Quase 60% dos profissionais sentem-se desligados das suas funções e lideranças desde o início do ano passado

Margarida Lopes
19 de Agosto 2021 | 11:00
Quase 60% dos profissionais sentem-se desligados das suas funções e lideranças desde o início do ano passado

As expectativas dos profissionais estão a mudar e os empregadores têm que manter o foco no que importa mais para a retenção de talento nas empresas. A conclusão é da Peakon, plataforma de engagement de colaboradores, com a qual o Grupo Adecco colabora para transformar as suas conclusões em acções práticas de envolvimento com os seus colaboradores e recomendações aos seus clientes, ajustadas às suas expectativas.

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As conclusões do último ‘Heartbeat’ da Peakon sobre as expectativas e bem-estar dos colaboradores foram apurados de 90 milhões de respostas a inquéritos a colaboradores de empresas em todo o mundo. O objectivo é ajudar as empresas a compreender as preocupações sobre as expectativas dos colaboradores, em constante mudança.

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Com base na base de dados da Peakon, a empresa descobriu que 59% dos milhões de inquiridos foram desligados dos seus empregos no início de 2020. No entanto, menos compreendida é a questão de saber porquê?

Carla Rebelo, CEO da Adecco Portugal, defende «tradicionalmente, pensava-se que o baixo engagement dos funcionários era um subproduto de uma liderança fraca ou tóxica, de uma falta de transparência ou responsabilidade a nível organizacional, e de uma elevada rotatividade de colaboradores. Embora todos estes fatores sejam válidos, os empregadores precisam de aprofundar melhor as relações com os profissionais que contratam para compreender o que está na base deste baixo envolvimento dos colaboradores com as suas organizações».

Face ao actual contexto, a Peakon traça orientações que emergem dos resultados do questionário no sentido de atenuar o fosso entre as expectativas dos colaboradores e os seus empregadores:

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Expectativas emergentes
De acordo com o relatório ‘Employee Expectations’, os profissionais esperam que os seus empregadores ajudem a responder às preocupações ambientais, forçando as empresas a fazer mudanças na forma como operam.

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As expectativas relacionadas com a sustentabilidade ambiental aumentaram 128% para os empregados do Geração Z (nascidos 1995-2015). Millennials (nascidos 1981-1994), Geração X (nascidos. 1965-1980) e Baby Boomers (nascidos 1945-1964) registaram aumentos de de expetativas de 62%, 56% e 59%, respectivamente. O relatório revela que os colaboradores esperam que os seus empregadores não só partilhem os seus valores, mas também demonstrem vontade de agir sobre eles.

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Todas as gerações mostram uma preocupação crescente com a diversidade e a inclusão no local de trabalho, com a Silent Generation (nascicos 1928-1945) a registar o maior aumento (+31%), mais do dobro do aumento verificado na Geração Z (+15%), Geração X (+14%) ou Baby Boomers (+13%) e um aumento maior do que o registado nos Millennials (+22%). Daqui resulta que os colaboradores esperam que os seus empregadores façam esforços tangíveis para construir culturas diversas e inclusivas que venham de um lugar de honestidade.

As preocupações dos trabalhadores com o trabalho flexível e remoto aumentaram 18% globalmente. Um inquérito recente do LinkedIn a 1590 profissionais empresariais confirma que a grande maioria quer flexibilidade. Quando solicitados a optar por regressar ao escritório a tempo inteiro, continuar em trabalho remoto ou trabalhar com um modelo flexível e misto, apenas 5% dos inquiridos querem regressar ao escritório a tempo inteiro. Uma impressionante percentagem de 73% quer uma abordagem flexível e mista. Assim, as empresas terão de conhecer as ferramentas de que necessitam para ajudar cada colaborador a florescer, equilibrando ao mesmo tempo as exigências do seu papel e das suas vidas e dar-lhes autonomia para o fazer.

 

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O bem-estar é uma prioridade máxima 
As expectativas dos colaboradores são mais agudas em torno da questão do bem-estar. A preocupação global dos profissionais com a questão do bem-estar aumentou 17% em todos os dados demográficos; entre os inquiridos da Gen Z, o aumento foi de 28%.

Desta forma, a marca do empregador pode ser determinada em grande parte pela forma como se preocupam genuinamente com a saúde mental e física dos seus empregados. Estimando-se que o fenómeno crescente do burnout, agudizado em ambiente de pandemia, tem custos económicos globais superiores a 320 mil milhões de dólares por ano, esta postura das organizações é particularmente importante numa altura em que existem perigos muito claros e presentes que têm o potencial de reduzir o bem-estar global.

 

Os líderes estão a evoluir
Em algumas organizações, será um desafio para os líderes construir uma consciência em torno do bem-estar mental e físico. Muitos dos líderes actuais estão focados nos aspetos técnicos e funcionais do seu desempenho, ou apenas preocupados em garantir que os projectos são feitos a tempo e dentro do budget, independentemente do custo que implica para as pessoas que estão a liderar.

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O ‘Heartbeat’ conclui que é fundamental que as organizações olhem profundamente para as lideranças, para que as pessoas compreendam a importância de apoiar o bem-estar dos colaboradores. Para aqueles que não o considerem uma prioridade, poderá ser necessário acções de coaching para cultivar competências que apoiem o bem-estar dos colaboradores de forma contínua.

As conclusões do relatório revelam também a necessidade de os líderes serem pacientes com os seus colaboradores que estão a trabalhar a partir de casa, a importância de formar líderes em competências transversais como empatia, compaixão e clareza em torno das expectativas de trabalho. Os líderes devem certificar-se de que todos o espectro de bem-estar e fatores externos que podem ter impacto nas pessoas e contribuir para o stress são considerados nesta avaliação.

 

Redefinir o que significa produtividade 
Num relatório diferenciado que descreve como os colaboradores e as organizações estão a responder à COVID-19, a Peakon analisou como o bem-estar tem um enorme impacto noutras áreas, incluindo no stresse que é criado pelo trabalho fora do ambiente normal de escritório.

Os profissionais estão preocupados com a forma como os empregadores veem a sua produtividade quando trabalham a partir de casa: sentem receio de serem considerados pouco produtivos se, por exemplo, não conseguirem dar resposta imediata a uma solicitação por email. É mais um factor gerador de stress. A Peakon recomenda ser essencial a definição de novas métricas para avaliar o ritmo de trabalho e produtividade em ambiente remoto.

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