Quase 70% dos líderes empresariais veem a Gestão de Pessoas como motor estratégico

Margarida Lopes
18 de Março 2026 | 10:40
De acordo com o inquérito global Creating People Advantage 2026: Four Power Moves for the CHRO, desenvolvido pela Boston Consulting Group (BCG) em parceria com a World Federation of People Management Associations (WFPMA), 65% dos líderes seniores consideram hoje os Recursos Humanos (RH) um impulsionador directo de transformação e criação de valor.
O estudo, que recolheu mais de 7000 respostas em 115 mercados e 25 sectores de actividade, revela ainda que as organizações com maiores capacidades na função de RH registam menor rotatividade e conseguem preencher funções críticas, em média, entre 17 e 18 dias mais rapidamente do que os seus pares.
O inquérito revela que os CHROs estão cada vez mais a trabalhar em estreita colaboração com os CEOs e equipas de liderança para alinhar a estratégia de pessoas com as prioridades de negócio e apoiar a execução das transformações organizacionais. As organizações com maiores capacidades na função de RH conseguem não só atrair e reter talento de forma mais eficaz, como também responder mais rapidamente às necessidades críticas de competências e liderança.
A Inteligência Artificial está a ganhar espaço nas organizações, mas o seu impacto estratégico permanece desigual. Cerca de 70% das empresas inquiridas afirmam já utilizar tecnologias de Inteligência Artificial generativa, sobretudo em áreas como reporting, formação ou recrutamento.
Ainda assim, apenas 38% consideram que esta tecnologia tem actualmente elevada relevância estratégica para as suas organizações. Entre os principais obstáculos à sua adoção destacam-se preocupações relacionadas com privacidade e conformidade de dados, identificadas por 51% dos líderes.
A gestão de talento baseada em competências está a ganhar importância nas organizações, mas a sua implementação continua desigual. Muitas empresas continuam numa fase inicial de integração desta abordagem nos seus sistemas de gestão de pessoas e desenvolvimento de talento.
O estudo mostra que nos últimos anos, muitas organizações têm procurado reformular a gestão de talento com base em competências, em vez de funções. No entanto, o progresso permanece desigual e muitas empresas enfrentam ainda um défice de execução. Apenas cerca de metade das organizações (54%) utiliza sistemas de correspondência entre competências e funções, que permitem alinhar os perfis de competências dos colaboradores com as exigências de novas posições, e apenas 48% têm programas estruturados de requalificação. No total, apenas 11% das empresas inquiridas afirmam ter uma arquitetura de competências plenamente integrada em toda a organização.
Neste contexto, Eduardo Bicacro, Managing director & partner da BCG em Lisboa, sublinha que «os dados mostram que, em Portugal, as organizações continuam a dar prioridade ao reforço da estrutura e eficiência operacional da função de RH, um passo importante para consolidar bases. No entanto, num contexto de aceleração tecnológica e transformação profunda das competências exigidas, o verdadeiro diferencial competitivo estará na capacidade de desenvolver competências críticas e de gerir desempenho de forma consistente».
Em Portugal, o estudo recolheu 85 respostas de profissionais de diferentes sectores e níveis de responsabilidade, contribuindo para a análise das prioridades das organizações nacionais na gestão de talento e na transformação empresarial.
Os primeiros resultados indicam que, face ao panorama global, as organizações nacionais continuam a dar maior prioridade a temas relacionados com a organização e estrutura da função de RH. Em contrapartida, áreas como gestão de desempenho e desenvolvimento de competências surgem com menor destaque relativo.
No seu conjunto, os resultados do estudo evidenciam o papel cada vez mais central dos Recursos Humanos na transformação das organizações e reforçam a importância de alinhar a estratégia de pessoas com as prioridades de negócio num contexto de mudança acelerada.
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