Programas de incentivo assumem um papel cada vez mais estratégico nas organizações. Descubra porquê (e quais os desafios)

As empresas mudaram a forma como olham para os programas de incentivo. O que durante muitos anos foi encarado sobretudo como uma recompensa para colaboradores passou a assumir um papel cada vez mais estratégico no reforço da cultura organizacional, no reconhecimento de talento, na aproximação entre equipas e na concretização de objectivos de negócio. A IN.TO by UPPartner explica.

Margarida Lopes
28 de Agosto 2026 | 16:00
Programas de incentivo assumem um papel cada vez mais estratégico nas organizações. Descubra porquê (e quais os desafios)

Na experiência acumulada no desenho de programas de incentivo para diferentes organizações, a IN.TO by UPPartner tem identificado uma mudança na forma como as empresas abordam estas iniciativas. A conversa deixou de estar centrada apenas no destino ou na experiência e passou a focar-se, cada vez mais, no impacto que estas iniciativas podem gerar na cultura organizacional, no alinhamento das equipas e na concretização de objectivos de negócio.

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Para Gonçalo Lucena, head of Incentives & MICE da IN.TO by UPPartner, o mercado do turismo corporate evoluiu significativamente nos últimos anos. O problema é que a forma como muitos destes programas continuam a ser desenhados ainda não acompanhou essa transformação. “Durante muitos anos, o sucesso de um programa de incentivo media-se pela qualidade da viagem. Hoje, isso já não chega. As empresas investem nestas experiências porque querem reforçar a cultura, reconhecer equipas, criar alinhamento ou aproximar pessoas. Se esse objetivo não estiver presente desde o primeiro momento, o destino acaba por ser apenas o cenário.”

Segundo o responsável, muitas organizações continuam a iniciar estes projetos pela escolha do destino, do hotel ou do operador, quando a primeira pergunta deveria ser outra: o que é que esta experiência deve mudar dentro da organização?

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À medida que cresce a necessidade de demonstrar o retorno de cada investimento, estas iniciativas deixam de ser avaliadas apenas pela experiência proporcionada aos participantes e passam a ser analisadas pelo impacto que conseguem gerar na cultura, no compromisso das equipas e nos objetivos da empresa.

Apesar desta evolução, o mercado continua frequentemente organizado por especialidades. Operadores turísticos, DMC, hotéis, parceiros locais, agências de comunicação, produtores de conteúdos e outros fornecedores participam em diferentes fases do projecto, mas nem sempre enquadrados por uma estratégia comum que ligue todas essas componentes ao objectivo da organização.

Para Gonçalo Lucena, este continua a ser um dos maiores desafios do sector. «Portugal tem excelentes operadores, excelentes hotéis e excelentes especialistas em cada área. O desafio nunca foi a falta de qualidade da oferta. O verdadeiro desafio está em garantir que todas essas competências trabalham para responder ao mesmo objectivo da empresa e não apenas para executar bem a sua função.»

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Esta leitura acompanha também as tendências identificadas internacionalmente. O Incentive Travel Index 2025, desenvolvido pela SITE, pela Incentive Research Foundation e pela Oxford Economics, mostra que os programas de incentivo continuam a ganhar relevância estratégica para as organizações, ao mesmo tempo que aumenta a complexidade da sua concepção e coordenação. O estudo evidencia ainda que muitas empresas continuam a ter dificuldade em integrar estas iniciativas nas suas estratégias de gestão de pessoas e em alinhar todos os intervenientes envolvidos num objectivo comum.

«Enquanto continuarmos a pensar primeiro na viagem e só depois no objectivo, estaremos sempre a desperdiçar parte do potencial que estas experiências podem ter nas pessoas e nas organizações. O verdadeiro desafio já não é organizar uma excelente viagem, é desenhar uma experiência capaz de produzir um impacto concreto para quem nela investe», afirma Gonçalo Lucena.

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