Portugueses pouco qualificados mais atrasados no registo para residência no Reino Unido

Human Resources com Lusa
7 de Dezembro 2020 | 10:09

Os portugueses no Reino Unido pouco qualificados estão menos informados sobre o estatuto de residência que precisam de assegurar para continuar a viver e trabalhar no país no pós-Brexit e vão registar-se mais tarde, indica um estudo académico.

 

Perto de 46% dos inquiridos com escolaridade até ao terceiro ciclo do ensino disseram não ter conhecimento do novo sistema de regularização migratório, número que baixa para 34% entre os imigrantes lusos com estudos do secundário, mas que mesmo assim representa um terço daquele grupo.

Pelo contrário, 80% dos portugueses licenciados ou com outros graus superiores mostraram-se informados sobre o estatuto, obrigatório a partir de 1 de Julho de 2021 para os europeus que atualmente residem no Reino Unido e querem manter o direito de viver e trabalhar no país.

Os dados fazem parte de um inquérito feito no âmbito da tese de mestrado no Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa e publicados esta semana pelo Observatório da Emigração.

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«Os inquiridos que auferem rendimentos mais baixos têm um acesso à informação mais dificultado e, muitas vezes, essa informação chega-lhes de forma distorcida, além de que podem estar menos interessados em questões políticas e legais», disse à agência Lusa Raquel Rocha, autora do estudo e co-autora do artigo.

O estudo verificou também que a maioria dos inquiridos não pretendia iniciar o processo imediatamente, tendo 47% respondido que iam esperar por desenvolvimentos nas negociações pós-‘Brexit’ entre o Reino Unido e a União Europeia (UE) e 16% disseram estar indecisos.

Raquel Rocha atribui esta atitude ao «clima de incerteza e a desconfiança nas instituições britânicas e europeias, não esquecendo que a obtenção deste estatuto requer que os cidadãos cumpram, apesar de que de forma menos complexa, os requisitos exigidos para residência permanente».

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Os resultados do estudo sobre os imigrantes corroboram outros estudos realizados no Reino Undo com imigrantes europeus e preocupações de organizações para o risco que os cidadãos mais vulneráveis correm de não se registarem a tempo.

Em Setembro, a Social Market Foundation publicou um estudo realizado na região de Fenland, perto de Peterborough, no este de Inglaterra, que referia que mais de 40% dos trabalhadores inquiridos, a maioria profissionais pouco qualificados, desconhecia o sistema de residência para europeus [settlement scheme].

Esta semana, o movimento the3Million, que defende os interesses dos cidadãos europeus no Reino Unido, alertou que “milhares” de europeus “vulneráveis” correm o risco de perder o direito de viver no Reino Unido pós-Brexit.

Idosos ou doentes, trabalhadores precários, presidiários, crianças sob custódia dos serviços sociais, pessoas sem acesso à internet ou com poucos conhecimentos da língua inglesa correm o risco de falhar o prazo de candidatura ao estatuto de residente dado aos europeus até 30 de Junho de 2021, avisaram.

O Governo português estima que residam no Reino Unido cerca de 400 mil portugueses, mas o número verdadeiro é incerto.

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Até ao fim de Setembro, o Ministério do Interior disse ter recebido 296.850 candidaturas de cidadãos portugueses entre quase 3,9 milhões de candidaturas de cidadãos europeus e também da Islândia, Suíça, Noruega e Lichtenstein, que beneficiam de liberdade de circulação na UE.

Este valor não corresponde directamente ao número de pessoas candidatas, pois o sistema duplica casos de pessoas que receberam primeiro o estatuto provisório e depois pediram o estatuto permanente.

O título permanente (settled status) é atribuído aos residentes há pelo menos cinco anos no Reino Unido e o título provisório (pre-settled status) aos que estão no país há menos de cinco anos.

O sistema de regularização migratória [settlement scheme], aberto no âmbito da saída do Reino Unido da UE, fecha a 30 de Junho de 2021, mas os candidatos têm de fazer prova de que iniciaram residência no Reino Unido até 31 de Dezembro, quando acaba a liberdade de circulação do movimento devido ao fim do período de transição pós-Brexit.

Nos primeiros seis meses de 2021 vigora um “período de tolerância” durante o qual os cidadãos europeus elegíveis ainda poderão completar o registo para continuarem a ter acesso ao mercado de trabalho, a serviços de saúde e educação, bem como apoios sociais.

A partir de 1 de Janeiro de 2021, europeus que queiram estabelecer-se no Reino Unido terão de cumprir requisitos previstos na nova lei para a imigração, como um contrato de trabalho, conhecimentos da língua inglesa e um salário mínimo.

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