Prepare (já) a sua empresa para estas cinco tendências tecnológicas. E saiba porque não pode deixar de o fazer

Margarida Lopes
5 de Dezembro 2024 | 10:40

A Capgemini revelou quais as tecnologias que deverão atingir o ponto de viragem ao longo do próximo ano segundo o ‘TechnoVision Top 5 Tech Trends to Watch in 2025’. 

Neste sentido, serão estas as tecnologias a acompanhar em 2025:

• IA generativa: Dos copilotos aos agentes de IA com raciocínio
A IA generativa está a evoluir da simples capacidade de realizar tarefas isoladas para a fase dos agentes especializados e interligados. Segundo revela o estudo, do Capgemini Research Institute a ser apresentado em Janeiro de 2025, 32% dos 1500 líderes empresariais inquiridos em todo o mundo consideraram que os agentes de IA serão a principal tendência tecnológica na área dos dados e da IA em 2025 .

Os modelos de GEN AI, graças às capacidades crescentes de raciocínio lógico de que dispõem, começarão a funcionar de forma mais autónoma, fornecendo simultaneamente resultados mais fiáveis e fundamentados em evidências, passando a assumirem cada vez mais tarefas nas cadeiras de abastecimento ou/e de manutenção preditiva, sem necessidade de supervisão humana constante.

Os sistemas de IA podem lidar com a tomada de decisões dinâmicas em ambientes mais sensíveis e onde a correção tem um papel fundamental. O passo seguinte será a criação e lançamento de um superagente, que funcione como um orquestrador dos vários sistemas de IA, optimizando as suas interacções. Em 2025, estes avanços irão acelerar a emergência de novos ecossistemas de IA em todos os sectores de actividade, disponibilizando níveis acrescidos de eficiência e de inovação.

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Por que é importante: Com o amadurecimento dos modelos de IA, os modelos de transformação e as outras arquiteturas de GEN AI alcançarão novos patamares de sofisticação e de precisão, tornando viável a aplicação e funcionamento dos sistemas multiagentes na tomada de decisões dinâmicas, complexas e do mundo real, mesmo em situações imprevisíveis. Assim, o seu impacto irá aumentar em áreas que dependem de respostas rápidas e flexíveis a desafios inesperados, tais como a saúde, o direito e os serviços financeiros.

 

• Cibersegurança: Novas defesas, novas ameaças
A IA está também a transformar a área da cibersegurança, tornando os ataques cibernéticos impulsionados pela Gen AI mais sofisticados e os sistemas de defesa orientados por IA mais robustos, flexíveis e avançados. Este aspeto é referido no último estudo do Capgemini Research Institute recentemente publicado e no âmbito do qual, quase todas as organizações inquiridas (97%) revelaram que no ano passado enfrentaram violações ou problemas de segurança relacionados com a utilização da Gen AI.

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Nos últimos anos, o trabalho remoto aumentou substancialmente a superfície de ataque e as vulnerabilidades da segurança das empresas face às ameaças. Testemunham-no 44% dos principais líderes empresarias inquiridos e que elegeram os impactos da GEN AI no ciberespaço como o principal aspeto a ter em conta no que diz respeito às tecnologias na área da cibersegurança em 2025.

Para reduzir estes riscos, os investimentos e as inovações no domínio da segurança dos terminais e das redes foram intensificados ao longo do último ano e as iniciativas para automatizar a detecção de ameaças aumentaram, incluindo threat intelligence baseada em IA. Por outro lado, as empresas começaram a preparar-se para o futuro, fortalecendo os algoritmos da criptografia, sobretudo através da criptografia pós-quântica, para se poderem proteger contra as futuras ameaças advindas da computação quântica. Esta tendência reflecte uma transformação mais profunda na forma como as organizações abordam a segurança e reforçam a fiabilidade dos seus sistemas cada vez mais autónomos.

Por que é importanteem 2025, os ciberataques generativos alimentados por IA continuarão a ser mais sofisticados e generalizados, esperando-se por isso que os riscos para as organizações aumentem. Paralelamente, e à medida que a IA desempenha um papel cada vez mais importante na tomada de decisões e no controlo operacional, garantir que os seres humanos confiam nestes sistemas vai ser fundamental. Mas não se trata apenas de estar seguro, mas sim, e sobretudo, de se sentir seguro. A cibersegurança deve, por isso, responder às preocupações técnicas e psicológicas, garantindo não só a protecção, mas também a fiabilidade dos sistemas de que as pessoas dependem diariamente.

 

• Robótica orientada por IA: esbater as fronteiras entre seres humanos e máquinas
Os avanços na tecnologia de IA conjugados com as inovações alcançadas pela mecatrónica irão igualmente permitir o desenvolvimento de robots de próxima geração e ampliar a sua utilização muito além das tradicionais aplicações industriais. A robótica costumava ser dominada por máquinas codificadas e específicas para utilização em tarefas específicas, mas o desenvolvimento da Gen AI  torna possível o desenvolvimento de novos produtos (incluindo robots humanoides e colaborativos – ou cobots) com capacidade para se adaptarem a vários cenários e aprenderem continuamente com o seu ambiente.

