As tempestades do início do ano renovaram preocupações sobre o Seguro Multirriscos Habitação. O tema levou a Mudey, criadora do primeiro mediador de seguros 100% digital em Portugal, a lançar um inquérito online com dois principais objectivos: avaliar o nível de conhecimento sobre o seguro da casa e recolher percepções sobre satisfação com a contratação e utilização.
Entre os inquiridos com Seguro Multirriscos Habitação contratado, o nível médio de satisfação ficou pelos 6,9 (escala de 0 a 10), com 40% a mostrarem-se insatisfeitos (níveis de 0 a 6).
O estudo conclui que a satisfação com o produto está fortemente ligada à perceção de preço, ao canal de contratação e ao motivo pelo qual o consumidor tem o seguro. Os níveis de satisfação são superiores entre consumidores que contrataram o seguro com o objectivo de proteger a habitação, quando comparados com aqueles que o fizeram sobretudo por imposição associada ao crédito habitação ou por obrigação legal.
O estudo da Mudey pediu directamente aos inquiridos para avaliarem o valor que pagam pelo seu seguro da casa. Apesar de 54% considerarem o valor justo, 26% acham-no caro. Já 20% admitiram desconhecer quanto pagam.
Os dados mostraram que, entre os inquiridos, 21% não sabiam se tinham contratada cobertura de fenómenos sísmicos. Outros 25% desconheciam se tinham cobertura contra tempestades e fenómenos da natureza.
O canal bancário é um importante ponto de entrada para o Seguro Multirriscos Habitação, introduzindo novos clientes ao produto no momento da celebração do crédito habitação. Entre os proprietários com crédito ativo, 60% contrataram o seguro por exigência do banco. Mas à medida que o crédito é liquidado, o motivo transforma-se: 80% dos que não têm crédito mantém o seguro para proteger a habitação e o seu património.
Esta migração reflecte-se na satisfação: quem contratou para proteger a habitação apresenta uma satisfação média de 7,2/10. Quem o fez por exigência bancária fica nos 6,6/10. Já quem o contratou por obrigação legal regista a satisfação mais baixa: 6,2/10.
O estudo revela também que 38% avaliaram os seus conhecimentos como altos ou muito altos (4 e 5, numa escala de 1 a 5), enquanto 43% atribuíram-lhes um nível médio (3). O nível de conhecimentos é percepcionado de forma diferente, de acordo com o género: 47% dos homens indicam um nível de conhecimentos alto ou muito alto; algo que só 26% das mulheres fazem.
Porém, o inquérito identificou uma diferença entre o conhecimento percepcionado e o real. Em média, os inquiridos acertaram apenas 1,8 em quatro perguntas sobre o funcionamento e obrigatoriedade legal de algumas das coberturas do Seguro Multirriscos Habitação.
Quem afirmou ter conhecimentos bons ou muito bons sobre este seguro acertou, em média, 2,6 perguntas; enquanto quem avaliou os seus conhecimentos como médios não foi além de 1,7 perguntas respondidas acertadamente.
O desconhecimento revelou-se particularmente evidente ao nível das coberturas efectivamente incluídas nas apólices contratadas. Muitos consumidores demonstraram não saber se estavam protegidos contra riscos específicos, como fenómenos sísmicos, tempestades ou incêndio, evidenciando uma relação distante com o próprio seguro.
Os dados sugerem que, em muitos casos, os portugueses contratam o Seguro Multirriscos Habitação sem compreender plenamente quais os riscos que estão abrangidos pela sua protecção, reforçando a diferença entre o conhecimento percecionado e o conhecimento real sobre este produto.













