Quase 25% das empresas portuguesas antecipam quebras de facturação este ano. Portugal é o país europeu com a perspectiva de crescimento mais negativa

Portugal destaca-se como o país europeu com a perspectiva de crescimento mais negativa, com 23% das empresas a antecipar quebras de facturação este ano. A conclusão é do Barómetro europeu da ERA Group.

Margarida Lopes
7 de Abril 2026 | 11:50
Em termos gerais, Portugal apresenta um perfil mais cauteloso face a outros mercados europeus, como Espanha, Suécia e Reino Unido, evidenciando uma maior contenção nas expectativas de crescimento e rentabilidade, segundo o mais recente barómetro europeu da ERA Group, consultora especializada em optimização de custos e processos.
Este cenário é acentuado por um enquadramento económico particularmente exigente, marcado por prejuízos estimados na ordem dos dois mil milhões de euros associados às depressões meteorológicas no início do ano, bem como pelos efeitos persistentes da inflação tarifária e pela escalada do conflito no Médio Oriente.
De acordo com o estudo, que teve como base um inquérito a mais de 1000 líderes e decisores empresariais, a percentagem de empresas em Portugal que antecipa crescimento de receitas caiu significativamente face ao ano anterior (63%), fixando-se agora nos 39%. Ainda assim, mais de metade das organizações (57%) espera um aumento do EBITDA, embora este valor permaneça abaixo da média europeia (62%). Os setores do retalho e distribuição (63%), da indústria (63%) e da saúde (58%) destacam-se como os mais otimistas quanto à evolução dos seus negócios.
Em vez de uma expansão generalizada, os executivos estão a privilegiar uma abordagem estruturada e selectiva, com foco na agilidade operacional, inovação e eficiência. O estudo indica ainda que a optimização de custos (41,5%), o investimento em novas tecnologias, como a Inteligência Artificial (39%) e a integração de práticas mais sustentáveis (39%) são as principais prioridades para a aplicação de recursos e transformação interna.
Não obstante, o tecido empresarial português evidencia ainda um desafio: para 40% dos decisores, o aumento dos custos tecnológicos foi o principal obstáculo à obtenção de melhores resultados no último ano, um valor significativamente acima da média europeia (29%). A escassez de mão-de-obra qualificada surge igualmente como uma preocupação relevante, apontada por 37% dos inquiridos.
A incerteza geopolítica reflete-se também na percepção sobre o comércio internacional. Portugal surge como o país mais cético face às tarifas impostas pelos Estados Unidos da América, com 34% dos líderes a antecipar um impacto líquido negativo nos seus negócios. Para muitas organizações, sobretudo de menor dimensão e com cadeias logísticas mais locais, estas alterações têm levado à adopção de estratégias mais conservadoras, sendo a sustentabilidade (21,5%) e rentabilidade (21,5%), em paralelo, as principais preocupações imediatas das empresas.
Para enfrentar estes desafios, as empresas estão a direccionar os seus investimentos para áreas com impacto direto na competitividade. A sustentabilidade operacional (39%) e as áreas de Vendas e Marketing (36%) lideram as intenções de investimento para 2026, reflectindo um esforço claro de adaptação ao novo contexto económico. A par destas prioridades, destacam-se ainda a diversificação de produtos e o reforço da autonomia na gestão da cadeia de fornecimento, bem como a revisão do portefólio e o reforço da experiência do cliente, que têm assumido, cada vez mais, pilares centrais para garantir resiliência e crescimento num ambiente incerto e volátil.
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