Cerca de 56% das empresas reconhecem que a Comunicação Interna teve uma grande importância durante a pandemia e 68% afirmam ter mudado a forma como comunicam com os seus colaboradores. Esta percentagem revela-se superior nas empresas com mais de 150 colaboradores, sendo que 72% afirmam ter alterado, pelo menos parcialmente, a sua Comunicação Interna. A conclusão é do mais recente estudo da Mercer Portugal – “Communicate to Thrive” –, o primeiro estudo sobre Comunicação Interna aplicado à realidade nacional.
As principais mudanças verificam-se no modelo de trabalho implementado, com 75% das empresas a afirmarem ter adoptado o modelo híbrido. Ao nível da comunicação, as principais mudanças apontadas são uma maior consciencialização para temas como o trabalho híbrido, a literacia digital, o bem-estar, entre outros (68%), um aumento de canais de comunicação (58%), um aumento da comunicação inter e intra-equipas (46%) e uma maior frequência na comunicação da direcção com todos os colaboradores (40%).
Em linha com estes dados, o estudo revela uma crescente digitalização da Comunicação Interna. O e-mail é o canal de comunicação a que as empresas mais recorrem, sendo a rapidez e facto de ser utilizado por todos os colaboradores os principais motivos que justificam esta preferência. A intranet é mencionada em segundo lugar, tendo a segurança enquanto factor predominante. Seguem-se as plataformas digitais, as quais têm um destaque particular nas empresas com menos de 1000 colaboradores, sobretudo devido à sua eficácia. Seguem-se a newsletter e os manuais de acolhimento.
Os dados revelam que as empresas em Portugal têm ainda um longo caminho a percorrer, sendo que em 54% das empresas a Comunicação Interna é uma responsabilidade dividida entre as equipas de Comunicação, Marketing e Pessoas. Exigindo uma coordenação permanente entre estas equipas, esta divisão poderá representar alguns desafios de ownership e accountability.
Quando questionadas acerca dos objectivos que pretendem alcançar ao apostar na Comunicação Interna, as empresas destacam o aumento do sentimento de pertença e do trabalho com propósito e engagement, bem como a melhoria da experiência do colaborador. Neste sentido, o estudo destaca enquanto principal desafio da Comunicação Interna o estabelecimento de um vínculo emocional com os colaboradores e a sua mobilização para a acção.
Perante os resultados, o estudo apresenta algumas recomendações. Primeiramente, as empresas devem integrar a Comunicação Interna na sua estratégia de comunicação global. É importante compreender que a Comunicação Interna não é apenas um assunto de quem o trabalha, mas sim um tema que impacta os diferentes stakeholders de uma empresa, daí a importância de ser trabalhado de uma forma integrada.
Por sua vez, é essencial apostar numa comunicação mais humana e à imagem dos diferentes grupos de colaboradores. Uma estratégia de comunicação mais humana e centrada nas pessoas ajuda as empresas a construírem relações mais fortes. Para isso, é essencial targetizar a comunicação aos diversos públicos-alvo e capacitar as lideranças, que assumem um papel central no envolvimento dos colaboradores.
A Comunicação Interna actua enquanto enabler da estratégia da empresa, nomeadamente em processos de mudança. Quando os colaboradores compreendem o que é esperado de si e o porquê da mudança que se pretende implementar, verifica-se um maior compromisso.
Este estudo mostra que somente uma em cada dez empresas multinacionais disponibilizam formações de comunicação de carácter obrigatório para as suas lideranças. Sendo que, em Portugal, 44% das empresas não disponibilizam qualquer formação em comunicação aos seus colaboradores, o que poderá representar um obstáculo à eficácia da Comunicação Interna. Torna-se, assim, crucial formar e disponibilizar recursos para que os colaboradores desenvolvam competências como a escuta activa, empatia e comunicação com impacto, de forma a envolver, motivar e alinhar as equipas.
O estudo inquiriu mais de 70 organizações presentes em Portugal, de sectores distintos, como indústria, saúde, serviços, retalho, turismo, energia ou tecnologia, na sua maioria com até 5000 colaboradores, 55% das quais multinacionais. Nota para o facto de, no período pós-pandemia, nenhuma das organizações inquiridas ter adoptado uma política 100% remota e 28% ainda têm uma política presencial obrigatória.














