Quase metade (47%) dos profissionais consideram que os seus planos de carreira foram afectados pela pandemia, sendo este um impacto negativo para 32% e positivo para 15%. Os dados são de um estudo da consultora Robert Walters, que destaca as expectativas para o mercado de trabalho em 2021 de empresas e profissionais.
Já 42% dos profissionais não tinham certezas relativamente ao impacto da pandemia e 11% referem que esta não teve qualquer consequência nos seus planos de carreira.
Para se adaptar ou superar este impacto, 40% dos profissionais consideram melhorar as suas qualificações e competências na sua área actual através de formações ou cursos académicos, 35% consideram aprender novas habilidades, 27% estão abertos a entrar num novo setor que complemente as suas habilidades transferíveis e 13% consideram abrir o seu próprio negócio. Finalmente, 11% dos profissionais inquiridos estão a pensar mudar de cidade ou mesmo de país.
Muito embora 45% dos profissionais inquiridos tenham referido que a COVID-19 não lhes proporcionou nenhum tipo de oportunidade ou benefício profissional, 24% consideram que melhoraram a sua comunicação corporativa (apresentações, chamadas, videoconferências), 17% realizaram formações em novas áreas, 15% encontraram projetos mais desafiantes, 9% conseguiram trabalho num setor equivalente ao seu, 5% tiveram uma nova oportunidade num setor diferente e 4% melhoraram as suas habilidades comerciais.
Mudanças de emprego
De acordo com o estudo da Robert Walters, 67% dos profissionais em Portugal estão confiantes relativamente a oportunidades de emprego no seu sector. 35% dos profissionais a trabalhar actualmente já se encontram em busca de uma nova oportunidade de trabalho. Por outro lado, 17% irão começar a procurar uma nova oportunidade nos próximos meses, e apenas 20% dos profissionais inquiridos não desejam realizar uma mudança de emprego. Destes últimos, 47% estão felizes no seu posto actual e 53% entraram na actual empresa recentemente.
Expectativas salariais: Três em cada 10 profissionais esperam aumento salarial em 2021
O estudo da Robert Walters indica que 33% dos profissionais em Portugal pensam que poderão receber um aumento salarial este ano. Por outro lado, 43% consideram pouco provável terem algum incremento salarial em 2021 uma vez que a sua empresa realizou despedimentos (33%) ou porque a pandemia teve um forte impacto no negócio (26%).
Soft skills mais procuradas pelas empresas em 2021: Trabalho em equipa e resolução de problemas
O mesmo estudo mostra que 69% dos responsáveis de selecção estão preocupados com faltas de habilidades no seu sector, sendo esta escassez de talento especialmente aguda para profissionais mais sénior ou managers (69% e 21%, respectivamente). As soft skills mais procuradas pelas empresas para 2021 são:
- Trabalho em equipa – 59%
- Resolução de problemas – 52%
- Resiliência – 51%
- Pensamento crítico – 41%
- Habilidades de comunicação – 38%
Principais desafios à contratação: profissionais com expectativas salariais e de benefícios demasiado elevadas
O estudo da Robert Walters revela também que 62% dos responsáveis de selecção inquiridos referem que a principal dificuldade quando procuram novos profissionais para a sua empresa é o facto de os candidatos terem expectativas salariais e de benefícios demasiado elevadas, seguido de falta de experiência no setor (52%) e falta de soft skills essenciais (51%). Por outro lado, a falta de qualificações técnicas (28%) e uma elevada competição por candidatos (24%) são também factores de dificuldade.
42% dos profissionais desempregados actualmente referem que o seu despedimento se deveu a efeitos da COVID-19
Dos profissionais inquiridos, 70% conta com um contrato sem termo, 10% têm contratos a termo e 6% trabalham como freelancers. 14% dos inquiridos encontravam-se desempregados no momento do inquérito. Quando questionados sobre a causa do seu desemprego, 42% responderam que o seu despedimento se deveu à pandemia (reestruturações, fecho ou interrupção de negócio da empresa), 32% afirmam que o seu contrato foi terminado por motivos anteriores ou não relacionados com a Covid-19 (por exemplo, compra ou encerramento de uma empresa, finalização do meu contrato temporário, etc.) e 6% justificam que a automação, tecnologia ou novos sistemas no escritório substituíram a sua função.
Seis em cada 10 profissionais sentem que as suas expectativas em relação à sua empresa actual mudaram em 2020
Segundo a Robert Walters, 59% dos profissionais sentem que as suas expectativas gerais em relação à sua empresa mudaram no último ano, sendo que 88% das empresas inquiridas referem que as expectativas dos seus empregados relativas aos benefícios oferecidos pela organização podem ter mudado no último ano (como trabalho flexível, programas de bem-estar, etc.).
Já 51% das organizações estariam abertas a modificar os seus pacotes de benefícios/programa de incentivos para que estejam mais alinhados com estas expectativas. Por outro lado, quando questionadas sobre qual seria o impedimento para mudar as vantagens e benefícios de trabalho da empresa, 75% referem uma cultura empresarial rígida/pouco flexível, 37% consideram que já oferecem benefícios/incentivos semelhantes (ou superiores) aos do seu setor/indústria, 31% referem falta de orçamento e 19% consideram que os diretores da organização preferem continuar a oferecer os benefícios/incentivos mais tradicionais.
Novos estilos de trabalho adoptados em 2020 que os profissionais em Portugal gostariam de manter no futuro: horário flexível, teletrabalho, iniciativas de bem-estar
Das práticas de trabalho adoptadas neste último ano, os profissionais em Portugal gostariam de manter a longo-prazo a possibilidade de horário flexível (57%); melhor uso de tecnologia, aplicações e ferramentas (50%); maior atenção ao bem-estar pessoal (ex.: fazer pausas regulares ao longo do dia, estabelecer prazos mais realistas – 45%); a possibilidade de poder trabalhar remotamente aproximadamente 50% do tempo (43%); mais colaboração entre diferentes departamentos (31%) e trabalho 100% remoto (30%).
Práticas que as empresas consideram manter em 2021: maior investimento em tecnologia, políticas de saúde mental, formações e reduções do espaço do escritório
Por outro lado, as empresas inquiridas em relação às medidas que pensam manter em 2021 em resposta à COVID-19, 63% referem que irão realizar um maior investimento em tecnologias, aplicações e ferramentas, 40% pensam melhorar as políticas de saúde mental e bem-estar, 37% consideram oferecer mais cursos e formações aos seus empregados, 31% estão a pensar reduzir ou reconfigurar os espaços do escritório em 2021 e 29% irão realizar pausas ou limitações à contratação de pessoal (incluindo estágios, programas de trainee ou contratos a termo). 17% das empresas não irão realizar nenhum tipo de mudança.














