Apesar da actividade de recrutamento ter praticamente estagnado na maioria das empresas, quase metade dos colaboradores ainda afirma estar a procurar activamente uma mudança de emprego. Mas as baixas probabilidades de contratação fazem com que alguns tentem melhorar as suas hipóteses “embelezando” a sua experiência profissional ou competências nos currículos.
O tema não é novidade, mas o número de pessoas que recorrem à mentira para atingir esse objectivo é. Mais de 21% dos 600 colaboradores a tempo inteiro nos EUA inquiridos pela plataforma resume.io admitiram ter exagerado ou inventado experiência profissional nos seus currículos. Este número subiu para quase 40% entre as pessoas que procuravam activamente emprego no último ano e que distorceram a verdade sobre o seu historial profissional neste processo.
Embora a maioria tenha afirmado ser honesta no CV enviado aos recrutadores, a minoria considerável que considerou que o actual mercado de trabalho justifica mentir ainda é preocupante. Outro factor que contribui para estas mentiras é a crescente utilização de ferramentas de inteligência artificial (IA) na análise de currículos, o que faz com que muitos candidatos se sintam em clara desvantagem.
Dados recentes da Gallup revelaram que 41% dos colaboradores procuram novos empregos, apesar de 54% reconhecerem que é improvável conseguir uma posição que corresponda às suas competências e expectativas salariais. Outras pesquisas estimam que este grupo represente quase 50% da força de trabalho total, aumentando ainda mais a pressão sobre os candidatos para melhorarem os seus currículos — mesmo que isso implique mentir.
Qualquer aumento das hipóteses de contratação obtidopor esse método costuma ser de curto prazo e acaba muitas vezes por prejudicar os candidatos. «O problema é que mesmo pequenos exageros podem ser rapidamente desmascarados durante uma entrevista ou depois de já estar a trabalhar, e os danos na reputação podem durar muito mais do que qualquer vantagem a curto prazo», alerta Amanda Augustine, especialista em carreiras da resume.io. «Uma abordagem melhor é fortalecer as suas qualificações e apresentar a sua experiência estrategicamente.»
Os homens foram os que mais admitiram “aldrabar” nos CV, com 28% do total de inquiridos, contra 16,1% das mulheres. A idade é outro factor, sendo os candidatos mais jovens mais inclinados a mentir do que os mais velhos. A Resume.io descobriu que 38% dos inquiridos da Geração Z afirmaram ter mentido nos seus currículos apenas no último ano — dez vezes mais do que os 3,7% dos Baby Boomers que relataram o mesmo. Os Millennials foram o segundo maior grupo a inflacionar os currículos, com 29,3%, seguidos pela Geração X, com 14,3%.
A idade é um factor relevante porque a automatização da IA nos locais de trabalho, combinada com o mercado de trabalho nacional geralmente mais restrito, colocou os jovens em ainda maior desvantagem na procura de emprego em comparação com os colaboradores mais velhos.
As baixas taxas de contratação, a crescente concorrência pelas vagas disponíveis e a utilização de IA para automatizar as fases iniciais do processo de recrutamento aumentaram a pressão sobre os candidatos ao ponto de muitos estarem dispostos a mentir nos currículos para melhorar as suas hipóteses.
«Não é surpreendente que tantos candidatos a emprego se sintam pressionados a embelezar os seus currículos num mercado tão competitivo, mas os dados deixam claro que esta pressão não afecta todos da mesma forma», afirma Augustine. «Os trabalhadores mais jovens, em particular, estão a entrar num mercado de trabalho onde a concorrência é feroz, as oportunidades para os principiantes são limitadas e os empregadores dependem cada vez mais de sistemas de triagem por IA e de rastreio de candidatos para reduzir o número de candidatos. É compreensível que alguns candidatos sintam que precisam de melhorar a sua experiência apenas para serem notados.»














