Quase metade das empresas neste país tem um “colaborador sénior que não faz nada” (mas recebe salário)

Human Resources
11 de Setembro 2025 | 10:10

Se entrar num grande escritório no Japão é provável que repare num homem sentado perto da janela, a beber chá ou a mexer no telemóvel. Por vezes olha para fora em silêncio, outras vezes conversa com os colegas de trabalho. É colaborador e está na empresa há décadas, informa o Trending America.

O termo “madogiwa-zoku”, que significa literalmente “tribo da janela”, refere-se aos trabalhadores mais velhos que estão empregados mas sem qualquer responsabilidade real. Em vez de os aposentar precocemente, as empresas costumam mantê-los na folha de pagamentos como um gesto de respeito e lealdade pelos seus anos de serviço.

E, de acordo com um inquérito recente, quase metade das grandes empresas japonesas tem um destes “sénior que não fazem nada”.

Um inquérito realizado pela consultora Shikigaku entrevistou 300 colaboradores com idades entre os 20 e os 39 anos, todos a trabalhar em empresas com mais de 300 colaboradores. À pergunta “Existe algum idoso na empresa que não trabalhe?”, 49,2% respondeu que sim.

O que fazem o dia todo? Quase 50% dos inquiridos disseram que aqueles trabalhadores idosos costumam fazer pausas para fumar ou petiscar. Outros 47,7% responderam que os vê a olhar para o vazio, enquanto 47,3% repararam neles a falar com os colegas. Um grupo mais pequeno, cerca de 35,3%, referiu que eles passavam algum tempo a navegar na internet.

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A consultora quis saber ainda porque é que as pessoas achavam que estes trabalhadores da “tribo da janela” tinham acabado assim. 45% acreditava que eles simplesmente já não tinham vontade de trabalhar. Outros 41% culpou o sistema tradicional japonês, onde os salários aumentam com a antiguidade, e não com o desempenho, o que torna possível manter-se na empresa ao fim de anos.

Enquanto isso, 26,3% suspeita que estes homens simplesmente não eram fiáveis ​​o suficiente para receber responsabilidades reais. Outras respostas apontaram para uma gestão fraca, regras pouco claras sobre o despedimento e falta de incentivos fortes para os manter motivados.

O efeito no local de trabalho foi outra parte importante do estudo. Mais de 90% dos colaboradores afirmaram que estes trabalhadores mais velhos tiveram um impacto negativo. Cerca de 59,7% relataram menor moral entre os colaboradores, 49% disseram que isso obrigava outros a assumir trabalho extra e 35,3% achavam que mantê-los era um fardo financeiro directo para a empresa. Muitos colaboradores sentiam-se frustrados, encurralados entre demonstrar respeito pelos mais velhos e carregar o peso das tarefas extra.

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Por detrás de todos estes números, há um dilema cultural. No Japão, o emprego vitalício e a antiguidade fazem parte do contrato social há muito tempo. As empresas mantêm frequentemente os trabalhadores mais velhos na folha de pagamento não porque ainda sejam necessários, mas porque despedi-los seria visto como desonroso ou desrespeitoso após anos de serviço. A prática preserva a dignidade, mas também levanta grandes questões sobre a justiça, a eficiência e o futuro do trabalho.

A história do “madogiwa-zoku” não se resume à preguiça. Trata-se da tradição em conflito com as pressões empresariais modernas. Os colaboradores mais jovens vêem cargas de trabalho crescentes e disparidades salariais injustas, enquanto os colaboradores mais velhos podem sentir-se marginalizados, mas seguros. Uns defendem avaliações de desempenho mais rigorosas e regras mais claras. Outros sugerem a criação de novas funções onde os colaboradores mais experientes possam transmitir experiências como mentores, em vez de ficarem parados.

Por enquanto, a “tribo da janela” continua a ser um símbolo de lealdade e uma fonte de frustração. Reflecte o respeito do Japão pela idade e pelo serviço prestado, mas também os desafios de adaptar os locais de trabalho para equilibrar a dignidade e a produtividade num mundo em rápida transformação.

Entretanto, uma outra pesquisa recente realizada pela Tokyo Shoko Research junto de mais de 5.000 empresas confirma estes dados, ao concluir que 64% da força de trabalho tem 45 anos ou mais. Entre estas, 22% afirmaram que estes trabalhadores mais velhos representavam pelo menos 80% do seu pessoal.

Os cinco principais sectores onde pelo menos metade dos colaboradores tem 45 anos ou mais são:

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  • Transportes (82%)
  • Financeiro ou Seguros (75%)
  • Imobiliário (71%)
  • Construção (70%)
  • Agricultura/Silvicultura/Pesca/Mineração (70%)

Kosuke Honma, responsável pelo estudo, diz que a tendência de envelhecimento é “notável”, especialmente entre as pequenas e médias empresas, onde 65% afirma que pelo menos metade dos seus colaboradores têm 45 anos ou mais.

A dependência da força de trabalho mais velha no Japão surge num cenário que estima que a escassez de mão-de-obra no país possa atingir os 3,84 milhões de trabalhadores até 2035.

A Persol Research and Consulting Co. e a Universidade Chuo revelaram que 59% das empresas japonesas estão a prolongar a idade da reforma e a recontratar colaboradores reformados para mitigar a escassez de mão-de-obra.

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