Quase 80% dos profissionais quer um ‘terceiro espaço’ para trabalhar. E está disposto a pagar do seu bolso para isso

Margarida Lopes
30 de Junho 2021 | 11:41

A pandemia COVID-19 mudou a forma como as pessoas vivem, trabalham e socializam, acelerando a procura por inovação, indica um estudo global da Accenture. O estudo, com mais de 9.650 inquiridos, de 19 países, confirma os dados anteriores da Accenture, no sentido em que muitas mudanças no comportamento, provavelmente, se manterão a longo prazo.

 

A COVID-19 forçou uma transformação sob pressão, com as empresas a renovarem-se em várias frentes simultaneamente, e a requalificarem colaboradores no que antes seriam programas passo a passo de longo prazo. Muitas empresas que trabalham nas indústrias de consumo reorganizaram os seus negócios na cloud, lidaram com as pressões dos custo e continuaram a construir resiliência e segurança, e ajustaram a infraestrutura para permitir inovação e um posicionamento de sucesso para o futuro.

O estudo mostra que a pandemia forçou uma mudança rápida junto dos colaboradores que agora trabalham em casa, com muitos a expressarem que, no futuro, desejam flexibilidade na forma e no local de trabalho. Mais de três quartos (79%) dos entrevistados disseram que gostariam de trabalhar ocasionalmente num ‘terceiro espaço’ – um local diferente da sua casa e do seu local de trabalho – e mais de metade disse que estaria disposto a pagar até cerca de 80 euros por mês, do seu próprio bolso, para trabalhar num café, bar, hotel ou retalhista com um espaço próprio para o efeito. Este facto destaca uma potencial oportunidade de aumentar a receita dos sectores do turismo e retalho.

O desejo de trabalhar a partir de um ‘terceiro espaço’ é acompanhado por uma mudança de atitude em relação às viagens de negócios. Metade (46%) dos entrevistados afirma não ter planos de viagens de negócios após a pandemia ou pretender cortar a anterior frequência de viagens de negócios para metade.

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Ainda não se sabe durante quanto tempo esta visão se manterá, mas as perspetivas atuais indicam que o regresso às viagens será retomado, principalmente, no mercado de lazer, fazendo com que o setor se adapte e se torne ainda mais eficiente para compensar os lucros perdidos.

Além da mudança permanente de alguns dos seus hábitos de trabalho e planos de viagens, as pessoas afirmam igualmente que os seus hábitos de compras se transformaram a longo prazo.

O estudo indica que as descobertas divulgadas anteriormente pela Accenture, de que o aumento significativo no e-commerce, provavelmente, se manterá ou acelerará ainda mais. Por exemplo, a proporção de compras online de produtos como comida, decoração, moda e artigos de luxo, feitas por pessoas que antes eram utilizadores pouco frequentes de e-commerce – que se definem como aqueles que, antes da pandemia, usavam o online para menos de 25% das suas compras – aumentou 343% desde o início da mesma.

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