Receber bem já não chega. Estudo revela novo desafio na gestão de talento jovem

O desafio das empresas já não está na entrada dos trabalhadores jovens, mas sim na continuidade da integração, conclui o estudo Gen@Work da UPPartner.

Tânia Reis
7 de Agosto 2026 | 10:40
Receber bem já não chega. Estudo revela novo desafio na gestão de talento jovem

Ainda que as organizações pareçam estar a conseguir responder de forma eficaz aos momentos iniciais da integração de novos trabalhadores, os dados sugerem que o desafio já não está apenas no onboarding, mas na capacidade de transformar essa integração numa experiência contínua de adaptação, acompanhamento e ligação à cultura organizacional.

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Esta é uma das conclusões do Gen@Work, um estudo desenvolvido pela UPPartner que analisou a perspectiva de profissionais de Recursos Humanos e jovens trabalhadores relativamente à experiência de trabalho, onboarding, proposta de valor ao colaborador e práticas de gestão de talento.

Os resultados mostram que os momentos formais de integração estão relativamente consolidados nas organizações, com  83,6% dos trabalhadores a afirmar terem tido um primeiro dia estruturado, valor muito próximo dos 85,5% dos profissionais de RH que referem a existência desta prática.

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A formação inicial apresenta também níveis elevados de reconhecimento, sendo identificada por 80,9% dos trabalhadores, enquanto 71,1% dos RH indicam promovê-la de forma estruturada.

Todavia, quando a integração é analisada para além dos primeiros dias, os resultados tornam-se menos expressivos: apenas 26,6% dos jovens trabalhadores reconhecem práticas de avaliação da experiência do colaborador, enquanto 23,1% afirmam reconhecer iniciativas de clarificação da cultura organizacional e da proposta de valor da empresa.

«Os resultados mostram que as empresas estão a trabalhar cada vez melhor os momentos iniciais da experiência dos trabalhadores. O desafio passa agora por garantir que essa integração não termina após os primeiros dias ou semanas. A adaptação a uma organização é um processo contínuo, que exige acompanhamento, feedback e uma ligação clara à cultura e à proposta de valor da empresa», sublinha Filipa Lopes, PR & Influencer Marketing director e especialista em Strategy and Corporate Communication

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Segundo a especialista, esta evolução é particularmente relevante num contexto em que as organizações procuram fortalecer a retenção e acelerar a integração de novos profissionais: «O onboarding não deve ser visto apenas como um processo administrativo ou operacional. É um dos primeiros momentos em que a organização demonstra, na prática, aquilo que promete enquanto empregadora. Quando existe coerência entre expectativa e experiência, a integração torna-se mais rápida, a confiança aumenta e a ligação à organização tende a ser mais forte.»

O estudo indica ainda que apenas 39,5% das empresas possuem práticas de onboarding específicas para trabalhadores entre os 25 e os 35 anos, sugerindo existir espaço para uma maior adaptação dos processos de integração às expectativas e necessidades desta faixa etária.

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Para Filipa Lopes, o futuro do onboarding passará cada vez mais pela capacidade de as organizações transformarem a integração num percurso estruturado e não apenas num momento de entrada: «As organizações que conseguem prolongar a integração para além do primeiro dia tendem a criar experiências mais consistentes e alinhadas com a sua cultura. Mais do que receber bem as pessoas, o desafio está em garantir que elas compreendem a organização, reconhecem o seu papel e sentem que fazem parte dela.»

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Num contexto de crescente competição pelo talento jovem, a qualidade da experiência nos primeiros meses assume um papel cada vez mais relevante. O Gen@Work sugere que a oportunidade já não está apenas em integrar novos trabalhadores, mas em criar condições para que essa integração se transforme numa experiência duradoura e significativa.

Para aceder ao estudo, clique aqui.

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