Estar nessa situação significa que o profissonal fica preso num ciclo de trabalho instável, por tempo determinado, porque não consegue encontrar alternativas estáveis, como um contrato permanente a tempo inteiro. A Eurofound afirma que o número real de trabalhadores precários pode ser ainda superior a um em cada 11, sendo os jovens particularmente afectados.
Na Europa, os países com os mercados de trabalho mais instáveis encontram-se todos na região do Mediterrâneo, com excepção da Finlândia, noticia a Euronews.
Top 5
Itália lidera a lista, com quase um em cada cinco trabalhadores em contratos temporários ou a tempo parcial, e o maior crescimento deste tipo de emprego em toda a UE desde 2006 (+6%).
Espanha surge logo a seguir em termos de empregos instáveis, com 17%,
Em terceiro lugar está Chipre com 15%.
Portugal e Finlândia completam o top 5 com 13,3% e 13,2% respectivamente.
As taxas mais baixas foram encontradas na Europa Central e Oriental: Roménio, Lituânia, Eslováquia, Hungira, Bulgária e Estónia, todos abaixo dos 3%.
O trabalhador precário típico
As pessoas em empregos instáveis estão “desproporcionalmente concentradas entre os trabalhadores manuais com o ensino primário”, revela a Eurofound. Em toda a Europa, a média praticamente não se alterou nas últimas duas décadas, baixando de 11% em 2006 para cerca de 9% em 2024, após ter atingido um pico de 13% em 2015.
As mulheres estão mais expostas do que os homens, sendo as disparidades de género mais acentuadas em França e na Alemanha, e as mais baixas no Reino Unido, na Polónia e na Lituânia. A Eurofound atribui esta discrepância à “discriminação directa no mercado de trabalho”, explicando que alguns contratos temporários podem até ser utilizados como “mecanismos de triagem para trabalhadores cujo compromisso os empregadores percepcionam como incerto devido a responsabilidades familiares”.
O lado positivo do part-time
Ao mesmo tempo, existem alguns países onde os contratos com contratos temporários, nomeadamente em part-time, são uma escolha deliberada dos trabalhadores. Nos Países Baixos, 45% dos trabalhadores escolheram esta modalidade voluntariamente em vez de um contrato a tempo inteiro. Segundo os investigadores, este tipo de acordo é “comum e está culturalmente enraizado”.
Áustria (31,5%), Alemanha (29,8%), Dinamarca (27,5%) e Bélgica (26,1%) também têm apreciadores deste regime a tempo parcial.
No lado oposto da tabela estão a Roménia, Bulgária e Croácia, com 0,1%, 1.3% e 2,3% respectivamente. Portugal regista 6,2% de trabalhadores que escolherem a modalidade voluntariamente.














