Prestação dos créditos habitação contratados agora sobe 13,5% num ano e chega aos 715 euros

Quem assinou um crédito à habitação nos últimos três meses está a pagar, em média, 715 euros por mês. É mais 23 euros do que quem assinou no mês anterior e mais 13,5% do que quem contratou o mesmo tipo de operação há um ano, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística referentes a Junho. O ComparaJá esclarece.

Human Resources com ComparaJá.pt
2 de Agosto 2026 | 10:00
Prestação dos créditos habitação contratados agora sobe 13,5% num ano e chega aos 715 euros

A diferença é relevante para qualquer trabalhador que esteja a planear a compra de casa, porque mostra que o custo de entrada no mercado se está a agravar a um ritmo muito superior ao da actualização dos salários.

Escolha a Human Resources como fonte preferida no Google Escolher ›

O detalhe importante é que esta subida não vem toda do mesmo sítio. A taxa de juro implícita nos contratos celebrados nos últimos três meses subiu para 2,853%, mais 3,3 pontos base do que em Maio, e a taxa média do conjunto dos contratos em vigor chegou aos 3,101%. Mas a componente que mais pesa na prestação dos contratos recentes é outra: o capital médio financiado subiu para 179.552 euros, mais 3747 euros do que no mês anterior. Ou seja, uma parte significativa do aumento da prestação não resulta de o dinheiro estar mais caro, mas de ser preciso pedir mais dinheiro para comprar a mesma casa.

Esta distinção tem consequências práticas para quem planeia. Uma subida da prestação motivada pela taxa de juro é reversível: quando o indexante desce, a prestação acompanha na revisão seguinte. Uma subida motivada pelo montante financiado é permanente, porque o capital em dívida fica fixado no momento da escritura e acompanha o contrato durante 30 anos. Adiar a compra à espera de taxas mais baixas só compensa se, entretanto, o preço do imóvel não subir mais do que o juro desce.

O contraste com o conjunto do mercado ajuda a dimensionar o esforço. A prestação média de todos os contratos de crédito à habitação em vigor no país é de 411 euros, dos quais 202 euros correspondem a juros e 209 euros a amortização de capital. Um contrato assinado agora custa, portanto, quase o dobro da média nacional, porque reflecte os preços do imóvel de hoje e não os de há 10 ou 15 anos. É esta diferença, e não a taxa de juro, que explica a distância entre a experiência de quem já tem casa e a de quem está a tentar comprar a primeira.

Continue a ler após a publicidade

Para quem está a preparar o processo, a leitura útil é que há duas variáveis sob controlo e uma que não está. A taxa depende do mercado e da negociação com o banco. O montante depende do imóvel escolhido e da entrada disponível. O prazo, que até aqui funcionava como amortecedor de última instância, passa a ter limites mais estritos com a revisão das regras que entra em vigor no início de agosto. Sobram as duas primeiras, e é nelas que a preparação faz diferença.

Os dados mensais do mercado estão disponíveis na análise de mercado de crédito habitação do ComparaJá, que acompanha também a evolução diária da EURIBOR.

Partilhar


Mais Notícias