Randstad: Bem-estar: Uma aposta estratégica

Na Randstad, a área de Well-Being visa a felicidade dos colaboradores e parte da ideia de que estes, quando mais felizes, são também mais produtivos.

 

Há cada vez mais estudos a sugerir (e a comprovar) que os colaboradores das empresas são mais produtivos quando se sentem felizes no local de trabalho. Consciente desta realidade, a Randstad desenvolve diversos programas na área de well-being, existindo um que sugere uma actividade diferente em cada dia da semana. Tânia Mendes, HR business partner da Randstad Portugal, falou com a Human Resources Portugal a sobre estratégia da empresa para a área do bem-estar.

 

Quais os motivos que fazem com que o well-being seja um tema tão importante hoje para muitas empresas?
Ninguém é feliz se não se sentir bem, não só do ponto de vista físico, mas também mental, emocional e social. É por isso que apostar num programa de well-being ajustado às necessidades dos colaboradores traduz-se num investimento e não num custo.

Apostar no well-being é apostar no engagement das organizações e na motivação dos seus colaboradores. É captar e reter talentos. Se o mercado reconhecer que a empresa aposta no bem-estar dos seus colaboradores, esta será mais atractiva para trabalhar e criará laços com as pessoas. Aumenta o sentimento de pertença e os colaboradores ficam mais dispostos a alcançarem os objectivos.

A verdade é que o nosso corpo e mente acabam por se ressentir com estas necessidades a médio prazo. É preciso abrandar e começar a agir em vez de reagir. Os programas de well-being dentro das organizações são um sinal de que as equipas de gestão de topo estão a dar sinais aos seus colaboradores de valorizar o seu bem-estar, incentivando a adoptar hábitos de vida mais saudáveis.

Ainda há, sem dúvida, um longo caminho para percorrer, começando pelo desequilíbrio que ainda vemos entre a implementação deste tipo de programas e, por outro lado, o volume e a pressão de trabalho elevados.

 

Qual o posicionamento da Randstad no que diz respeito a este tema e como é endereçado internamente?
Pessoas! São elas o nosso propósito. Somos uma empresa que trabalha “com” e “para” pessoas. São elas o centro de tudo, da nossa actividade, do nosso negócio e da forma como nos relacionamos com os nossos clientes.

O dia-a-dia de trabalho de todos na Randstad tem de ter o seu foco assente em três pilares – trabalhar para sermos uma empresa financeiramente estável; cada um desempenha as suas funções orientados para o cumprimento dos seus objectivos; e ter os seus colaboradores respeitados na sua individualidade.

Só conseguimos alcançar estas três metas se as nossas pessoas se sentirem bem, felizes, seguras. Só assim vamos conseguir trabalhar em colaboração, aumentando o seu engagement e a sua produtividade, cultivando um espaço de trabalho saudável e positivo.

Temos, há muito, uma área interna de employee experience totalmente direccionada para proporcionar as melhores condições de trabalho e benefícios aos nossos colaboradores, focados na área da aprendizagem, na celebração dos momentos importantes mas também no apoio em fases mais complicadas, desenvolvendo programas integrados de saúde e bem-estar.

 

De que forma a estratégia de well-being tem a abrangência e a eficácia necessária num universo tão vasto de colaboradores?
Este foco e implementação de acções que visam o bem-estar dos nossos colaboradores existe, não só para as equipas internas, mas também para todos os colaboradores Randstad, nomeadamente nas nossas operações. Somos cerca de 20 000 actualmente, só em Portugal.

Temos de reconhecer que existe muito trabalho pela frente. Já o iniciámos, mas está longe de ter atingido o nível que pretendemos. Esse é um dos nossos principais focos de atenção para o ano de 2023 com o novo modelo de governance que estamos a desenhar.

 

Sendo uma empresa presente em diversas geografias, existem directrizes globais ou estratégias locais?
Existe um enorme movimento e consciencialização relativamente a estas áreas quer no contexto nacional, quer no global da Randstad. Cada uma das Opcos investe em matérias de well-being e procura implementar medidas alinhadas com a realidade de cada país.

