De acordo com o mais recente estudo da Michael Page, entre 85% e 92% dos profissionais acreditam que os empregadores atribuem hoje maior importância às competências do que às qualificações formais, independentemente do género, faixa etária, região ou nível de experiência.
Estes dados evidenciam uma mudança profunda nos critérios de acesso às oportunidades profissionais e na própria concepção de empregabilidade. Esta nova realidade assenta numa economia orientada para as competências como principal motor da empregabilidade, embora a transição não esteja a ser vivida de forma homogénea.
O estudo indica que três em cada quatro profissionais em todo o mundo consideram que competências bem desenvolvidas podem compensar a ausência de um diploma académico. Esta percepção é particularmente prevalente entre profissionais de funções administrativas e de gestão de escritórios, enquanto em áreas como jurídica e a da saúde, as qualificações formais continuam a ser entendidas como indispensáveis.
A análise evidencia ainda uma relação direta entre o tipo de competências valorizadas e a natureza das funções exercidas. Em áreas de contacto directo com o cliente, como vendas, operações e gestão administrativa, as competências sociais, nomeadamente comunicação, trabalho em equipa e inteligência emocional, são apontadas como determinantes. Em contrapartida, em setores mais técnicos e altamente especializados, como tecnologias de informação, engenharia, finanças e construção, as competências técnicas assumem um peso decisivo.
Apesar desta evolução, 80% dos profissionais inquiridos reconhecem que a formação académica contribuiu para o acesso a melhores oportunidades de emprego. Esta perceção é mais expressiva nos setores jurídico, de recursos humanos, financeiro e tecnológico e menos evidente em áreas como marketing, secretariado ou gestão administrativa.
Do lado dos candidatos, observa-se uma clara adaptação às novas exigências do mercado. Dois terços afirmam candidatar-se apenas quando preenchem a maioria ou a totalidade das competências solicitadas. Esta tendência é particularmente acentuada em posições de gestão e cargos seniores, onde o alinhamento com os requisitos funcionais é considerado crítico. Cerca de 40% dos candidatos valorizam mais as competências, quer técnicas, quer comportamentais, do que a experiência profissional na construção do seu currículo.
O estudo identifica ainda diferenças relevantes por perfil. Profissionais mais jovens e aqueles que exercem funções técnicas tendem a privilegiar competências técnicas, enquanto mulheres e profissionais em cargos de gestão geral ou vendas atribuem maior relevância às soft skills.
A aprendizagem contínua assume um papel central neste novo paradigma laboral. Aproximadamente 70% dos profissionais refere ter realizado pelo menos um curso nos últimos 12 meses para reforçar competências, sendo esta tendência mais acentuada entre mulheres, profissionais mais jovens e das áreas tecnológica e jurídica. Entre as principais motivações para investir em formação, destacam-se a perspectiva de promoção (59%) e a possibilidade de mudança de carreira (58%). Apenas 37% indica a manutenção do emprego actual como principal motivação.
Entre as principais barreiras à formação, 26% dos inquiridos manifesta maior confiança na aprendizagem adquirida através da experiência profissional do que em cursos formais. Acrescem ainda a falta de tempo (24%) e o custo (16%).
Relativamente aos modelos de aprendizagem, o formato online é preferido por 64% dos profissionais, sobretudo entre mulheres dos 30 aos 49 anos. Ainda assim, 50% continua a valorizar as qualificações académicas, particularmente entre profissionais mais jovens e aqueles que atuam em áreas como engenharia, jurídica e liderança. Menos de metade (47%) participa em formações internas ou eventos do sector.
Quando questionados sobre o impacto do desenvolvimento de competências no sucesso profissional, 68% responde de forma positiva, com maior incidência entre homens dos 30 aos 49 anos e profissionais das áreas de TI e gestão. Contudo, cerca de 30% afirma não reconhecer benefícios diretos na progressão de carreira, sobretudo mulheres e profissionais mais jovens.
Em Portugal, os resultados seguem a tendência global. A maioria dos candidatos, em especial os mais jovens, acredita que o desenvolvimento de competências tem um impacto directo no sucesso profissional. Cerca de 80% defende que competências sólidas, técnicas ou comportamentais, podem substituir a necessidade de um diploma universitário. Ainda assim, 78,5% reconhece que a formação académica contribuiu para o acesso a melhores oportunidades de trabalho.
O investimento em aprendizagem mantém-se elevado: 71% dos profissionais realizou formação nos últimos 12 meses, sendo a principal motivação apontada a mudança de carreira. Durante os processos de recrutamento, 52,3% dos candidatos destaca a experiência profissional como principal argumento de valorização, enquanto apenas 2,1% atribui maior peso às habilitações académicas.














