PRR: Nos próximos meses serão transferidos 300 milhões de euros para as empresas

Human Resources com Lusa
24 de Julho 2022 | 17:00
PRR: Nos próximos meses serão transferidos 300 milhões de euros para as empresas

O ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva, disse que «nos próximos meses» serão transferidos para as empresas 300 milhões de euros ao abrigo das Agendas Mobilizadoras do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Escolha a Human Resources como fonte preferida no Google Escolher ›

 

«Quando nós assinamos as Agendas, as empresas vão ter imediatamente uma transferência de 13% do dinheiro à cabeça e portanto calculo que, nos próximos meses, cerca de 300 milhões de euros cheguem imediatamente às empresas para dinamizarem toda a sua acção, para porem os consórcios no terreno e para começarem a fazer a transformação», afirmou o ministro.

Continue a ler após a publicidade

Costa Silva falava durante a CNN Portugal Summit, promovida hoje no Porto pela CNN Portugal para debater os fundos europeus e as oportunidades e desafios que decorrem da aplicação do PRR.

Segundo salientou, o objectivo é mudar o perfil da economia portuguesa, que «é muito pouco diversificada»: «Tem sectores de alta inovação tecnológica, mas a grande questão é que a inovação que nós estamos a produzir, o conhecimento, não está a ser extensivamente incorporado nos processos produtivos e ainda não está reflectido em áreas que são absolutamente cruciais, de desenvolvimento tecnológico e de produção e criação de produtos e serviços de alto valor acrescentado», explicou.

O ministro da Economia apontou como «outro elemento absolutamente vital» o «conteúdo importado» das exportações portuguesas, que diz ser «dos mais elevados da União Europeia»: «Isso tem que mudar, temos que incorporar mais produto nacional, mais conhecimento, mais inovação, porque isso será transformador», defendeu.

Continue a ler após a publicidade

De acordo com Costa Silva, embora seja «absolutamente claro que as empresas que foram apoiadas pelos fundos europeus aumentaram a sua produtividade e a sua capacitação», o facto é que Portugal «ainda não conseguiu criar, apesar de todo este ciclo, um sector de alta tecnologia que seja altamente exportador».

«Penso que estas Agendas podem fazê-lo», sustentou.

Continue a ler após a publicidade

Enfatizando que «as verbas do PRR e do PT2030 que vão para as empresas são 90% mais relativamente ao PT2020», o governante realçou que «nunca existiu um investimento desta ordem para as empresas» e alertou para a importância de uma boa capacidade de execução.

Continue a ler após a publicidade

«Nas minhas contas são entre 11.000 e 12.000 milhões de euros e, nesta altura, estou mais preocupado com a capacidade de o país executar, quer as empresas, quer a administração pública», admitiu.

Segundo referiu, «o máximo dos máximos» que o país alguma vez executou de fundos estruturais «foi 2.500 a 3.000 milhões por ano, no melhor dos anos», e agora será «mais do dobro», o que exigirá, também «uma administração pública muito mais eficaz e muito mais ágil».

Embora acredite que se está perante «uma nova era monetária, de inflação mais elevada», o ministro considera que «o BCE [Banco Central Europeu] está a actuar bem», subindo as taxas de juro, e vê «alguns sinais importantes que podem permitir um reequilíbrio».

Continue a ler após a publicidade

«Depois deste aumento extraordinário dos preços dos metais e das matérias-primas, nas últimas semanas o índice da Bloomberg dos metais mostra uma queda do preço de cerca de 40%, o que é um indicador que me parece muito claro», precisou.

A este, diz, somam-se outros «indicadores muito claros, como o do custo dos transportes marítimos, que subiram de uma forma exponencial, mas que mostram o transporte entre a China e os EUA já a cair cerca de 40%, também, nas últimas semanas», assim como dos inventários de várias indústrias, cujos stocks acumulados «já estão a acontecer em alguns sectores».

«Isto significa que não podemos ser catastrofistas, não podemos ser deterministas, temos que considerar que a economia portuguesa é resiliente», sustentou. «Muitas vezes subestimamos a dinâmica endógena que está subjacente à economia portuguesa», acrescentou.

Comparando a actual situação com a crise vivida em 2011, o Ministro da Economia salientou tratar-se de um cenário «diferente»: «Em 2011 tínhamos a nossa economia a colapsar, a retrair-se, e tínhamos o endividamento a subir e a disparar. É por isso que a questão da consolidação orçamental é absolutamente fulcral: Porque, muitas vezes, os investidores são atraídos não tanto pelo nível ou pela magnitude da própria dívida, mas por como é que a dívida se está a comportar», afirmou.

Continue a ler após a publicidade
Partilhar


Mais Notícias