Segundo um estudo recente da Click Boarding, 45% dos candidatos que desaparecem após aceitar uma oferta de emprego fazem-no antes do primeiro dia de trabalho, precisamente durante o período que medeia a assinatura da proposta e a entrada efectiva na organização, reporta a HRD.
A conclusão está a levar especialistas a defender uma maior aposta no preboarding, uma fase frequentemente negligenciada pelas empresas, mas que pode ser determinante para manter o compromisso dos novos talentos.
O silêncio pode custar uma contratação
O estudo revela que 61% dos novos trabalhadores aguardam entre duas e três semanas para iniciar funções, enquanto 29% esperam mais de um mês. Durante esse período, muitos candidatos reportam ausência de contactos relevantes por parte da entidade empregadora.
Segundo os especialistas da Click Boarding, quando a comunicação é escassa, os candidatos começam a questionar se a empresa está realmente preparada para os receber ou se valorizou efectivamente a sua contratação. Como consequência, tornam-se mais receptivos a novas abordagens por parte de concorrentes e recrutadores.
O impacto pode ser significativo. De acordo com a investigação, quando um candidato desaparece nesta fase, as organizações já terão investido entre 75% e 90% do custo total de contratação, incluindo horas das equipas internas, custos administrativos e eventuais honorários de recrutamento externo.
O que é, afinal, o preboarding?
Embora muitas empresas concentrem esforços no onboarding, especialistas alertam que a experiência do colaborador começa muito antes.
O preboarding corresponde ao período entre a aceitação da oferta e o primeiro dia de trabalho. É nesta janela temporal que podem ser tratados aspectos administrativos, esclarecidas dúvidas, apresentadas expectativas e iniciada a integração cultural do futuro colaborador.
Segundo a Articulate, esta fase funciona como uma ponte entre a decisão de aceitar a proposta e o início da experiência profissional. Quando bem estruturada, ajuda a reduzir a ansiedade associada à mudança, reforça a confiança na organização e aumenta o sentimento de pertença ainda antes da entrada formal.
Porque é que os candidatos desaparecem?
A falta de comunicação não é o único factor. Dados citados pela Articulate indicam que muitos profissionais desistem porque concluem que a função ou a empresa não correspondem às suas expectativas. Problemas na comunicação com recrutadores também surgem entre as causas mais referidas.
Para os especialistas, esta realidade demonstra que os candidatos continuam a avaliar a empresa mesmo depois de aceitarem a oferta. O compromisso ainda não está totalmente consolidado e pode ser abalado por experiências negativas ou pela ausência de contacto.
Três fases para um preboarding eficaz
A Click Boarding recomenda que as organizações encarem o preboarding como um processo estruturado em várias etapas.
- Reforçar a decisão do candidato
Logo após a aceitação da oferta, o foco deve estar em gerar entusiasmo, tranquilizar o novo colaborador e clarificar os próximos passos.
- Preparar a entrada
A segunda fase deve ajudar o profissional a concluir tarefas administrativas, compreender expectativas e sentir-se preparado para o início das funções.
- Criar ligação humana
A última etapa deve aproximar o colaborador da equipa, dos gestores e da cultura organizacional, reduzindo a sensação de desconhecimento associada à mudança.
Boas práticas que podem fazer a diferença
Além da componente estratégica, a Articulate identifica várias iniciativas concretas capazes de aumentar o envolvimento dos novos colaboradores durante o período de preboarding.
Entre elas destacam-se:
- Mensagens de boas-vindas enviadas pelo gestor ou pela equipa.
- Apresentação antecipada da cultura, missão e valores da organização.
- Guias ou manuais interactivos para novos colaboradores.
- Visitas virtuais aos escritórios ou instalações.
- Apresentação dos futuros colegas de equipa.
- Disponibilização antecipada de plataformas, acessos e documentação administrativa.
- Pequenos gestos de acolhimento, como kits de boas-vindas ou merchandising corporativo.
Uma questão de employer branding
Para os especialistas, o preboarding não deve ser encarado apenas como uma etapa operacional, mas como uma extensão da marca empregadora. A forma como uma organização comunica e acolhe um colaborador antes do primeiro dia influencia a sua percepção da cultura interna e da experiência futura.

