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De acordo com o estudo do Capgemini Research Institute a ser apresentado na CES, 24% dos principais líderes empresariais e 43% dos investidores de capital de risco consideram a automação e a robótica impulsionadas por IA como uma das três principais tendências tecnológicas na área dos dados e da IA em 2025. Com os robots a tornarem-se cada vez mais autónomos e a IA a assumir funções complexas de tomada de decisão, o futuro do trabalho poderá vir a sofrer mudanças profundas nas estruturas tradicionais de autoridade. A ascensão das  máquinas alimentadas por IA que imitam os comportamentos humanos desafia a nossa actual compreensão sobre a liderança, a responsabilidade e a colaboração, e pode, em última análise, levar-nos a reconsiderarmos qual o papel dos humanos neste contexto.

Por que é importante: à medida que a Indústria 4.0 progride, os robots alimentados por IA impulsionarão a eficiência, a flexibilidade e a inovação, tornando-se componentes-chave de sistemas inteligentes e conectados e irão redefinir os processos industriais. Até 2025, os avanços no processamento da linguagem natural e da visão da máquina aumentarão ainda mais as suas capacidades, permitindo que os robots  assumam funções mais complexas no contexto da força de trabalho moderna na indústria, na logística e na agricultura.

 

• Nuclear: mudanças na agenda das tecnologias limpas impulsionada pela IA
O sector da energia está a passar por grandes mudanças, com a transição energética a acelerar a um ritmo sem precedentes. Esta transformação é alimentada pela pressão crescente do combate às alterações climáticas e apoiada pelas inovações rápidas que estão a acontecer um pouco em todos os sectores, desde as energias renováveis aos biocombustíveis, passando pelo hidrogénio hipocarbónico. Em 2025 a energia nuclear estará em foco e irá dominar a agenda do ano: esta tecnologia está de volta ao topo das prioridades das empresas, como possível resposta à necessidade urgente de maiores quantidades de energia limpa, fiável e controlável que decorrem da IA e das outras tecnologias emergentes.

Apesar de terem sido poucos os líderes empresarias (inquiridos em todo o mundo entre setembro e outubro de 2024 no âmbito deste estudo a apresentar em janeiro de 2025), que identificou os Pequenos Reatores Modulares (SMRs) como uma das três principais tecnologias sustentáveis que se irá destacar em 2025, é expectável que o desenvolvimento desta tecnologia venha a acelerar de forma substancial ao longo do próximo ano. Também podemos esperar avanços significativos no que diz respeito à energia limpa e ilimitada gerada através da fusão nuclear, ou dos Reatores Modulares Avançados (AMRs). Estes diferem dos reatores de água leve pelo uso de novos tipos de combustíveis e temperaturas mais altas e, nalguns casos, pela promessa de reduzirem a produção de resíduos nucleares.

Por que é importante: Impulsionadas pelas necessidades crescentes de energia inerentes à computação para IA, as grandes tecnológicas equacionam agora a possibilidade de recorrerem à energia nuclear. Espera-se que os investimentos em grande escala contribuam para aumentar o ritmo da inovação na tecnologia dos reatores e na gestão dos resíduos nucleares, uma vez que o sector tecnológico reconhece que as energias renováveis não podem, por si só, satisfazer as suas necessidades energéticas.

 

• Cadeias de abastecimento de nova geração: mais ágeis, mais verdes e assistidas por IA
Nos últimos anos, as empresas confrontaram-se com condições de mercado cada vez mais complexas e imprevisíveis. As principais tecnologias, incluindo a IA, os dados, o blockchain, o IoT e a conectividade com as Redes de Satélites Terrestres, desempenham agora um papel estratégico no que diz respeito à optimização dos custos, da resiliência, da agilidade, da circularidade e da sustentabilidade das cadeias de abastecimento. Estas tecnologias, ao terem atingido um nível suficientemente elevado de maturidade e de fiabilidade, habilitaram as empresas para aperfeiçoarem as suas capacidades preditivas e navegarem de forma mais segura os ecossistemas em constante mudança.

Por outro lado, os avanços alcançados nas tecnologias espaciais, tais como as constelações de satélites na órbita baixa da Terra, estão a aumentar a cobertura nos chamados pontos brancos, o que é crucial para permitir que as empresas possam controlar transversalmente as suas cadeias de abastecimento em todo o mundo.

Além disso,  e segundo o novo estudo do Capgemini Research Institute a ser apresentado na CES em Janeiro de 2025, 37% dos líderes empresarias acreditam que estas cadeias de abastecimento suportadas por  tecnologias de próxima geração, serão a principal tendência tecnológica no que diz respeito à indústria e à engenharia em 2025. Esta evolução vai ser ainda mais pertinente, como resposta às novas restrições regulamentares e ambientais que irão entrar em vigor e como forma de as empresas garantirem a sua competitividade, agilidade e resiliência.

Por que é importanteem 2025, as cadeias de abastecimento em todo o mundo irão continuar a ser confrontadas com perturbações ambientais, pressões regulatórias e tensões geopolíticas que afetarão o fluxo normal de bens e matérias-primas. A introdução de nova regulamentação, como o Passaporte de Produto Digital da União Europeia, irá tornar obrigatório o rastreamento e a divulgação da pegada ambiental dos produtos das empresas, forçando-as desta forma a adoptarem práticas mais sustentáveis.

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