Relatório revela impacto das regras de pensões em Portugal

O grupo de trabalho para a reforma da Segurança Social, considera que a progressividade nas regras da atualização das pensões “é discutível” e defende que todas as reformas devem ser atualizadas pelo menos à taxa de inflação.

Human Resources com Lusa
24 de Agosto 2026 | 19:00
Relatório revela impacto das regras de pensões em Portugal

No relatório “Reformar as Pensões em Portugal – Por um Sistema Sustentável, Adequado e Justo – um Contrato entre Gerações”, a que a Lusa teve acesso, os peritos sublinham que a regra de actualização das pensões “é relativamente previsível”, dado que “assenta em indicadores observáveis e contém uma diferenciação explícita em favor das pensões de menor valor”, protegendo “de forma mais intensa” os pensionistas mais vulneráveis, isto é, as pensões até 2 IAS.

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Esta regra, «contribui para mitigar o risco de pobreza monetária na velhice e para preservar, pelo menos parcialmente, o poder de compra dos pensionistas mais vulneráveis», admitem, salientando que «esta dimensão é particularmente importante num contexto em que uma parte significativa das pensões contributivas tem valor reduzido e em que os apoios não contributivos desempenham uma função essencial de protecção social».

No entanto, alertam que a utilização de escalões cria “problemas de equidade horizontal”, argumentando que «duas pensões de valor muito próximo podem receber taxas de actualização diferentes se se situarem de lados opostos de um limiar».

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«Num sistema contributivo maduro, em que pequenas diferenças no valor da pensão podem reflectir diferenças reais de carreira contributiva, estas quebras de progressividade podem afectar a percepção de justiça contributiva e reduzir a transparência da relação entre contribuições e direitos», acrescentam.

Para a equipa liderada pelo economista e professor Jorge Bravo, «a introdução de progressividade nas regras de actualização das pensões é discutível à luz dos princípios da equidade intrageracional e da neutralidade atuarial, na medida em que enfraquece a relação sinalagmática direta que deve existir entre a obrigação legal de contribuir, o direito às prestações e o respetivo montante».

«Além disso, por não estar sujeita a condição de recursos, esta redistribuição implícita das pensões médias e mais elevadas para as pensões de valor mais reduzido não garante que o apoio seja efectivamente dirigido aos beneficiários em situação de maior necessidade», sustenta o relatório, indicando poder abranger pensionistas que, apesar de se encontrarem no primeiro, «dispõem de outros rendimentos ou património significativos, ou que ajustaram o seu comportamento contributivo de modo a maximizar o benefício das regras aplicáveis».

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Os peritos defendem, por isso, que, ao invés “dos actuais escalões rígidos”, a regra de atualização das pensões “deve ser comum a todos os pensionistas”, isto é, seguindo “uma fórmula uniforme”.

Durante a apresentação do relatório, na terça-feira, Jorge Bravo tinha afirmado que a regra de actualização das pensões deveria garantir a todos os pensionistas, “pelo menos, o valor da inflação”, com o intuito de preservar o poder de compra.

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A fórmula que propõe tem três componentes: inflação, crescimento real partilhável “e, eventualmente, no caso de haver desequilíbrios, um factor de ajustamento para a sustentabilidade financeira de longo prazo”, explicou.

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Por lei, a actualização das pensões, tem em conta o crescimento médio real do Produto Interno Bruto (PIB) dos últimos dois anos e a variação média dos últimos 12 meses do índice de preços no consumidor sem habitação, disponível em dezembro.

O relatório final foi entregue ao Governo em Julho e apresentado na terça-feira, sendo que entre as várias propostas sugere a reformulação da penalização por reforma antecipada, a criação de novos instrumentos de dívida pública do segmento de retalho para servir como complemento à pensão ou a adopção de planos de pensões profissionais de adesão automática, que permitem a renúncia.

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