Quem deve ser responsável pela saúde mental dos colaboradores? Estudo dá a resposta e destaca o que mais a impacta negativamente

Um estudo realizado pela Flexsaúde e a Stunning Capacity, em colaboração com a Michael Page, em Dezembro de 2020, indica que deverá haver maior investimento e responsabilidade por parte das empresas, a par com uma estratégia integrada para a saúde mental.

 

O estudo “A Saúde Mental Laboral nas Organizações” visou avaliar o bem-estar e a saúde mental laboral nas organizações portuguesas, tendo em conta dimensões como o estado actual da saúde mental, os objectivos das organizações e as soluções e recursos que têm ao seu dispor.

Quando questionados sobre o nível de responsabilidade que as organizações devem ter nas diferentes fases da optimização do bem-estar e saúde mental dos seus colaboradores, 58% dos inquiridos afirma que a responsabilidade deve ser partilhada e 29% atribui maior responsabilidade à organização face ao colaborador. Apenas 4% considera que a organização não tem qualquer responsabilidade.

No que diz respeito aos factores com impacto mais frequente na degradação do bem-estar e saúde mental dos colaboradores, os diferentes motivos individuais sobrepõem-se aos factores que são transversais à organização. A pandemia (83%), a escassez de recursos do colaborador (80%) e acontecimentos traumáticos pessoais (79%) são os mais apontados.

Os inquiridos acreditam que as organizações deverão atribuir maior importância a iniciativas focadas na resolução de comportamentos pessoais dos colaboradores (como o consumo de álcool ou drogas) do que na alteração de outros fatores, como a escassez de recursos dos colaboradores ou no alívio do stress próprio das funções.

De acordo com os resultados do estudo, entre os factores no âmbito da organização com impacto na saúde mental, destacam-se os horários de trabalho (88%), as relações interpessoais (91%) e os níveis de stress associados ao desempenho da função (96%). A maioria dos entrevistados atribui também especial importância ao volume e ritmo de trabalho, como sendo dos fatores com maior agravamento.

O estudo revela ainda que a preocupação das organizações com a melhoria da saúde mental dos seus colaboradores prende-se, sobretudo, com objectivos de produtividade, redução do absentismo, engagement e a preocupação das empresas em evitar efeitos negativos na sua reputação, de acordo com a maioria dos entrevistados. Ou seja, a optimização de níveis fisiológicos ou psicológicos dos colaboradores em si mesmo não são factores em que as organizações se mostrem motivadas no âmbito da saúde mental laboral.

O baixo sucesso das acções e iniciativas levadas a cabo pelas organizações na melhoria do bem-estar e saúde mental dos seus colaboradores, é também apontado pela maioria dos participantes. Assim, 80% das respostas confirma a necessidade de investimento por parte das empresas em recursos diversos (tempo, financeiros, know-how, materiais), principalmente na fase de monitorização da saúde mental, para gerar uma mudança positiva no estado geral dos seus colaboradores, e aponta a prevenção de patologias como uma prioridade.

Entre as principais iniciativas que poderão ser implementadas pelas empresas, segundo o estudo, destacam-se o envolvimento da gestão de topo na melhoria da organização do trabalho e práticas de liderança; maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional e equidade no tratamento dos colaboradores, atribuição de seguros de saúde com vertente de saúde mental, respeito pelos horários de trabalho estabelecidos, e políticas de organização do trabalho flexíveis e personalizadas.

As iniciativas conjuntas entre o colaborador e a empresa com o objectivo de uma solução integrada, são referidas por 75% dos entrevistados com um elevado nível de importância. Falar abertamente sobre o tema da saúde mental laboral para combater a sua estigmatização, definir em parceria com os colaboradores uma política clara de desenvolvimento do bem-estar organizacional, implementar uma gestão participada e orientada por objetivos e desenvolver estratégias de aumento de literacia em saúde mental, são algumas das medidas referidas.

No que diz respeito aos recursos que as empresas podem ter para contornar o problema da degradação da saúde mental, o conhecimento humano é identificado como sendo o mais importante, seguido dos recursos financeiros e, com menor relevância, da utilização de tecnologia.

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