Por Marco Gouveia, consultor e formador de Marketing Digital, CEO da Escola Marketing Digital
A forma como as pessoas usam a internet e interagem com o Google sofreu a maior transformação da última década, porém, grande parte das organizações ainda não se apercebeu do impacto que esta mudança tem na reputação corporativa e na retenção de talento.
Se a sua empresa investiu anos de recursos a optimizar as plataformas internas para aparecer no topo das pesquisas tradicionais, esse esforço continua a ser a base para quando um profissional decide avançar com uma candidatura formal. O problema é que o ecossistema digital fragmentou-se. Hoje, se um profissional qualificado for ao ChatGPT perguntar quais são os empregadores de referência no seu sector e o algoritmo ignorar a sua empresa, acabou de perder esse talento antes sequer de ele saber que a sua empresa tinha vagas em aberto.
Um estudo recente da Similarweb mostra uma divisão de papéis muito clara no comportamento das pessoas: a inteligência artificial generativa passou a funcionar como o grande curador na fase de descoberta e triagem de informação, mas o utilizador continua a voltar ao Google quando quer validar dados contratuais e fechar a decisão. No entanto, se a sua empresa falha no primeiro filtro — o da descoberta na IA —, o seu funil de captação de talento fica quebrado logo à nascença.
Estar em primeiro lugar no Google não garante que a IA fale da sua empresa. No SEO tradicional, nós trabalhamos para rankings. No GEO (Generative Engine Optimization), a lógica é diferente: trabalhamos para citações e menções. Ele não lê o seu site institucional para tirar conclusões; ele varre o ecossistema digital para perceber o que as comunidades e os canais de referência dizem sobre a sua cultura e a sua liderança.
Para garantir que a sua empresa é recomendada nestas respostas, há um trabalho técnico e de comunidade que os gestores precisam de dominar:
- Presença activa nos canais de opinião: Os modelos de IA abastecem-se fortemente de plataformas onde há discussão humana activa e moderação, como o Reddit, o LinkedIn e o Glassdoor. Se a sua empresa não fomenta a partilha de artigos de liderança por parte dos directores ou não monitoriza as avaliações de colaboradores nestes fóruns, a IA simplesmente assume que a sua organização não é uma referência no mercado.
- Parágrafos directos e auto-explicativos: A IA lê as páginas em pequenos blocos de texto e não como um todo. A sua proposta de valor, os benefícios e os pilares da cultura da empresa têm de ser escritos em parágrafos extraíveis e auto-explicativos. Se o algoritmo isolar apenas o texto sobre o vosso ambiente de trabalho, por exemplo, ele tem de fazer sentido absoluto sozinho, sem ser necessário ler o resto da página.
- Mapear as dúvidas reais do talento: Um bom truque para estruturar o conteúdo para o vosso site é testar a própria IA. Vá ao ChatGPT e simule as perguntas que os profissionais fariam sobre o seu sector. Depois de obter a resposta, pergunte ao algoritmo: “Que subperguntas usaste para chegar a esta resposta?”. Depois, garanta que as suas páginas respondem directamente a essas questões.
- Dados estruturados: Substitua os blocos densos de texto por bullet points e secções de FAQs reais configuradas com Schema Markup (através de ferramentas como o schema.org) em todas as páginas (ou, pelo menos, naquelas em que é prioritário a empresa ser recomendada pela IA).
Para que as empresas consigam acompanhar esta evolução, as equipas de Recursos Humanos e as direcções de Marketing não podem continuar a trabalhar de costas voltadas ou sem bases actualizadas. É precisamente por isto que, na Escola de Marketing Digital, temos focado a nossa Formação Empresas em capacitar as lideranças para estas novas dinâmicas algorítmicas. Sem a formação certa, as equipas continuam a optimizar para um utilizador que já mudou de comportamento.
O futuro constrói-se no presente. Leve estes pontos para a próxima reunião de direcção e avalie se a sua empresa está preparada para jogar neste novo campeonato.