 

Que programas de well-being a Randstad desenvolve para os seus colaboradores?
#pessoassaudaveis #organizacoesmaisfelizes são o lema do nosso programa de saúde e bem-estar, o Inside Out.
As actividades, formatos e momentos disponibilizados por este programa resultaram da análise conjugada de três factores: a aposta estratégica da organização no reforço das condições de saúde física, mental e emocional nos nossos colaboradores, com particular relevância no contexto pandémico em que temos estado a viver; os resultados obtidos no survey de diagnóstico ao programa, onde os colaboradores nos indicaram as actividades que mais valorizavam e o interesse que tinham em participar; e o incremento e gestão do budget definido para o programa Inside Out integrado na área de employee experience.

Actualmente temos o conceito de cinco dias, cinco iniciativas. À segunda-feira, começamos a semana com meditação; a terça termina com sessões de yoga; na quarta, temos boost de energia com as aulas de HIT/Core/Localizada; à quinta damos destaque aos shots de mindfulness; e terminamos a semana com sessões de postura e fisioterapia online.

Como complemento e em simultâneo, qualquer colaborador tem disponível consultas de acompanhamento psicológico, nutrição e medicina curativa.

Mensalmente realizamos workshops com especialistas nas mais diferentes matérias, focadas em três pilares: a saúde física, mental e emocional. Alimentação saudável, desperdício alimentar, higiene do sono, parentalidade consciente, eu e os outros são alguns desses exemplos.

 

A que desafios estes programas pretendem dar resposta?
Vivemos actualmente, na nossa esfera profissional e também pessoal, num ritmo elevadíssimo. Sentimos de forma recorrente que andamos em modo de “piloto automático”. A pandemia obrigou-nos não só a abrandar como, em muitas situações, a parar. As pessoas tiveram oportunidade de vivenciar novas realidades. Desacelerar e viver de forma mais consciente passou a ser algo que a maioria de nós passou a querer na sua esfera pessoal, mas também enquanto trabalhador.

As empresas têm de passar a ser capazes de apoiar nessa necessidade. Não podemos viver na constante do “apagar fogos”, onde tudo é urgente. Temos de olhar para dentro, para as necessidades das pessoas e alinhar as iniciativas que promovem o seu bem-estar e felicidade.

 

Quais os factores que os vossos colaboradores mais valorizam?
Todas as iniciativas de bem-estar são desenhadas partindo do feedback das nossas pessoas. Mantemos o caminho porque existe, para além do reconhecimento, participação e envolvimento.

O programa é valorizado de forma global. Saber que têm diferentes iniciativas e momentos focados no bem-estar, ao seu dispor, é por si só muito valorizado.

Além do bom ambiente de trabalho, a preocupação com o bem-estar do colaborador é dos aspectos mais valorizados e referido no momento das entrevistas de saída. 97% dos nossos colaboradores destaca este ponto positivo na Randstad durante o seu ciclo de vida na empresa.

É difícil identificar de entre todas as iniciativas que temos actualmente, qual ou quais as que merecem maior destaque. Procuramos apresentar uma oferta diversificada que vá ao encontro dos diferentes gostos e necessidades. Porém se formos analisar mais ao detalhe os feedbacks que fomos recolhendo, as sessões de meditação e mindfulness, as sessões de fisioterapia online e as consultas de nutrição são algumas das iniciativas com maior adesão.

 

De que forma a estratégia de well-being da Randstad é diferenciadora face às práticas do mercado?
Os números e o feedback dos nossos colaboradores espelham o trabalho e resultados alcançados nesta matéria no último ano. Mas o culminar deste sentimento de que estamos no caminho certo foi reforçado com a atribuição do Best Well-being Program (na categoria empresas entre 250 e 1000 colaboradores) nos Well-being Awards de 2022. Entre mais de 100 candidaturas de diversas organizações e sectores, enche-nos de orgulho sermos reconhecidos pelas práticas que estamos a dinamizar e que queremos que nos diferenciem enquanto empresa.

Para além deste reconhecimento do best well-being program, a Randstad obteve pelo segundo ano consecutivo o selo Top Employeer, que avalia, entre um conjunto diversificado de áreas, as medidas de well-being, integradas na área de employee experience.

