Quase metade dos casos de ghosting acontece antes do primeiro dia de trabalho. A chave está no preboarding?

O fenómeno do ghosting continua a desafiar os profissionais de recrutamento, mas novos dados sugerem que muitas desistências poderiam ser evitadas com uma estratégia mais eficaz de preboarding.

Human Resources
21 de Agosto 2026 | 10:10
Quase metade dos casos de ghosting acontece antes do primeiro dia de trabalho. A chave está no preboarding?

Segundo um estudo recente da Click Boarding, 45% dos candidatos que desaparecem após aceitar uma oferta de emprego fazem-no antes do primeiro dia de trabalho, precisamente durante o período que medeia a assinatura da proposta e a entrada efectiva na organização, reporta a HRD.

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A conclusão está a levar especialistas a defender uma maior aposta no preboarding, uma fase frequentemente negligenciada pelas empresas, mas que pode ser determinante para manter o compromisso dos novos talentos.

O silêncio pode custar uma contratação

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O estudo revela que 61% dos novos trabalhadores aguardam entre duas e três semanas para iniciar funções, enquanto 29% esperam mais de um mês. Durante esse período, muitos candidatos reportam ausência de contactos relevantes por parte da entidade empregadora.

Segundo os especialistas da Click Boarding, quando a comunicação é escassa, os candidatos começam a questionar se a empresa está realmente preparada para os receber ou se valorizou efectivamente a sua contratação. Como consequência, tornam-se mais receptivos a novas abordagens por parte de concorrentes e recrutadores.

O impacto pode ser significativo. De acordo com a investigação, quando um candidato desaparece nesta fase, as organizações já terão investido entre 75% e 90% do custo total de contratação, incluindo horas das equipas internas, custos administrativos e eventuais honorários de recrutamento externo.

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O que é, afinal, o preboarding?

Embora muitas empresas concentrem esforços no onboarding, especialistas alertam que a experiência do colaborador começa muito antes.

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O preboarding corresponde ao período entre a aceitação da oferta e o primeiro dia de trabalho. É nesta janela temporal que podem ser tratados aspectos administrativos, esclarecidas dúvidas, apresentadas expectativas e iniciada a integração cultural do futuro colaborador.

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Segundo a Articulate, esta fase funciona como uma ponte entre a decisão de aceitar a proposta e o início da experiência profissional. Quando bem estruturada, ajuda a reduzir a ansiedade associada à mudança, reforça a confiança na organização e aumenta o sentimento de pertença ainda antes da entrada formal.

Porque é que os candidatos desaparecem?

A falta de comunicação não é o único factor. Dados citados pela Articulate indicam que muitos profissionais desistem porque concluem que a função ou a empresa não correspondem às suas expectativas. Problemas na comunicação com recrutadores também surgem entre as causas mais referidas.

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Para os especialistas, esta realidade demonstra que os candidatos continuam a avaliar a empresa mesmo depois de aceitarem a oferta. O compromisso ainda não está totalmente consolidado e pode ser abalado por experiências negativas ou pela ausência de contacto.

Três fases para um preboarding eficaz

A Click Boarding recomenda que as organizações encarem o preboarding como um processo estruturado em várias etapas.

  1. Reforçar a decisão do candidato

Logo após a aceitação da oferta, o foco deve estar em gerar entusiasmo, tranquilizar o novo colaborador e clarificar os próximos passos.

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  1. Preparar a entrada

A segunda fase deve ajudar o profissional a concluir tarefas administrativas, compreender expectativas e sentir-se preparado para o início das funções.

  1. Criar ligação humana

A última etapa deve aproximar o colaborador da equipa, dos gestores e da cultura organizacional, reduzindo a sensação de desconhecimento associada à mudança.

Boas práticas que podem fazer a diferença

Além da componente estratégica, a Articulate identifica várias iniciativas concretas capazes de aumentar o envolvimento dos novos colaboradores durante o período de preboarding.

Entre elas destacam-se:

  • Mensagens de boas-vindas enviadas pelo gestor ou pela equipa.
  • Apresentação antecipada da cultura, missão e valores da organização.
  • Guias ou manuais interactivos para novos colaboradores.
  • Visitas virtuais aos escritórios ou instalações.
  • Apresentação dos futuros colegas de equipa.
  • Disponibilização antecipada de plataformas, acessos e documentação administrativa.
  • Pequenos gestos de acolhimento, como kits de boas-vindas ou merchandising corporativo.

Uma questão de employer branding

Para os especialistas, o preboarding não deve ser encarado apenas como uma etapa operacional, mas como uma extensão da marca empregadora. A forma como uma organização comunica e acolhe um colaborador antes do primeiro dia influencia a sua percepção da cultura interna e da experiência futura.

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