Professores trabalham 50 horas por semana, mais 15 do que o previsto na lei

Margarida Lopes
12 de Janeiro 2024 | 08:40

Os professores trabalham em média mais de 50 horas por semana, mais 15 do que o horário legalmente definido, em tarefas como preparar aulas, apoiar alunos com dificuldades, corrigir testes mas também tarefas burocráticas.

O horário dos professores é de 35 horas semanais, mas, em média, os docentes do 2.º e 3.º ciclos assim como os do ensino secundário trabalham 50 horas e 15 minutos, segundo os dados preliminares de um inquérito realizado pela Fenprof, entre Setembro e Outubro de 2023.

Em média, estão a trabalhar mais 15 horas por semana do que está previsto na lei e, para realizar todas as tarefas, têm de roubar tempo «à sua vida pessoal», disse à Lusa Vitor Godinho, delegado sindical da Fenprof.

Em 2017, os professores trabalhavam, em média, 47 horas por semana, agora são mais três horas e meia por semana.

O inquérito revela que os professores gastam, em média, 16 horas e 35 minutos a dar aulas, e outras 18 horas para desenvolver tarefas como preparar as aulas e realizar as avaliações dos seus alunos.

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Estas duas componentes atingem praticamente a duração semanal legal do horário, que são 35 horas, mas os professores têm muitas outras tarefas, alertou o sindicalista. Há o trabalho feito nas escolas que vai desde cargos pedagógicos, a apoio a alunos, tarefas administrativas, reuniões, substituição de colegas que faltam ou coadjuvações em sala de aula.

Em média, os professores despendem 15 horas e 45 minutos na «componente não lectiva de estabelecimento», lê-se no inquérito. No caso dos docentes com cargos de direcção de turma ou com coordenação de departamento, o estudo indica que ultrapassam largamente as horas que lhes são atribuídas para esse efeito. Os directores de turma têm duas horas para desenvolver esse trabalho, mas o estudo indica que gastam, em média, quatro horas e 18 minutos.

A excessiva carga burocrática é outro dos problemas, consumindo mais de quatro horas semanais. O apoio aos alunos representa quase três horas semanais, segundo o estudo que revela uma «flagrante situação de sobretrabalho» e muitas tarefas a serem desenvolvidas em horas não registadas.

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