As expectativas dos profissionais estão a mudar e os empregadores têm que manter o foco no que importa mais para a retenção de talento nas empresas. A conclusão é da Peakon, plataforma de engagement de colaboradores, com a qual o Grupo Adecco colabora para transformar as suas conclusões em acções práticas de envolvimento com os seus colaboradores e recomendações aos seus clientes, ajustadas às suas expectativas.
As conclusões do último ‘Heartbeat’ da Peakon sobre as expectativas e bem-estar dos colaboradores foram apurados de 90 milhões de respostas a inquéritos a colaboradores de empresas em todo o mundo. O objectivo é ajudar as empresas a compreender as preocupações sobre as expectativas dos colaboradores, em constante mudança.
Com base na base de dados da Peakon, a empresa descobriu que 59% dos milhões de inquiridos foram desligados dos seus empregos no início de 2020. No entanto, menos compreendida é a questão de saber porquê?
Carla Rebelo, CEO da Adecco Portugal, defende «tradicionalmente, pensava-se que o baixo engagement dos funcionários era um subproduto de uma liderança fraca ou tóxica, de uma falta de transparência ou responsabilidade a nível organizacional, e de uma elevada rotatividade de colaboradores. Embora todos estes fatores sejam válidos, os empregadores precisam de aprofundar melhor as relações com os profissionais que contratam para compreender o que está na base deste baixo envolvimento dos colaboradores com as suas organizações».
Face ao actual contexto, a Peakon traça orientações que emergem dos resultados do questionário no sentido de atenuar o fosso entre as expectativas dos colaboradores e os seus empregadores:
Expectativas emergentes
De acordo com o relatório ‘Employee Expectations’, os profissionais esperam que os seus empregadores ajudem a responder às preocupações ambientais, forçando as empresas a fazer mudanças na forma como operam.
As expectativas relacionadas com a sustentabilidade ambiental aumentaram 128% para os empregados do Geração Z (nascidos 1995-2015). Millennials (nascidos 1981-1994), Geração X (nascidos. 1965-1980) e Baby Boomers (nascidos 1945-1964) registaram aumentos de de expetativas de 62%, 56% e 59%, respectivamente. O relatório revela que os colaboradores esperam que os seus empregadores não só partilhem os seus valores, mas também demonstrem vontade de agir sobre eles.
Todas as gerações mostram uma preocupação crescente com a diversidade e a inclusão no local de trabalho, com a Silent Generation (nascicos 1928-1945) a registar o maior aumento (+31%), mais do dobro do aumento verificado na Geração Z (+15%), Geração X (+14%) ou Baby Boomers (+13%) e um aumento maior do que o registado nos Millennials (+22%). Daqui resulta que os colaboradores esperam que os seus empregadores façam esforços tangíveis para construir culturas diversas e inclusivas que venham de um lugar de honestidade.
As preocupações dos trabalhadores com o trabalho flexível e remoto aumentaram 18% globalmente. Um inquérito recente do LinkedIn a 1590 profissionais empresariais confirma que a grande maioria quer flexibilidade. Quando solicitados a optar por regressar ao escritório a tempo inteiro, continuar em trabalho remoto ou trabalhar com um modelo flexível e misto, apenas 5% dos inquiridos querem regressar ao escritório a tempo inteiro. Uma impressionante percentagem de 73% quer uma abordagem flexível e mista. Assim, as empresas terão de conhecer as ferramentas de que necessitam para ajudar cada colaborador a florescer, equilibrando ao mesmo tempo as exigências do seu papel e das suas vidas e dar-lhes autonomia para o fazer.
O bem-estar é uma prioridade máxima
As expectativas dos colaboradores são mais agudas em torno da questão do bem-estar. A preocupação global dos profissionais com a questão do bem-estar aumentou 17% em todos os dados demográficos; entre os inquiridos da Gen Z, o aumento foi de 28%.
Desta forma, a marca do empregador pode ser determinada em grande parte pela forma como se preocupam genuinamente com a saúde mental e física dos seus empregados. Estimando-se que o fenómeno crescente do burnout, agudizado em ambiente de pandemia, tem custos económicos globais superiores a 320 mil milhões de dólares por ano, esta postura das organizações é particularmente importante numa altura em que existem perigos muito claros e presentes que têm o potencial de reduzir o bem-estar global.
Os líderes estão a evoluir
Em algumas organizações, será um desafio para os líderes construir uma consciência em torno do bem-estar mental e físico. Muitos dos líderes actuais estão focados nos aspetos técnicos e funcionais do seu desempenho, ou apenas preocupados em garantir que os projectos são feitos a tempo e dentro do budget, independentemente do custo que implica para as pessoas que estão a liderar.
O ‘Heartbeat’ conclui que é fundamental que as organizações olhem profundamente para as lideranças, para que as pessoas compreendam a importância de apoiar o bem-estar dos colaboradores. Para aqueles que não o considerem uma prioridade, poderá ser necessário acções de coaching para cultivar competências que apoiem o bem-estar dos colaboradores de forma contínua.
As conclusões do relatório revelam também a necessidade de os líderes serem pacientes com os seus colaboradores que estão a trabalhar a partir de casa, a importância de formar líderes em competências transversais como empatia, compaixão e clareza em torno das expectativas de trabalho. Os líderes devem certificar-se de que todos o espectro de bem-estar e fatores externos que podem ter impacto nas pessoas e contribuir para o stress são considerados nesta avaliação.
Redefinir o que significa produtividade
Num relatório diferenciado que descreve como os colaboradores e as organizações estão a responder à COVID-19, a Peakon analisou como o bem-estar tem um enorme impacto noutras áreas, incluindo no stresse que é criado pelo trabalho fora do ambiente normal de escritório.
Os profissionais estão preocupados com a forma como os empregadores veem a sua produtividade quando trabalham a partir de casa: sentem receio de serem considerados pouco produtivos se, por exemplo, não conseguirem dar resposta imediata a uma solicitação por email. É mais um factor gerador de stress. A Peakon recomenda ser essencial a definição de novas métricas para avaliar o ritmo de trabalho e produtividade em ambiente remoto.














