Mais do que uma preocupação associada ao momento da avaliação, os dados revelam que a incerteza em torno dos exames pode ter impacto nas decisões relativas ao percurso académico dos alunos. Entre os encarregados de educação com educandos no ensino secundário, 48% indicam que os seus educandos ponderaram alterar os planos de acesso ao ensino superior. Entre as opções consideradas, 18% ponderaram uma opção de ensino superior menos ambicionada ou mais segura, 17% consideraram alterar a instituição de ensino e 17% a escolha de curso.
No arranque de mais um ano lectivo, os exames nacionais surgem com níveis de preocupação próximos de outros temas tradicionalmente relevantes para os encarregados de educação. Entre as famílias com alunos no secundário, a preocupação com os exames nacionais situa-se em 53%, próxima da preocupação com o bullying, referida por 55%, e da potencial violência nas escolas, apontada por 50%. O tema surge ainda acima dos gastos com material escolar, indicados por 37%.
Estes resultados mostram que, para muitas famílias, os exames nacionais são hoje percepcionados não apenas como uma etapa escolar, mas como um momento com potencial impacto nas decisões futuras dos alunos, especialmente quando está em causa o acesso ao ensino superior.
Entre os encarregados de educação que afirmam ter sido impactados pelas dificuldades verificadas nos exames nacionais, o aumento da ansiedade ou do stress é o efeito mais referido, apontado por 36%. Seguem-se a incerteza sobre a necessidade de fazer exames na segunda fase, mencionada por 30%, a incerteza relativa à candidatura ao ensino superior, referida por 22%, e a preocupação de estudar para a eventualidade de repetir um exame, apontada por 21%.
Foram realizadas 1300 entrevistas de autopreenchimento online, representativas da população (com quotas de sexo, idade e região de acordo com os dados do INE). Nesta amostra da população encontraram-se 650 Encarregados de Educação que responderam ao estudo. Erro máximo de +3.8 para um intervalo de confiança de 95%. As entrevistas foram conduzidas por intermédio de questionário estruturado de perguntas fechadas e semi-fechadas, com a duração máxima de 12 minutos.
O trabalho de Campo decorreu de 27 de Julho a 6 de Agosto.















