Quais os desafios dos conselhos de administração?

Leonor Martins
30 de Novembro 2018 | 09:00

O relatório Executive Monitor, divulgado pela Boyden Global Executive Search, revela que as pressões a que os conselhos de administração estão expostos nos dias de hoje constituem um problema para o sucesso das organizações.

 

Existe um consenso alargado de que um conselho de administração forte é essencial para o desempenho e o sucesso a longo prazo de uma empresa: contribui para responder a questões de definição de estratégia, supervisão de desempenho, conformidade legal e padrões éticos, permitindo às empresas um desempenho financeiro mais sólido, maior facilidade na atracção e retenção de talento e, potencialmente, de uma estratégia mais segura para alcançar a liderança no seu sector. A constatação surge no relatório da Boyden, que no entanto alerta que, «entre crises e escândalos de elevado perfil mediático, imposições regulatórias, exigências de investidores e activistas e o constante escrutínio da comunicação social, o objectivo de montar uma direcção forte talvez nunca tenha sido mais elusivo. O Board enfrenta pressões elevadas, complicando o seu papel e dificultando o caminho a empreender.»

O relatório destaca ainda as principais preocupações dos conselhos de administração na sua relação com o CEO, a sua procura de autonomia, as consequências de um relacionamento negativo, situações de sobrecarga de gestão e falta de supervisão e a tentativa de enquadrar diversas perspetivas para a criação de soluções inovadoras.

Fernando Neves de Almeida, managing partner da Boyden Global Executive Search Portugal, sublinha que, «à medida que os membros do conselho de administração ficam mais expostos ao escrutínio, o desafio de ocupar esta tipologia de cargos aumenta. As pessoas podem sentir-se relutantes ​​com o nível de responsabilidade exigido e mostrar-se cada vez mais indecisas em aceitar este tipo de papel.» Por outro lado, continua, «tendências de globalização e digitalização estão a transformar radicalmente a forma como os boards contribuem para as suas organizações e a sua relação com o contexto exterior à mesma, uma vez que implicam uma verdadeira supervisão por parte das direções».

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O relatório explora também o relacionamento entre CEO e a direcção, a regulamentação, a digitalização e os desafios que as organizações enfrentam para atrair talento executivo.

O relacionamento entre o board e o CEO é considerado determinante em contexto corporativo. «Em larga medida, o Conselho é responsável por determinar a visão estratégica e o CEO é encarregado de executar essa visão, numa actuação de carácter complementar.Uma divisão clara de responsabilidades só será bem-sucedida se CEO e conselho de administração tiverem objectivos compartilhados», faz-se notar.

Embora exista pouco consenso sobre o nível apropriado de regulamentação corporativa e as implicações para os conselhos de administração, há um amplo consenso de que os responsáveis neste cargo devem ter uma gama de competências, experiência e ideias que estimulem a discussão, diversidade de opiniões e oposição. «Ao expressarem essas opiniões e potenciarem o diálogo, torna-se mais fácil examinar desafios e ideias. Ao funcionar como um órgão de direcção dinâmico e activo, os boards acabarão por chegar a soluções mais promissoras, inovadoras e compatíveis com a realidade da sua organização», defende-se

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