Quem deve ser responsável pela saúde mental dos colaboradores? Estudo dá a resposta e destaca o que mais a impacta negativamente

Margarida Lopes
22 de Fevereiro 2021 | 12:23
Quem deve ser responsável pela saúde mental dos colaboradores? Estudo dá a resposta e destaca o que mais a impacta negativamente

Um estudo realizado pela Flexsaúde e a Stunning Capacity, em colaboração com a Michael Page, em Dezembro de 2020, indica que deverá haver maior investimento e responsabilidade por parte das empresas, a par com uma estratégia integrada para a saúde mental.

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O estudo “A Saúde Mental Laboral nas Organizações” visou avaliar o bem-estar e a saúde mental laboral nas organizações portuguesas, tendo em conta dimensões como o estado actual da saúde mental, os objectivos das organizações e as soluções e recursos que têm ao seu dispor.

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Quando questionados sobre o nível de responsabilidade que as organizações devem ter nas diferentes fases da optimização do bem-estar e saúde mental dos seus colaboradores, 58% dos inquiridos afirma que a responsabilidade deve ser partilhada e 29% atribui maior responsabilidade à organização face ao colaborador. Apenas 4% considera que a organização não tem qualquer responsabilidade.

No que diz respeito aos factores com impacto mais frequente na degradação do bem-estar e saúde mental dos colaboradores, os diferentes motivos individuais sobrepõem-se aos factores que são transversais à organização. A pandemia (83%), a escassez de recursos do colaborador (80%) e acontecimentos traumáticos pessoais (79%) são os mais apontados.

Os inquiridos acreditam que as organizações deverão atribuir maior importância a iniciativas focadas na resolução de comportamentos pessoais dos colaboradores (como o consumo de álcool ou drogas) do que na alteração de outros fatores, como a escassez de recursos dos colaboradores ou no alívio do stress próprio das funções.

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De acordo com os resultados do estudo, entre os factores no âmbito da organização com impacto na saúde mental, destacam-se os horários de trabalho (88%), as relações interpessoais (91%) e os níveis de stress associados ao desempenho da função (96%). A maioria dos entrevistados atribui também especial importância ao volume e ritmo de trabalho, como sendo dos fatores com maior agravamento.

O estudo revela ainda que a preocupação das organizações com a melhoria da saúde mental dos seus colaboradores prende-se, sobretudo, com objectivos de produtividade, redução do absentismo, engagement e a preocupação das empresas em evitar efeitos negativos na sua reputação, de acordo com a maioria dos entrevistados. Ou seja, a optimização de níveis fisiológicos ou psicológicos dos colaboradores em si mesmo não são factores em que as organizações se mostrem motivadas no âmbito da saúde mental laboral.

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O baixo sucesso das acções e iniciativas levadas a cabo pelas organizações na melhoria do bem-estar e saúde mental dos seus colaboradores, é também apontado pela maioria dos participantes. Assim, 80% das respostas confirma a necessidade de investimento por parte das empresas em recursos diversos (tempo, financeiros, know-how, materiais), principalmente na fase de monitorização da saúde mental, para gerar uma mudança positiva no estado geral dos seus colaboradores, e aponta a prevenção de patologias como uma prioridade.

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Entre as principais iniciativas que poderão ser implementadas pelas empresas, segundo o estudo, destacam-se o envolvimento da gestão de topo na melhoria da organização do trabalho e práticas de liderança; maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional e equidade no tratamento dos colaboradores, atribuição de seguros de saúde com vertente de saúde mental, respeito pelos horários de trabalho estabelecidos, e políticas de organização do trabalho flexíveis e personalizadas.

As iniciativas conjuntas entre o colaborador e a empresa com o objectivo de uma solução integrada, são referidas por 75% dos entrevistados com um elevado nível de importância. Falar abertamente sobre o tema da saúde mental laboral para combater a sua estigmatização, definir em parceria com os colaboradores uma política clara de desenvolvimento do bem-estar organizacional, implementar uma gestão participada e orientada por objetivos e desenvolver estratégias de aumento de literacia em saúde mental, são algumas das medidas referidas.

No que diz respeito aos recursos que as empresas podem ter para contornar o problema da degradação da saúde mental, o conhecimento humano é identificado como sendo o mais importante, seguido dos recursos financeiros e, com menor relevância, da utilização de tecnologia.

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