Quase metade dos desempregados em Portugal tem escolaridade abaixo do ensino secundário

Margarida Lopes
8 de Janeiro 2026 | 08:40

A Randstad Portugal divulgou a sua análise mensal ao mercado de trabalho, alertando para um desafio estrutural que persiste no mercado de trabalho. Segundo a análise da Randstad Research, baseada em dados de Novembro de 2025, quase metade dos desempregados registados (49,8%) possui uma escolaridade abaixo do ensino secundário.

Este grupo, que totaliza 148.994 pessoas, inclui desde indivíduos sem qualquer nível de instrução até aqueles que concluíram apenas o terceiro ciclo do ensino básico. Esta elevada concentração de candidatos com baixas qualificações académicas cria uma barreira num mercado de trabalho que exige cada vez mais competências técnicas, limitando estes profissionais a funções de menor valor acrescentado e maior precariedade.

A análise revela uma clivagem clara: enquanto o número de licenciados desempregados caiu 4,2% face ao mês anterior, o número de inscritos em todos os escalões de ensino básico aumentou. Esta realidade pode contribuir para a persistência do desemprego de longa duração, que afecta 113.535 pessoas (37,9% do total de inscritos), uma vez que a capacidade de reconversão profissional destes perfis é mais lenta.

«Novembro confirma a resiliência do mercado de trabalho com um recorde histórico no emprego. Contudo, os dados revelam uma preocupação central: metade dos nossos desempregados não concluiu o ensino secundário», sublinha Isabel Roseiro, directora de Marketing da Randstad Portugal. «Este desajuste de competências trava a capacidade de reconversão e a resposta à escassez de talento, tornando urgente o foco em políticas de qualificação que permitam a estes profissionais aceder a postos de trabalho mais estáveis.»

O mercado de trabalho português alcançou um novo marco histórico em Novembro, com a população empregada a superar, pela primeira vez, a barreira dos 5,3 milhões de pessoas. Com um total de 5.306.100 profissionais, registou-se um crescimento de 21.500 pessoas face a Outubro (+0,4%) e um aumento expressivo de 195.800 pessoas (+3,8%) em comparação com Novembro de 2024.

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A taxa de desemprego fixou-se em 5,7%, uma descida de 0,1 pontos percentuais face a outubro e de 0,9 p.p. em relação ao ano anterior. A população activa acompanhou este dinamismo, superando os 5,6 milhões de pessoas, impulsionada pelo facto de a criação de emprego superar a queda do número de desempregados.

A redução mensal do desemprego foi transversal à maioria dos grupos, com especial incidência nos adultos (25-74 anos), onde se registou menos 10.400 pessoas desempregadas (-4%). Em sentido contrário, o desemprego jovem (16-24 anos) aumentou 2% face a Outubro, somando mais 1400 pessoas nesta condição. Numa análise homóloga, contudo, a descida é geral, destacando-se a redução de 19,2% no desemprego masculino e de 11,7% entre os jovens.

Analisando os dados divulgados pelos Centros de Emprego Nacionais (IEFP), o desemprego registado aumentou 0,6% mensalmente para 299.452 pessoas. Esta evolução foi fortemente influenciada pelo Algarve, que registou um aumento mensal de 58,8% no desemprego (+7.150 pessoas), reflectindo o fim da época turística. Em contraste, o Norte e o Centro registaram quedas de 3,8% e 2,3%, respectivamente. O Norte continua a concentrar o maior volume de desempregados (114.926), seguido de Lisboa (96.603).

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Em Outubro (dados mais recentes da Segurança Social), a remuneração média mensal declarada foi de 1.503,72€, um aumento de 4,5% face ao mesmo mês de 2024. Lisboa mantém os salários mais elevados (1.732,97€), enquanto Beja regista o valor mais baixo (1.254,35€).

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