Entre 2021 e 2024, os gastos com a defesa da UE passaram de 214 mil milhões de euros para cerca de 326 mil milhões – um aumento de mais de 30% -, indicam dados da Agência Europeia de Defesa, originando necessidades crescentes de mão-de-obra e um aumento das vagas de emprego desde 2022, avança a Euronews.
Segundo a plataforma global de contratação Indeed, as contratações aumentaram significativamente em todo o sector de defesa da Europa em comparação com o mercado de trabalho em geral. França, Alemanha e Reino Unido continuam a ser os principais polos de recrutamento para a área da defesa.
Após um declínio impulsionado pela pandemia em 2020, as vagas de emprego no sector da defesa e no mercado de trabalho em geral recuperaram inicialmente a um ritmo semelhante. No entanto, os caminhos divergiram acentuadamente a partir do início de 2022, por altura da invasão russa da Ucrânia, em Fevereiro.
As vagas de emprego em geral atingiram o pico em Julho de 2022, 46% acima da média de 2021, e desde então têm vindo a diminuir. Em contrapartida, as vagas relacionadas com a defesa – na sua maioria, empregadoras do sector privado – continuaram a aumentar, atingindo o dobro da média de 2021 em Novembro de 2022, quando o índice atingiu o pico de 201.
Embora as vagas no sector da defesa tenham diminuído ligeiramente desde então, permaneceram 41% acima dos níveis de 2021 em Maio de 2025. O mercado de trabalho em geral, em comparação, caiu ligeiramente abaixo do seu índice de referência de 2021, situando-se nos 99,5 pontos.
«O interesse dos candidatos a emprego no sector da defesa aumentou desde o início da guerra, particularmente na Alemanha, onde a procura disparou no início de 2022 e se manteve elevada», revelou Virginia Sondergeld, economista do Indeed Hiring Lab, à Euronews Business. «Isto ilustra como os eventos geopolíticos podem moldar a percepção pública do sector e potencialmente atrair novos talentos.»
E observou que sustentar e expandir uma força de trabalho qualificada na área da defesa exige um investimento público a longo prazo. «Se este financiamento continuar, o sector poderá experimentar um aumento estrutural da sua relevância no mercado de trabalho.»
Em Maio deste ano, França representava a maior fatia das vagas de emprego europeias de grandes empresas de defesa, com cerca de 43%. Alemanha e Reino Unido representavam m 17% das vagas cada. A participação de outros países europeus cresceu de 7% para 23% neste período. Estes dados «reflectem a diversificação geográfica do investimento e das contratações na área da defesa», de acordo com o economista Alexandre Judes e Virginia Sondergeld, do Indeed.
Judes e Sondergeld explicaram que França procura uma autonomia de largo espectro através de empresas como a Dassault, Thales e Safran. A Alemanha, sede da Rheinmetall e da Hensoldt, desempenha um papel fundamental nos futuros sistemas terrestres da NATO, e o Reino Unido tem uma forte presença nas plataformas navais e aeroespaciais através da BAE Systems. À medida que estas empresas expandem a produção e a inovação, a procura por talentos qualificados em software, engenharia e fabrico continua a crescer.
Várias grandes empresas europeias de defesa operam além-fronteiras. Empresas como a Airbus Defence and Space, a MBDA e a KNDS lideram programas europeus conjuntos em aeroespacial, sistemas de mísseis e veículos blindados.
No Reino Unido, o interesse dos candidatos a emprego na área da defesa aumentou ligeiramente após o início da guerra na Ucrânia em 2022, mas tem-se mantido praticamente estável desde então. Em contraste, o interesse cresceu em França e na Alemanha.
«No Reino Unido, o sector da defesa já era relativamente grande e as mudanças políticas foram mais incrementais, atraindo menos atenção pública e resultando provavelmente em pequenas mudanças na percepção dos candidatos a emprego», disse Virginia Sondergeld.
Em França, as pesquisas relacionadas com a defesa atingiram 0,18% em Abril de 2025, acima dos 0,08% de 2021. A Alemanha registou o aumento inicial mais acentuado. A quota das pesquisas saltou de 0,026% em Janeiro de 2022 para 0,084% em Março de 2022 e manteve-se elevada.
Apesar destas mudanças, os economistas da Indeed salientam que a defesa continua a ser um nicho de mercado. Mesmo em países com interesse crescente, as buscas relacionadas com a defesa representam ainda uma pequena parcela do total de procuras de emprego.
Funções que lideram as contratações de defesa
O desenvolvimento de software lidera no Reino Unido, representando 14,5% do total de vagas de emprego das principais empresas de defesa europeias. A sua participação é de 11,9% em França e de 10,2% na Alemanha.
Em França, a engenharia industrial ocupa o primeiro lugar, representando 19% das vagas. As funções de engenharia, fabrico e gestão são também essenciais nas empresas de defesa.
Sondergeld afirmou que as condições actuais do mercado podem favorecer os recrutadores de defesa, dado que as vagas para cargos tecnológicos tradicionais diminuíram drasticamente em toda a Europa nos últimos anos.
Calle Håkansson, investigador da Agência Sueca de Investigação de Defesa, explicou que o aumento das vagas de emprego e das contratações na área da defesa está claramente ligado ao aumento das despesas com a defesa em toda a Europa.
As empresas de defesa — desde as principais empresas contratadas às mais pequenas subcontratadas — necessitam de recrutar mais pessoal para fazer face à crescente procura, face à deterioração da situação de segurança na Europa e no mundo.
As crescentes preocupações com a segurança na Europa aumentaram também o interesse pelas carreiras no sector da defesa. «Por exemplo, na Suécia, a empresa de defesa Saab tornou-se recentemente um dos empregadores mais atractivos entre os engenheiros recém-formados», acrescentou.














