O novo estudo global da Kaspersky, “The Great Messaging Heist”, identificou que os portugueses estão entre os mais afectados por burlas digitais realizadas através de aplicações de mensagens, como WhatsApp, SMS e Facebook. As perdas financeiras médias por vítima ultrapassam os 800 euros, valor superior à média global de cerca de 675 euros.
Mais de metade dos utilizadores portugueses que foram vítimas destas fraudes entregaram dinheiro ou dados pessoais em menos de 30 minutos, com 14% a fazê-lo em menos de cinco minutos. As burlas frequentemente envolvem múltiplas plataformas, como a transição de SMS para WhatsApp ou Telegram, o que complica ainda mais a detecção.
O WhatsApp é a plataforma predominante nas fraudes em Portugal, utilizada em 56,57% dos casos, acima da média global de 43%. Seguem-se os SMS/iMessage com 49,4% e o Facebook com 17,5%.
Os cibercriminosos recorrem cada vez mais a ferramentas de inteligência artificial para criar mensagens, clonar vozes e produzir imagens falsas, tornando as burlas mais convincentes e difíceis de identificar. Apesar disso, apenas 29,1% dos portugueses acreditam que a IA foi usada para os enganar, uma percepção inferior à média global de 66%.
Embora 43% dos participantes portugueses tenham perdido dinheiro nestas fraudes — um valor inferior à média global de 51% — as perdas financeiras são mais severas em Portugal. Enquanto 45,4% perderam montantes inferiores a 125 euros, mais de 18% sofreram perdas superiores a 1.245 euros, acima da média global de 11%.
Além das perdas financeiras, o impacto emocional é considerável: 51% dos portugueses relataram sentir raiva, 35% frustração e 26,2% medo ou perturbação emocional após serem vítimas das burlas.
Recomendações para protecção
Especialistas alertam para a necessidade de adoptar medidas de segurança para combater este tipo de crime digital, que se aproveita da rapidez e confiança nas mensagens do quotidiano. Entre as recomendações estão:
- Fazer uma pausa antes de reagir a mensagens que exigem acções urgentes ou fornecimento de dados pessoais;
- Verificar identidades de forma independente, confirmando perfis e solicitando provas adicionais;
- Utilizar palavras-passe fortes e únicas, geridas por ferramentas especializadas;
- Manter atenção a links e notificações suspeitas, recorrendo a soluções de segurança que monitorizem actividade e detectem ameaças.
O uso crescente da inteligência artificial na criação de burlas reforça a necessidade de cautela, pois torna as fraudes quase indistinguíveis da comunicação legítima, aumentando o risco para os utilizadores.














