Receitas do sector Fintech crescem a um ritmo quatro vezes superior ao da banca tradicional

Os dados são do estudo “Global Fintech Report 2026: From Recovery to Resurgence” desenvolvido pela Boston Consulting Group (BCG) em parceria com a pela FT Partners, que avalia o estado actual do setor e identifica as tendências que irão moldar a próxima fase de desenvolvimento das fintechs.

Margarida Lopes
17 de Agosto 2026 | 18:00
Receitas do sector Fintech crescem a um ritmo quatro vezes superior ao da banca tradicional

O sector global de fintech entrou numa nova fase de consolidação e crescimento, marcada por maior rentabilidade, disciplina operacional e um papel cada vez mais relevante na transformação dos serviços financeiros. Em 2025, as receitas globais das fintechs ultrapassaram os 504 mil milhões de dólares, o que representa um crescimento de 22% face ao ano anterior e um ritmo de expansão mais de quatro vezes superior ao das instituições financeiras tradicionais.

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Actualmente, as fintechs representam cerca de 4% das receitas globais dos serviços financeiros, um marco que confirma a sua evolução de segmento emergente para sector com escala própria, ainda com amplo potencial de crescimento. Esta maturidade é visível em vários indicadores: 74% das maiores fintechs cotadas já são rentáveis, face a 68% no ano anterior, e a margem média de margem operacional (EBITDA) subiu de 16% para 20%. Ao mesmo tempo, o financiamento em capital próprio aumentou 53%, para 58 mil milhões de dólares, acompanhando o regresso do investimento a empresas com modelos mais sólidos, maior disciplina operacional e perspectivas sustentadas de crescimento.

Em 2025, os mercados de saída voltaram a ganhar tração. O número de ofertas públicas iniciais (IPOs) no sector fintech cresceu 50%, para 42 operações, enquanto o volume global de fusões e aquisições aumentou de forma expressiva, passando de 105 mil milhões de dólares em 2023 para 184 mil milhões em 2024 e 251 mil milhões em 2025. Esta evolução confirma a entrada do sector numa nova fase de maturidade, maior selectividade e relevância estratégica crescente na transformação dos serviços financeiros.

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«O sector fintech deixou de ser uma promessa de disrupção para se tornar um pilar estrutural do sistema financeiro, registando um crescimento 4x superior aos incumbentes. A pergunta já não é se a tecnologia vai mudar a banca e os seguros, mas sim que instituições terão a disciplina de execução para capturar esse valor antes dos seus concorrentes. Estamos a assistir à passagem de uma década de recuperação para uma nova era de resiliência estrutural do sector fintech. A IA agêntica, os activos tokenizados e a convergência regulatória entre bancos e fintechs não são tendências isoladas, são as peças de um novo modelo de negócio financeiro que se está a construir agora. Quem só observar de fora este próximo ciclo, arrisca-se a competir amanhã em desvantagem permanente, sendo que a vantagem competitiva pertencerá a quem executar com mais rapidez e disciplina financeira, não necessariamente a quem tem a marca mais sólida ou o balanço mais robusto», afirma Pedro Pereira, Managing director & senior partner da BCG Lisboa.

O relatório destaca ainda a evolução dos neobancos como uma das dinâmicas mais estruturantes da próxima fase do sector. Os principais operadores estão a alargar a sua proposta de valor para áreas como crédito, investimento, seguros, transferências internacionais e soluções de poupança para clientes com maior capacidade financeira – passando de modelos assentes num único produto para plataformas financeiras mais completas, com maior capacidade para aprofundar a relação com o cliente. O crédito ao consumo surge, em particular, como uma das frentes de expansão mais relevantes, com destaque para o crédito sem garantia e para modelos alternativos de avaliação de risco.

Esta evolução não deverá ser homogénea entre geografias. Na Europa, o contexto regulatório mais exigente e a presença de incumbentes com forte enraizamento tende a favorecer estratégias de parceria e complementaridade, em vez de disrupção directa. Portugal, inserido neste quadro europeu e com um ecossistema fintech em crescimento, acompanha estas tendências globais num contexto de digitalização acelerada dos serviços financeiros.

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No conjunto, o estudo conclui que o sector fintech vive hoje um momento estruturalmente distinto. O crescimento regressou, mas num contexto mais exigente, em que a vantagem competitiva depende cada vez mais da capacidade de combinar escala rentável, prontidão regulatória, execução consistente e adopção disciplinada das novas tecnologias.

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