Estudo revela: competências “valem mais” do que os diplomas para os empregadores

O mercado de trabalho global está a atravessar uma transformação estrutural, marcada por uma valorização crescente das competências em detrimento dos diplomas académicos tradicionais.

Margarida Lopes
5 de Maio 2026 | 08:40
Estudo revela: competências “valem mais” do que os diplomas para os empregadores

De acordo com o mais recente estudo da Michael Page, entre 85% e 92% dos profissionais acreditam que os empregadores atribuem hoje maior importância às competências do que às qualificações formais, independentemente do género, faixa etária, região ou nível de experiência.

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Estes dados evidenciam uma mudança profunda nos critérios de acesso às oportunidades profissionais e na própria concepção de empregabilidade. Esta nova realidade assenta numa economia orientada para as competências como principal motor da empregabilidade, embora a transição não esteja a ser vivida de forma homogénea.

O estudo indica que três em cada quatro profissionais em todo o mundo consideram que competências bem desenvolvidas podem compensar a ausência de um diploma académico. Esta percepção é particularmente prevalente entre profissionais de funções administrativas e de gestão de escritórios, enquanto em áreas como jurídica e a da saúde, as qualificações formais continuam a ser entendidas como indispensáveis.

A análise evidencia ainda uma relação direta entre o tipo de competências valorizadas e a natureza das funções exercidas. Em áreas de contacto directo com o cliente, como vendas, operações e gestão administrativa, as competências sociais, nomeadamente comunicação, trabalho em equipa e inteligência emocional, são apontadas como determinantes. Em contrapartida, em setores mais técnicos e altamente especializados, como tecnologias de informação, engenharia, finanças e construção, as competências técnicas assumem um peso decisivo.

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Apesar desta evolução, 80% dos profissionais inquiridos reconhecem que a formação académica contribuiu para o acesso a melhores oportunidades de emprego. Esta perceção é mais expressiva nos setores jurídico, de recursos humanos, financeiro e tecnológico e menos evidente em áreas como marketing, secretariado ou gestão administrativa.

Do lado dos candidatos, observa-se uma clara adaptação às novas exigências do mercado. Dois terços afirmam candidatar-se apenas quando preenchem a maioria ou a totalidade das competências solicitadas. Esta tendência é particularmente acentuada em posições de gestão e cargos seniores, onde o alinhamento com os requisitos funcionais é considerado crítico. Cerca de 40% dos candidatos valorizam mais as competências, quer técnicas, quer comportamentais, do que a experiência profissional na construção do seu currículo.

O estudo identifica ainda diferenças relevantes por perfil. Profissionais mais jovens e aqueles que exercem funções técnicas tendem a privilegiar competências técnicas, enquanto mulheres e profissionais em cargos de gestão geral ou vendas atribuem maior relevância às soft skills.

A aprendizagem contínua assume um papel central neste novo paradigma laboral. Aproximadamente 70% dos profissionais refere ter realizado pelo menos um curso nos últimos 12 meses para reforçar competências, sendo esta tendência mais acentuada entre mulheres, profissionais mais jovens e das áreas tecnológica e jurídica. Entre as principais motivações para investir em formação, destacam-se a perspectiva de promoção (59%) e a possibilidade de mudança de carreira (58%). Apenas 37% indica a manutenção do emprego actual como principal motivação.

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Entre as principais barreiras à formação, 26% dos inquiridos manifesta maior confiança na aprendizagem adquirida através da experiência profissional do que em cursos formais. Acrescem ainda a falta de tempo (24%) e o custo (16%).

Relativamente aos modelos de aprendizagem, o formato online é preferido por 64% dos profissionais, sobretudo entre mulheres dos 30 aos 49 anos. Ainda assim, 50% continua a valorizar as qualificações académicas, particularmente entre profissionais mais jovens e aqueles que atuam em áreas como engenharia, jurídica e liderança. Menos de metade (47%) participa em formações internas ou eventos do sector.

Quando questionados sobre o impacto do desenvolvimento de competências no sucesso profissional, 68% responde de forma positiva, com maior incidência entre homens dos 30 aos 49 anos e profissionais das áreas de TI e gestão. Contudo, cerca de 30% afirma não reconhecer benefícios diretos na progressão de carreira, sobretudo mulheres e profissionais mais jovens.

Em Portugal, os resultados seguem a tendência global. A maioria dos candidatos, em especial os mais jovens, acredita que o desenvolvimento de competências tem um impacto directo no sucesso profissional. Cerca de 80% defende que competências sólidas, técnicas ou comportamentais, podem substituir a necessidade de um diploma universitário. Ainda assim, 78,5% reconhece que a formação académica contribuiu para o acesso a melhores oportunidades de trabalho.

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O investimento em aprendizagem mantém-se elevado: 71% dos profissionais realizou formação nos últimos 12 meses, sendo a principal motivação apontada a mudança de carreira. Durante os processos de recrutamento, 52,3% dos candidatos destaca a experiência profissional como principal argumento de valorização, enquanto apenas 2,1% atribui maior peso às habilitações académicas.

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