
Portugueses de Sucesso. Marco Serrão, Nadara: Um cidadão do mundo que gosta de “ritmo alto” e de inspirar mudança, através das pessoas
Marco Serrão sempre sonhou ter uma carreira internacional e foi cedo que o seu percurso além-fronteiras se começou a escrever. O mapa da sua experiência profissional conta com geografias como Espanha, Reino Unido, Itália, Alemanha e até China. Hoje, como Chief People and Culture Officer da Nadara, exerce uma função global, mas “dentro de portas”.
Por Ana Leonor Martins
Não sou ateniense nem grego, mas sim um cidadão do mundo.» A frase é do filósofo Sócrates e Marco Serrão via-a todos os dias à saída do metro, na altura em que andava na faculdade. Talvez por isso sempre tenha ambicionado uma carreia internacional. E começou logo aos 25 anos. Abraçou todos os desafios sem hesitar – pelo caminho ficou fluente em três línguas estrangeiras –, e na bagagem tem aprendizagens diferentes de todos eles: desde melhorar a sua «agilidade política» a ser «mais estruturado», até «saber dizer não».
Constata que, em Portugal, a Gestão de Pessoas não é tão reconhecida como nos diversos países onde trabalhou, mas, depois de 15 anos (em 2022), decidiu voltar “a casa”, precisamente pelo papel que a sua função iria assumir no processo de transformação da Galp. Entretanto, em Agosto do ano passado, a «ambição de crescimento do negócio, o propósito da empresa e voltar a trabalhar num contexto verdadeiramente internacional » fizeram com que Marco Serrão aceitasse o desafio de ser Chief People and Culture Officer na europeia Nadara, a partir de Portugal.
Aos 44 anos, consegue afirmar ter «a sorte de já ter atingido a grande maioria dos objectivos» a que se propôs. Mas confessa ainda ter um sonho profissional por realizar: trabalhar nos Estados Unidos.
Começou o seu percurso na Siemens, em Portugal, como trainee, mas cerca de um ano depois começaria logo a sua carreira internacional. Sempre foi um objectivo? Porquê?
Sim. Não sei bem porquê, mas sempre sonhei com uma carreira internacional. Na altura, não esperava dar o salto para fora tão cedo, mas surgiu uma boa oportunidade e não hesitei em aceitar.
Essa primeira oportunidade foi na Nokia, em Madrid. Apesar de ser no país vizinho, existe sempre necessidade de adaptação, diferenças culturais… quais foram os principais desafios?
Rumei a Madrid em Abril de 2008, mas inicialmente vinha a Lisboa todos os fins-de-semana. Depois, a partir de Setembro, passei a ter um contrato local e, como tinha estudado o nível básico de Espanhol no Instituto Cervantes, consegui comunicar em espanhol fluente rapidamente, o que me ajudou muito na integração cultural.
Os desafios foram mais inerentes à função – era muito júnior – e ao momento de integração cultural das duas empresas – Nokia Siemens Networks.
O que melhor recorda dos tempos iniciais dessa primeira experiência internacional?
Gostei muito da informalidade e do à vontade das pessoas, que se alinha muito com a minha forma de ser e estar. Também gostei muito de viver em Madrid, uma cidade com muita vida, sentia-me em casa. E ainda sinto, sempre que volto.
Entretanto, ainda na Nokia, esteve durante um ano no China. Como foi essa experiência? Já noutro continente, uma cultura completamente distinta…
A China foi uma experiência fantástica e o maior choque cultural que já tive.
Qual foi o maior “choque”?
Honestamente, o mais desafiante foi comunicar fora do escritório. Tinha um cartão com as moradas principais que usava nos táxis, já que a grande maioria das pessoas não falavam inglês. Ainda me lembro quando tentei comunicar verbalmente em Mandarim e acabei numa parte da cidade completamente diferente!
E o que mais o marcou, pela positiva?
Fiz boas amizades, que ainda mantenho, e consegui integrar-me, especialmente através das actividades desportivas. Sempre acreditei que é importante criar ligação com as pessoas locais e não limitar as interacções aos grupos de expatriados. E foi o que fiz.
Depois, já na Vodafone, esteve cinco anos em Londres e dois em Itália; na Alemanha, na Deutsche Telekom esteve três anos… Como foi a adaptação em cada uma destas geografias?
Sem dúvida mais fácil do que na China. Londres é uma espécie de “melting pot”, como Nova Iorque, com imensa diversidade cultural, o que aprecio bastante. O ritmo da cidade pode chegar a ser quase sufocante, mas gosto de ritmo alto e de viver em cidades cosmopolitas.
Itália foi uma experiência mais “local”… Milão é uma cidade interessante, cheia de cultura, mas sendo estrangeiro é mais complicado criar relações. Falar fluentemente italiano, no segundo ano, ajudou bastante na integração e senti uma grande diferença.
A Alemanha, em Bona, foi uma experiência muito particular, pois, passados poucos meses de aterrar, começou a pandemia de COVID-19, que mudou tudo. Apesar disso, consegui entregar muitos projectos – a empresa é altamente estruturada –, e ter uma vida activa, fazer muito desporto, aproveitando o entorno natural, é uma cidade muito verde.
Leia a entrevista na íntegra na edição de Janeiro (nº. 181) da Human Resources.
Pode comprar nas bancas. Ou, caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.