Quando fingir trabalhar (usando a IA) se torna prática comum. E até há um nome para esta nova tendência

Trabalhadores da Amazon estão alegadamente a “maximizar” o uso de IA para atender às expectativas internas.

Human Resources
14 de Maio 2026 | 10:10

À medida que as empresas pressionam cada vez mais os colaboradores para integrar a inteligência artificial no seu fluxo de trabalho diário, surgem preocupações sobre a forma como estas expectativas podem estar a influenciar o comportamento no local de trabalho.

Um novo relatório sugere que alguns colaboradores da Amazon estariam a utilizar as ferramentas internas de IA da empresa para tarefas que não exigem efectivamente automação, simplesmente para parecerem mais envolvidos com a estratégia da empresa de priorizar a IA, noticia o Yahoo Finance.

De acordo com o relatório, a Amazon expandiu significativamente a utilização de uma plataforma interna de IA chamada “MeshClaw” em diversas equipas. A ferramenta permite, alegadamente, que os colaboradores criem agentes com IA capazes de interagir com aplicações de trabalho e automatizar tarefas em nome dos utilizadores.

No entanto, o relatório afirma que alguns colaboradores acreditam que os colegas estão a gerar deliberadamente actividades desnecessárias de IA para aumentar o seu “consumo de tokens” — uma métrica que reflecte a quantidade de dados que os sistemas de IA processam. A prática, informalmente chamada de “tokenmaxxing”, estaria a ser utilizada por alguns colaboradores para sinalizar uma forte adopção da IA ​​para gestores e lideranças.

Esta tendência cresce nas grandes empresas tecnológicas, onde a utilização da IA ​​está a tornar-se mais visível e, em alguns casos, culturalmente importante, no desempenho dos colaboradores.

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O relatório refere que a Amazon quer que mais de 80% dos programadores utilizem activamente a IA todas as semanas. Para incentivar a adopção, a empresa terá introduzido rankings internos que acompanham o uso de IA entre equipas.

A Amazon informou oficialmente os trabalhadores que as métricas de utilização de IA, incluindo as “estatísticas de tokens”, não terão impacto directo nas avaliações de desempenho. Apesar destas garantias, alguns colaboradores acreditam que os gestores ainda monitorizam estes números informalmente e podem associar uma maior utilização a uma maior produtividade ou adaptabilidade.

A situação reflecte um desafio mais amplo enfrentado pelas empresas que investem fortemente em inteligência artificial: quando as métricas de utilização se tornam ligadas às expectativas do ambiente de trabalho, os colaboradores podem sentir-se pressionados a maximizar a actividade, independentemente do valor prático.

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O relatório também destaca que a Amazon deverá gastar quase 200 mil milhões de dólares este ano, com grande parte do investimento a ser alocado à infra-estrutura de IA e aos centros de dados.

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