Que países europeus têm os salários mais altos (e mais baixos)?

Human Resources
13 de Dezembro 2023 | 20:50

Suíça e Islândia são dois dos países com salários mais elevados na UE e na zona euro, enquanto a Bulgária e a Roménia têm as remunerações mais baixas, noticia o Euronews.

A legislação laboral da União Europeia (EU) é geralmente bastante forte, com ênfase nas condições de trabalho individuais e nos direitos laborais, no direito à informação, nas leis anti-discriminatórias e na segurança no emprego.

No entanto, quando se trata de salários e remunerações entre os Estados-Membros da UE, ainda existem variações significativas, dependendo de vários factores, tais como leis laborais, procura, inflação e muito mais. De acordo com o Eurostat, em 2022, o salário médio anual variou entre 106.800 euros na Suíça e 12.900 euros na Bulgária.

Em 2022, os países que pagaram mais foram a Suíça (106 800 euros), a Islândia (81 900 euros), o Luxemburgo (79 900 euros), a Noruega (74 500 euros) e a Bélgica (70 200 euros), enquanto no lado oposto estão a Bulgária (12 900 euros), a Roménia (14 500 euros), Croácia (17 800 euros), Hungria (18 200 euros) e Polónia (18 100 euros). Portugal está em 19.º lugar da tabela com um salário médio anual de 26 mil euros.

No seu relatório, o Eurostat destaca que o custo horário médio da mão-de-obra na UE foi de 30,5 euros. Os salários médios anuais dos trabalhadores solteiros sem filhos ascenderam a 26.136 euros. Já os casais que trabalham e têm dois filhos ganham em média 55.573 euros anuais.

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O gap salarial não ajustado entre homens e mulheres era de 12,7% em 2021, sendo a maior disparidade observada na Estónia, com 20,5%, e a menor no Luxemburgo, com -0,2%. No entanto, segundo a Comissão Europeia, o gap salarial aumentou para 13% em 2023.

Os salários líquidos médios anuais aumentaram ligeiramente ao longo dos anos, tanto na UE como na zona euro, mas não tanto quanto seria de esperar. Isto deve-se em grande parte ao atraso na produtividade, especialmente no rescaldo da crise financeira global, mesmo quando o crescimento económico começou a recuperar. A inflação mais baixa nos primeiros anos da década de 2010 também contribuiu para uma certa estagnação dos salários, bem como para níveis de desemprego mais elevados.

Normalmente, os sectores mais bem pagos na Europa são o financeiro, seguros, energia, mineração, tecnologias da informação, retalho e educação. No outro extremo, os sectores com salários mais baixos tendem a ser os de apoio administrativo, hotelaria e construção.

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No entanto, a inflação é um factor-chave quando se analisa o poder de compra em diferentes países. A maior parte da UE e da zona euro assistiu a uma inflação elevada nos últimos dois anos. Isto deveu-se principalmente à pandemia e aos choques de preços resultantes, causados por atrasos na cadeia de abastecimento.

Outros choques geopolíticos, como a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, também contribuíram para estes atrasos no fornecimento e agravaram a crise energética. Com o actual conflito entre Israel e o Hamas, a situação pode piorar.

Neste caso, a inflação mais elevada está a prejudicar os salários e a aumentar o custo de vida. Muitas vezes o aumento dos salários não acompanha a velocidade do aumento dos preços e muitas empresas não dão aumentos salariais de acordo com a inflação, diminuindo o impacto de um salário mais elevado.

 

Porquê salários tão elevados na Suíça e na Islândia?

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Os elevados salários da Suíça são impulsionados principalmente pelo seu sector bancário e de serviços financeiros. Também tem impostos muito mais baixos em comparação com o resto da UE e da zona euro, com uma média de cerca de 20% a 35% para a faixa de 150.000 a 250.000 francos suíços.

Os salários da Islândia são impulsionados por uma elevada proporção do sector privado do país que aposta em acordos colectivos. Alguns aumentos também se devem ao acréscimo de benefícios da COVID-19, bem como à recuperação dos salários por hora no pós-pandemia.

A Islândia é também um dos países mais caros do mundo, com uma inflação persistentemente elevada, o que também contribui para que os trabalhadores exijam salários mais altos. Desde Março de 2019, foram assinados 326 acordos laborais islandeses, sendo que mais de 90% da força de trabalho faz parte de um sindicato.

À semelhança da Suíça. os sectores financeiro e bancário constituem o principal peso por trás dos salários atractivos do Luxemburgo, com a maioria dos bancos a empregar trabalhadores altamente qualificados, experientes e procurados. Vários deles também são expatriados.

O Luxemburgo também revê, de dois em dois anos, o seu salário mínimo, em comparação com os salários médios e os movimentos de preços, mantendo assim os padrões salariais muito actualizados. No entanto, os salários dependem em grande parte dos sectores, dos departamentos dos bancos, da antiguidade, da idade, bem como da educação e da experiência.

Isto pode causar disparidades significativas, mesmo dentro do mesmo sector, dependendo da função e do cargo específicos de um trabalhador. Como tal, os salários médios têm-se mantido mais ou menos estáveis no Luxemburgo desde 2015, à medida que a produtividade diminui.

No entanto, a carga fiscal pode desempenhar um papel importante nos salários reais e ditar a quantidade de poder de compra que os trabalhadores têm, conforme destacado abaixo.

Dos países europeus que integram OCDE, o top 3 é ocupado pela Dinamarca, França e Áustria. Portugal ocupa o 7º. lugar na lista dos 27 países e Hungria, Estónia e República Checa surgem no fim da tabela.

Países com os salários mais baixos

Actualmente, a Bulgária debate-se com salários mais baixos, à medida que cada vez mais trabalhadores deixam o país para trabalhar em países mais prósperos da Europa. A baixa escolaridade, a pobreza crónica e o menor acesso à formação disponibilizado pelos empregadores, contribuíram para a redução dos salários.

No entanto, mantém-se resiliente, tendo recentemente apresentado uma petição para aumentar os salários mínimos dos actuais 780 levs (398 euros) para 933 levs (477 euros) a partir do próximo ano.

Uma fraca estrutura sindical desempenha um papel importante na manutenção dos baixos salários na Roménia. As empresas estrangeiras não são muito bem vistas, causando alguma relutância em aderir a elas. Uma economia em recuperação também conduz a menores oportunidades.

A Guerra de Independência da Croácia, no início da década de 1990, teve um forte impacto na economia da altura, com o país a perder a oportunidade de desenvolver os seus sectores económicos e financeiros, ao contrário do resto da UE.  Também e forte dependência de trabalhadores temporários e sazonais, que apoiam o sector hoteleiro e turístico do país, fez com que os salários se mantivessem baixos.

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