nº. 184) da Human Resources nas bancas. Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.














