Quase 40% dos trabalhadores portugueses ponderam abandonar a empresa nos próximos 12 meses, revela estudo. É o valor mais alto a nível mundial

Margarida Lopes
17 de Outubro 2023 | 08:40

O Relatório Kelly Global Re:work 2023 concluiu que a 34% dos trabalhadores portugueses ponderam abandonar a sua empresa nos próximos 12 meses, em comparação com 28% a nível mundial.

Como principais razões, apontam a falta de oportunidade de progressão na carreira e de desenvolvimento das suas competências e, ainda, a falta de ferramentas e de tecnologias.

A escassez de talento tem sido um tema pulsante no mundo dos Recursos Humanos, especialmente em Portugal. Este estudo vem confirmar que o cenário de falta de recursos tem um impacto não só nos colaboradores, como também no negócio.

Nestes parâmetros, Portugal regista valores ligeiramente superiores a outros países europeus, com 26% dos portugueses inquiridos a afirmar que, nos últimos 12 meses, foram perdidas oportunidades de negócio devido à falta de pessoas, assim como 21% diz que isto fez com que a qualidade do trabalho diminuísse.

Na perspectiva dos executivos de empresas portuguesas, a contratação temporária parece ser uma das soluções com maior destaque entre os vários países (51% da amostra global), mas, em Portugal, é o reforço das estratégias de formação e de desenvolvimento dos colaboradores que requer um maior investimento para contribuir para a resiliência das equipas (60% dos portugueses).

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No que toca a reforçar a aquisição de talento, Portugal regista níveis consideravelmente mais baixos de investimento em aumentos salariais e em benefícios do que os restantes países. O mesmo acontece com a transparência salarial. Aquilo que é mais oferecido pelas organizações nacionais é a possibilidade de progredir dentro da empresa, registando neste aspecto valores acima de todos os outros.

A Alemanha e Portugal são os dois países com valores mais baixos (36%), face a todos os restantes e à média global (41%), no que toca ao facto de os empregadores respeitarem o work-life balance.

Além disto, em Portugal, apenas 37% dos inquiridos considera que existe uma comunicação eficaz com os colaboradores e apenas 39% afirma que a empresa tem o cuidado de criar um ambiente de segurança psicológica. Este dado ganha maior importância considerando que apenas 3% dos portugueses se sentem confortáveis em falar sobre os desafios que enfrentam na sua saúde mental como justificação de uma pausa no trabalho.

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No que a Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) diz respeito, os inquiridos portugueses consideram que ainda existe um gap entre o que é prometido e o que é efectivamente feito – Portugal é o país que menos considera que a entidade empregadora cumpre este tipo de compromissos, registando valores de resposta muito inferiores a todos os outros e abaixo da média global.

Apesar de muitos trabalhadores se sentirem insatisfeitos a nível europeu, não deixa de existir um pequeno grupo de pessoas, a que se dá o nome de “Performers Dedicados”, que está a contrariar esta tendência.

Ao analisar as reacções destes trabalhadores mais motivados, pessoas que provavelmente permanecerão nas suas funções durante os próximos 12 meses, os líderes europeus podem compreender melhor como motivar os restantes.

O estudo foi realizado com uma amostra de 4200 profissionais e 1500 líderes em 11 países diferentes, entre eles Portugal.

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