 

Qual o feedback dos colaboradores e como é medido o sucesso destas iniciativas?
Mais do que sermos nós a referir as qualidades do nosso programa de saúde e bem-estar, os números e os factos falam por si. 193 sessões de yoga, mindfulness, fisioterapia online, mediatação e aulas de Core/Localizada. 11 workshops focados em temas de well-being, 346 consultas de apoio psicológico, medicina curativa e nutrição, tudo com uma média de avaliação de satisfação global de 75%.

Estes números são recolhidos através de surveys regulares que aplicamos a toda a nossa população e que nos permitem aferir o que é mais valorizado, o que corre bem ou devemos melhorar e que outras iniciativas gostavam de ver a ser implementadas.

Para além destes survey, a Randstad tem, a nível global, o Randstad In Touch, uma ferramenta que, de forma totalmente confidencial, permite a todos manifestar a sua opinião sobre as mais diversas matérias e assim identificarmos o nível de engagement dos nossos colaboradores. Na área de health e well-being score encontramos actualmente um valor de 8,1 (escala de 0 a 10).

 

Com a introdução dos modelos híbridos de trabalho, de que forma é encarado hoje, pela empresa e colaboradores, o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional?
Desde Março de 2020, a Randstad, em Portugal, tem lançado um conjunto de surveys com o objectivo de compreender a forma como vivemos durante este período de pandemia, fazendo um inventário das principais dificuldades sentidas e pontos positivos que daí surgiram.

A informação recolhida permitiu suportar o actual regime de trabalho interno da nossa organização. Focado num modelo de trabalho híbrido, esta nova organização do trabalho permite uma grande flexibilidade de gestão às equipas, de acordo com as características de cada área.

O feedback e os resultados têm sido, até ao momento, francamente positivos, com os interesses da vida pessoal perfeitamente alinhados com as necessidades de resposta do negócio. 93% dos nossos colaboradores afirmam que esta é a realidade que tem vivido no último ano.

 

A saúde dos colaboradores é também contemplada nesta área? Em que moldes?
Para além das consultas mensais de medicina curativa, e num âmbito nacional, a Randstad reforçou o apoio psicológico no número de consultas disponibilizadas a cada colaborador, assim como lançou um serviço inovador de consultas de nutrição, sem limite de interacções com o nutricionista que cada um escolheu, tendo ainda como suporte uma app que monitoriza um conjunto de aspectos da sua saúde física.

Todas as aulas que temos igualmente disponíveis estão a contribuir para a saúde física dos nossos colaboradores. Na rentrée deste ano, vamos reabrir o nosso “fit forward”, o nosso centro físico de well-being, existente na sede da Randstad. Todos os nossos colaboradores podem frequentar o ginásio e ter momentos de tratamento e/ou relaxamento através de massagens terapêuticas.

Nos meses de Outubro e Novembro iremos relançar também a nossa campanha de vacinação, com a Randstad a oferecer a vacina da gripe a todos os colaboradores interessados.

 

E quais são as grandes tendências em termos globais?
Estamos a trabalhar para implementar cada vez mais medidas e iniciativas nestas matérias, procurando acompanhar as tendências de mercado. Pesquisas recentes demonstram que 70% das empresas vão apostar em iniciativas que estimulem a actividade física nos colaboradores.

A preocupação com apoio psicológico manter-se-á e acreditamos que será mesmo reforçada. Tão importante como o salário é a valorização dada aos benefícios flexíveis. Será algo a implementar para conseguir atrair e reter pessoas, face à escassez de talento no mercado.

Apostar em programas de apoio e mentoria para as lideranças, com foco na resiliência emocional e na capacidade de estarem atentos ao bem-estar das equipas directas e programas de desenvolvimento de competências em literacia financeira são particularmente importantes.

A valorização dos horários flexíveis e remoto (ser escolha do trabalhador sempre que as funções o permitam) é já um factor a considerar desde os processos de recrutamento e selecção.

O aumento do número de dias de descanso do trabalhador (além dos 22 dias de férias estipulados na legislação laboral) começa a ser também considerado já em muitas empresas, assim como a análise da possibilidade de uma semana de trabalho com quatro dias.

A aposta no voluntariado como forma de promover e restabelecer laços sociais e teambuilding é também uma das tendências globais. Na Randstad já o é há muitos anos, com particular relevância, actualmente, para o tema da inclusão social e igualdade de género.

 

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Well-Being” publicado na edição de Julho (n.º 140) da Human Resources.

Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

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