PRR: Apoios directos às empresas vão atingir 3,4% do PIB

Human Resources com Lusa
5 de Julho 2021 | 18:30

O ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital afirmou hoje que os apoios directos ao tecido empresarial no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) vão atingir 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB).

«Do ponto de vista agregado, os apoios diretos ao tecido empresarial no PRR vão atingir cerca de 3,4% do Produto Interno Bruto. Eles correspondem a 4.900 milhões de euros que já comprometemos no âmbito do PPR, mas também mais 2.300 milhões de euros que o país sinalizou à União Europeia e que, em função da procura do setor privado por fundos, poderão ser acedidos através do mecanismo de empréstimos», afirmou Pedro Siza Vieira durante a conferência “Os novos Programas Europeus e a Transformação da Economia Portuguesa”, organizada pela CIP – Confederação Empresarial de Portugal e pela CGD.

Segundo salientou o ministro, «trata-se de Portugal sinalizar à União Europeia que o Estado português está disponível para ir buscar mais 2.300 milhões de euros em empréstimos para os transferir para o sector privado, seja com incentivos a fundo perdido ao investimento empresarial, seja para apoiar mecanismos de capitalização».

«Não se trata de pedir empréstimos para emprestar dinheiro às empresas, como faz, por exemplo, a Grécia, mas trata-se de o Estado pedir empréstimos, para os transferir para as empresas, a fundo perdido, apoiando estes movimentos de investimento em inovação», sustentou.

No total, afirmou Siza Vieira, «o PRR pode chegar a cerca de 11.000 milhões de euros de nova procura dirigida às empresas, entre os apoios diretos que se transferem e tudo aquilo que são apoios indirectos».

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No caso dos apoios directos, o ministro apontou como exemplos os apoios ao investimento e à inovação empresarial, à capitalização e financiamento às empresas e às qualificações e competências dos activos.

Referiu ainda o apoio à descarbonização da indústria, ao desenvolvimento de novos materiais à volta da bioeconomia, à eficiência energética de edifícios empresariais, à dinamização de gases renováveis e à digitalização das empresas.

Já no que se refere aos mecanismos de apoio indireto, Pedro Siza Vieira disse estarem em causa «apoios que significam a capacidade de melhor responder às solicitações das empresas», designadamente infraestruturas adequadas ao transporte de mercadorias, qualificações e competências dos recursos humanos ou uma administração pública «mais eficaz, eficiente e transparente, particularmente no que ao sistema de justiça e ambiente de negócios diz respeito».

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Neste contexto, destacou «três programas que apoiam este movimento de transformação» da economia portuguesa: as agendas mobilizadoras, o financiamento das empresas e a descarbonização.

«Nas agendas mobilizadoras, temos 930 milhões de euros – que podemos reforçar – em subvenções dirigidas ao investimento produtivo das empresas. Basicamente, trata-se de apoiar investimentos de forma colaborativa, no desenvolvimento de novos produtos dirigidos ao mercado, incorporando inovação, associando grandes e pequenas ou médias empresas, juntamente com entidades de nosso sector científico e tecnológico, para permitir orientar para os mercados externos produtos e serviços de maior valor acrescentado», referiu.

Já no que se refere ao financiamento das empresas, apontou a recente criação do Banco Português de Fomento, cujo capital vai ser reforçado para «dotar o país de uma fonte de capital para reforçar a capitalização das empresas».

Segundo adiantou, «1.300 milhões de euros estarão, desde já, disponíveis para constituir um fundo de capitalização, que será gerido pelo Banco Português de Fomento e que poderá contribuir para a resolução da subcapitalização de empresas e para suprir falhas de mercado no acesso a capital no futuro».

«O fundo vai poder coinvestir juntamente com investidores privados, vai poder investir em operadores de capital de risco que pretendam mobilizar outros recursos privados e selecionar empresas onde investir e vai poder, também, investir diretamente em empresas com maior dimensão», avançou.

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Adicionalmente, disse o ministro, o fundo de capitalização «poderá tomar firme determinadas operações em mercado de capitais para as empresas que pretendam sair ao mercado».

«Tudo isto – salientou – vai mudar significativamente, com uma escala nunca vista e inédita no conjunto de todos os países que já apresentaram os seus PRR, para permitir reforçar o capital das nossas empresas».

O terceiro programa destacado por Siza Vieira foi o de descarbonização da indústria portuguesa, designadamente da «indústria pesada» e dos «consumidores eletrointensivos», que «vão ter que fazer grandes esforços de investimento à volta da descarbonização de processos e da eficiência energética» de forma a cumprirem o objectivo de redução de emissões em 55% em 2030.

Salientando estarem em causa «incentivos a fundo perdido», Siza Vieira precisou que, dependendo dos casos, os apoios podem variar entre os 25% e os 70% do investimento a realizar, pelo que têm de ser «acompanhados por um esforço muito grande de investimento do sector privado».

«E – frisou – quanto mais disponibilidade do sector privado tiver na realização destes investimentos mais apoios será possível mobilizar».

 

 

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