Em 2024, os homens trabalharam, em média, mais três horas que mulheres e o trabalho remoto é mais comum entre quem trabalha mais de 35 horas (24,9%), europeus não portugueses (37,9%), trabalhadores com maior salário/hora (47,9%), ensino superior (47,4%) e jovens 25–34 anos (25,7%). Quem o diz é o relatório “Portugal, Balanço Social 2024”, elaborado pela Fundação “la Caixa”, o BPI e a Nova SBE, no âmbito da Iniciativa para a Equidade Social.
Os contratos temporários concentram-se sobretudo nos que trabalham menos de 35 horas (37,7%), estrangeiros não europeus (36,7%), com baixos salários (19,5%) e escolaridade até ao ensino secundário (17,6%).
O estudo, da autoria de Susana Peralta, Bruno P. Carvalho, João Fanha e Miguel Fonseca, que integram o Nova SBE Economics for Policy Knowledge Center, mostra que em 2024, existiam cerca de 1,2 milhões de beneficiários de abono de família, mais de 225 mil beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI), dos quais 31% tem menos de 18 anos, e 169 mil beneficiários de Prestação Social de Inclusão (PSI).
O mesmo estudo revela que a confiança nas instituições e nos seus principais actores aumentou de forma geral entre 2008 e 2024. De todas as instituições abordadas no inquérito, a polícia é aquela em que os residentes mais confiam e os políticos e os partidos políticos são as instituições nas quais os residentes menos confiam. De uma forma geral, tanto em 2008 como em 2024 as pessoas de menores rendimentos tendem a ter menor confiança nas instituições e nos seus atores.
Também a satisfação com a forma como a democracia funciona aumentou entre 2008 e 2024. Há igualmente uma menor assimetria no nível de satisfação entre os 25% mais pobres e os 25% mais ricos em 2024 do que em 2008. Em 2008, 33% dos mais pobres dizia-se “pouco satisfeito”, valor que reduziu para cerca de 19% em 2024.
Em 2024, mais de 80% das pessoas concordam que o Estado deve reduzir as diferenças existentes ao nível do rendimento, valor que atinge os 91% nos dois grupos da população com menores rendimentos. Não houve uma grande alteração entre 2008 e 2024.
A Iniciativa para a Equidade Social é uma parceria entre a Fundação “la Caixa”, o BPI, e a Nova SBE, que visa impulsionar o sector social em Portugal com uma visão de longo prazo. Traçando um retrato do setor social em Portugal e desenvolvendo programas de investigação e capacitação para apoiar organizações sociais, a iniciativa envolve oito projectos e duas cátedras.














