Quatro em cada cinco empresas espera manter ou aumentar os recursos humanos

Quatro em cada cinco empresas (79%) vão manter ou aumentar os seus recursos humanos nos últimos quatro meses deste ano, face a igual período de 2019, conclui um inquérito promovido pela CIP – Confederação Empresarial de Portugal e pelo Marketing FutureCast Lab do ISCTE.

O inquérito revela também que 61% das empresas contam manter ou aumentar o seu investimento no próximo ano, face ao concretizado em 2019.

Os empresários e gestores foram também questionados sobre as medidas de apoio à economia, no quadro da COVID-19, mantendo uma avaliação negativa, com quatro em cada cinco empresas a considerarem que estão aquém ou muito aquém do necessário.

No quadro dos apoios disponibilizados, o lay-off simplificado é visto como um mecanismo com uma influência significativas, mas o mecanismo que o substituiu não é visto da mesma forma, tendo só 17% das empresas inquiridas a ele recorrido, com 62% das empresas a considerarem que esta medida é inadequada, como a CIP tem vindo a alertar.

«Um terço das empresas não tem opinião formada sobre este novo mecanismo, o que posso interpretar como resultado da deficiente informação disponível», afirmou o vice-presidente da CIP, Armindo Monteiro.

O inquérito, destinado a recolher e analisar informação sobre as expectativas de empresários e gestores sobre a evolução da sua actividade, mostra ainda que quase dois terços das empresas portuguesa anteveem uma quebra de vendas de cerca de 40%, em média, no último quadrimestre deste ano, face a igual período de 2019, devido aos efeitos da COVID-19.

Mais de metade das empresas (54%) inquiridas indicam que as vendas caíram no mês de Agosto, registando descida, em média, superior a 40%, face a igual mês de 2019. Também as encomendas em carteira, no início de Setembro, diminuíram 40%, em média, segundo dados de 56% das empresas inquiridas a que esta situação se aplica.

«Estes dados mostram bem que a retoma da economia não vai ser imediata, que as empresas estão fragilizadas e que é necessário um esforço conjunto para que consigamos ultrapassar esta situação», afirmou o vice-presidente da CIP, Armindo Monteiro, na conferência de imprensa de apresentação dos resultados.

«As empresas já estão a fazer um esforço enorme e, mesmo com estes indicadores de redução das vendas e da perspectiva da deterioração do negócio, pretendem investir e manter o emprego», acrescentou.

Este inquérito, iniciou uma segunda fase do Projecto Sinais Vitais, desenvolvido em conjunto pela CIP, através das associações que a integram, e pelo Marketing FutureCast Lab do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, com o objectivo de recolher informação actualizada sobre a posição dos responsáveis pelas empresas portuguesas e sobre o impacto que diferentes situações têm nestas, no quadro da situação de excepção provocada pela pandemia.

Os inquéritos são feitos e divulgados regularmente e abordam temas considerados relevantes para a actividade empresarial, na actual situação de excepção, contribuindo para a existência de dados quantitativos fiáveis sobre a realidade das empresas, permitindo uma actuação dinâmica dos responsáveis políticos e do movimento associativo, a cada momento.

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