Portugueses de Sucesso. Marco Serrão, Nadara: Um cidadão do mundo que gosta de “ritmo alto” e de inspirar mudança, através das pessoas

Human Resources com Lusa
27 de Janeiro 2026 | 10:10
Portugueses de Sucesso. Marco Serrão, Nadara: Um cidadão do mundo que gosta de “ritmo alto” e de inspirar mudança, através das pessoas

Marco Serrão sempre sonhou ter uma carreira internacional e foi cedo que o seu percurso além-fronteiras se começou a escrever. O mapa da sua experiência profissional conta com geografias como Espanha, Reino Unido, Itália, Alemanha e até China. Hoje, como Chief People and Culture Officer da Nadara, exerce uma função global, mas “dentro de portas”.

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Por Ana Leonor Martins

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Não sou ateniense nem grego, mas sim um cidadão do mundo.» A frase é do filósofo Sócrates e Marco Serrão via-a todos os dias à saída do metro, na altura em que andava na faculdade. Talvez por isso sempre tenha ambicionado uma carreia internacional. E começou logo aos 25 anos. Abraçou todos os desafios sem hesitar – pelo caminho ficou fluente em três línguas estrangeiras –, e na bagagem tem aprendizagens diferentes de todos eles: desde melhorar a sua «agilidade política» a ser «mais estruturado», até «saber dizer não».

Constata que, em Portugal, a Gestão de Pessoas não é tão reconhecida como nos diversos países onde trabalhou, mas, depois de 15 anos (em 2022), decidiu voltar “a casa”, precisamente pelo papel que a sua função iria assumir no processo de transformação da Galp. Entretanto, em Agosto do ano passado, a «ambição de crescimento do negócio, o propósito da empresa e voltar a trabalhar num contexto verdadeiramente internacional » fizeram com que Marco Serrão aceitasse o desafio de ser Chief People and Culture Officer na europeia Nadara, a partir de Portugal.

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Aos 44 anos, consegue afirmar ter «a sorte de já ter atingido a grande maioria dos objectivos» a que se propôs. Mas confessa ainda ter um sonho profissional por realizar: trabalhar nos Estados Unidos.

 

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Começou o seu percurso na Siemens, em Portugal, como trainee, mas cerca de um ano depois começaria logo a sua carreira internacional. Sempre foi um objectivo? Porquê?
Sim. Não sei bem porquê, mas sempre sonhei com uma carreira internacional. Na altura, não esperava dar o salto para fora tão cedo, mas surgiu uma boa oportunidade e não hesitei em aceitar.

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Essa primeira oportunidade foi na Nokia, em Madrid. Apesar de ser no país vizinho, existe sempre necessidade de adaptação, diferenças culturais… quais foram os principais desafios?
Rumei a Madrid em Abril de 2008, mas inicialmente vinha a Lisboa todos os fins-de-semana. Depois, a partir de Setembro, passei a ter um contrato local e, como tinha estudado o nível básico de Espanhol no Instituto Cervantes, consegui comunicar em espanhol fluente rapidamente, o que me ajudou muito na integração cultural.

Os desafios foram mais inerentes à função – era muito júnior – e ao momento de integração cultural das duas empresas – Nokia Siemens Networks.

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O que melhor recorda dos tempos iniciais dessa primeira experiência internacional?
Gostei muito da informalidade e do à vontade das pessoas, que se alinha muito com a minha forma de ser e estar. Também gostei muito de viver em Madrid, uma cidade com muita vida, sentia-me em casa. E ainda sinto, sempre que volto.

 

Entretanto, ainda na Nokia, esteve durante um ano no China. Como foi essa experiência? Já noutro continente, uma cultura completamente distinta…
A China foi uma experiência fantástica e o maior choque cultural que já tive.

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Qual foi o maior “choque”?
Honestamente, o mais desafiante foi comunicar fora do escritório. Tinha um cartão com as moradas principais que usava nos táxis, já que a grande maioria das pessoas não falavam inglês. Ainda me lembro quando tentei comunicar verbalmente em Mandarim e acabei numa parte da cidade completamente diferente!

 

E o que mais o marcou, pela positiva?
Fiz boas amizades, que ainda mantenho, e consegui integrar-me, especialmente através das actividades desportivas. Sempre acreditei que é importante criar ligação com as pessoas locais e não limitar as interacções aos grupos de expatriados. E foi o que fiz.

 

Depois, já na Vodafone, esteve cinco anos em Londres e dois em Itália; na Alemanha, na Deutsche Telekom esteve três anos… Como foi a adaptação em cada uma destas geografias?
Sem dúvida mais fácil do que na China. Londres é uma espécie de “melting pot”, como Nova Iorque, com imensa diversidade cultural, o que aprecio bastante. O ritmo da cidade pode chegar a ser quase sufocante, mas gosto de ritmo alto e de viver em cidades cosmopolitas.

Itália foi uma experiência mais “local”… Milão é uma cidade interessante, cheia de cultura, mas sendo estrangeiro é mais complicado criar relações. Falar fluentemente italiano, no segundo ano, ajudou bastante na integração e senti uma grande diferença.

A Alemanha, em Bona, foi uma experiência muito particular, pois, passados poucos meses de aterrar, começou a pandemia de COVID-19, que mudou tudo. Apesar disso, consegui entregar muitos projectos – a empresa é altamente estruturada –, e ter uma vida activa, fazer muito desporto, aproveitando o entorno natural, é uma cidade muito verde.

 

Leia a entrevista na íntegra na edição de Janeiro (nº. 181) da Human Resources.

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