Dentro dos sectores com esta maior procura, como distribuição, retalho, saúde, transportes, apoio ao cliente ou e-commerce, os que mais evidenciam esta tendência são a indústria alimentar (mais 45%), seguindo-se a logística (com cerca de 30%), e as campanhas agrícolas, que apresentam um crescimento próximo dos 10%.
A Eurofirms confirma ainda que a indústria alimentar se destaca não só por registar o maior crescimento da procura, como também por integrar um dos sectores com maior volume de contratações durante esta época do ano. No entanto, a hotelaria continua a liderar a contratação estival, seguida do retalho, com especial relevância para o comércio alimentar. Em Portugal, o crescimento da procura revela-se particularmente expressivo nas regiões de Lisboa e Porto, sendo esta última a que apresenta o maior aumento relativo.
A contratação durante os meses de Verão para estes sectores concentra-se sobretudo em profissionais entre os 21 e os 30 anos, seguindo-se a faixa etária dos 31 aos 35 anos. Já a distribuição entre homens e mulheres mantém-se equilibrada e o talento nacional continua a representar a maioria das contratações, coexistindo com uma presença relevante de profissionais internacionais, particularmente de nacionalidade brasileira.
O crescimento do comércio electrónico, dos serviços de entrega, da mobilidade e das expectativas de resposta imediata tem vindo a alterar as necessidades de recrutamento das empresas. Para responder aos picos de procura, cresce a necessidade de profissionais para funções ligadas à logística, armazém, distribuição, produção, atendimento ao cliente e apoio às operações.
Entre as funções que mais têm ganho relevância nos últimos anos, a Eurofirms destaca os operadores logísticos, preparadores de encomendas, motoristas de distribuição, operadores de produção, técnicos de manutenção, profissionais de apoio ao cliente e perfis ligados à coordenação operacional.
Apesar da procura crescente, João Francisco, InCompany leader da Eurofirms Portugal, admite que «nem sempre é fácil encontrar os profissionais necessários». Para além da escassez de talento disponível, muitas empresas enfrentam desafios relacionados com a elevada rotatividade em algumas funções operacionais, a necessidade de assegurar substituições durante o período de férias e a retenção de profissionais qualificados, num contexto em que as expectativas dos trabalhadores continuam a evoluir.
Neste âmbito, as maiores dificuldades concentram-se nas funções operacionais que exigem trabalho por turnos, horários alargados ou disponibilidade ao fim de semana, bem como em perfis técnicos especializados nas áreas da logística, manutenção industrial e saúde.
Além das competências técnicas, as empresas valorizam cada vez mais características como flexibilidade horária, capacidade de adaptação, autonomia, rapidez de aprendizagem, sentido de responsabilidade e disponibilidade para trabalhar por turnos ou em horários diferenciados.
Para responder a este desafio, muitas organizações têm vindo a reforçar a sua proposta de valor enquanto empregadoras, apostando em benefícios complementares, maior previsibilidade dos horários, incentivos associados ao trabalho por turnos, programas de bem-estar e oportunidades de desenvolvimento profissional. Também os prémios associados à produtividade e à assiduidade têm ganho expressão como forma de atrair e reter talento.
Perante operações cada vez mais contínuas, o recrutamento deixou de responder apenas a necessidades pontuais e passou a assumir um papel estratégico na continuidade dos negócios.
«Uma quebra da capacidade operacional durante o verão pode traduzir-se em atrasos, menor qualidade do serviço, aumento da pressão sobre as equipas e perda de competitividade. Por isso, o planeamento atempado e soluções como o trabalho temporário ou o outsourcing assumem hoje um papel essencial para garantir a continuidade das operações», conclui João Francisco.














