Os portugueses estão a adoptar mais ferramentas de inteligência artificial generativa (Gen AI) do que a média europeia. Esta é uma das principais conclusões do “European Consumer Gen AI Sentiment & Behaviour” da Bain & Company, que analisou os níveis de adopção de IA em Portugal, Espanha, Reino Unido, França, e Alemanha no último trimestre de 2025.
Os dados mostram que embora 55% dos portugueses utilizem actualmente estas ferramentas sobretudo para uso pessoal, o primeiro contacto com a IA generativa ocorreu maioritariamente em contexto académico ou profissional.
Neste estudo comparativo entre cinco dos principais ecossistemas digitais, Portugal destaca-se na adopção da Gen AI, com 62% dos utilizadores a afirmarem que utiliza estas ferramentas regularmente, um valor superior à média europeia (52%).
O estudo assinala que a adopção de ferramentas Gen AI para uso pessoal na Europa aumentou significativamente nos últimos dois anos, com cerca de 68% dos inquiridos a afirmarem que já usaram ou usam actualmente estas ferramentas. Em Portugal, a percentagem de utilizadores disparou nos últimos quatro anos e o valor passou de 6% para 62%, reflectindo uma rápida adopção destas tecnologias
Na Europa, a Geração Z e os Millennials são quem mais confiam nas ferramentas de inteligência artificial generativa, contrapondo com a Geração Boomer e Silent Generation, que registam uma maior percentagem de desconfiança ao conteúdo produzido por estas ferramentas. Portugal destaca-se no estudo como o país com maior percentagem de confiança (54%), contrastando com países como Reino Unido, França ou Alemanha, com indicadores abaixo da média europeia (41%).
Relativamente às razões pelas quais 32% da média dos inquiridos europeus nunca utilizaram as ferramentas de Gen AI, destaca-se a preferência por autonomia na realização de tarefas e as preocupações quanto à privacidade dos dados, sendo transversal aos países em análise.
Em contraste, os principais motivos que levam os europeus a adoptar estas ferramentas no âmbito pessoal prendem-se a com procura de novas aprendizagens, procura de eficiência e apoio ao desenvolvimento de conteúdos criativos, estando Portugal alinhado com os dados europeus.
Nesta matéria, destacam-se essencialmente o recurso a estas ferramentas para pesquisa de informação (85%), explicação de conceitos complexos (79%) e escrita (71%). Com menor expressão percentual verifica-se a utilização destas ferramentas para fomentar interações sociais como “companhia” ou “conselheiro” a nível europeu, e com a mesma expressão em Portugal (abaixo dos 30% de utilização).
Este estudo demonstra ainda que a forma como os utilizadores europeus pesquisam informação online está a mudar progressivamente. Cerca de seis em 10 pessoas, já não clicam em sites quando a informação que procuram surge em resumos gerados por Gen AI directamente na página de resultados, reforçando o comportamento “zero-click”. Esta tendência tem implicações directas para marcas, media e empresas de e-commerce, ao reduzir o tráfego directo para sites alterar a forma como os consumidores descobrem informação, produtos e serviços.
Ainda com um valor residual, 18% dos utilizadores europeus afirmam substituir os motores de pesquisa por ferramentas de Gen AI na maioria das vezes ou quase sempre. Em Portugal, 38% dos utilizadores afirmam utilizar os motores de pesquisa com maior frequência do que ferramentas de Gen AI, o que indica uma transição mais gradual neste mercado.














