Recordati: 100 anos a construir relações duradouras

Recordati reforça Employer Branding com foco nas pessoas, bem-estar e desenvolvimento, numa estratégia centrada no futuro.

Human Resources
29 de Maio 2026 | 13:40

Recordati reforça Employer Branding com foco nas pessoas, bem-estar e desenvolvimento, numa estratégia centrada no futuro.

Ao longo dos últimos anos, a Recordati tem vindo a consolidar a sua estratégia de Employer Branding, reflectindo esse compromisso na construção e afirmação da sua identidade enquanto marca empregadora. A empresa tem apostado numa proposta de valor centrada nas pessoas, na consistência e no longo prazo. Em entrevista à Human Resources, Sónia Gonçalves, Human Resources director na Recordati, destaca as principais iniciativas e prioridades da organização na área de pessoas, reforçando a importância de atrair, desenvolver e reter talento, num ano em que a farmacêutica completa 100 anos de existência.

Este posicionamento assume especial relevância num momento considerado determinante para redefinir o percurso da empresa. A revisão das prioridades estratégicas e o reforço do compromisso com os colaboradores ocupam um lugar central, enquadrados pelo tema “100 aos 200”, que projecta a Recordati para o futuro com ambição e com o objectivo de continuar a afirmar-se como uma empresa «coesa, relevante e sustentável».

Esta abordagem tem-se traduzido em acções concretas, como a «consolidação de um modelo de trabalho flexível e equilibrado, o reforço da proximidade entre líderes e equipas e a integração do Employer Branding nos momentos mais relevantes da jornada do colaborador».

Quando questionada sobre as principais transformações no mercado de talento, Sónia Gonçalves aponta para uma mudança clara nas prioridades dos profissionais. «Num mercado mais exigente e volátil, assistimos a uma valorização crescente da estabilidade, da autenticidade e do propósito. Organizações com história e identidade forte ganham relevância, desde que consigam traduzir esse legado em experiências actuais.»

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Enquanto marca centenária, a Recordati tem reforçado práticas como a mobilidade interna e a gestão estruturada de carreiras, promovendo percursos consistentes e sustentáveis. O objectivo passa por continuar a atrair talento e consolidar relações duradouras, numa ambição alinhada com a história centenária da organização.

Cultura centrada nas pessoas

«O cuidado com as pessoas sempre esteve no centro da Recordati e continua a evoluir com os tempos», afirma a responsável, traduzindo-se no desenvolvimento de um modelo de trabalho que combina flexibilidade com proximidade e sentido de pertença. A experiência do colaborador é trabalhada, através de uma cultura de proximidade e escuta activa, materializada em práticas como «feedback mais regular, maior reconhecimento e envolvimento das equipas», acrescenta.

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Em paralelo, a organização também tem vindo a trabalhar com as lideranças para promover ambientes de trabalho mais saudáveis com foco na prevenção do burnout, na gestão sustentável do desempenho e na valorização do equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

A empresa colabora ainda com um parceiro externo, que faculta serviços de apoio psicológico, social, jurídico e financeiro, disponível 24 horas por dia, considerado um «suporte muito significativo » para os momentos mais desafiantes na jornada do colaborador.

Neste âmbito, foram também introduzidas políticas para apoiar os colaboradores em momentos de luto, nomeadamente através da “Política Social Recordati”. De acordo com esta medida, os colaboradores que usufruam de licença por nojo não são penalizados na majoração de férias, mantendo os três dias adicionais mesmo quando gozam a totalidade dos dias de licença a que têm direito.

A directora realça que esta medida «assume um significado relevante num momento particularmente exigente do ponto de vista emocional e da saúde mental», reforçando o compromisso com o bem-estar dos seus colaboradores, a par de outras iniciativas que promovem flexibilidade e apoio em fases mais desafiantes.

Os princípios ESG fazem parte da forma como a Recordati opera há 100 anos, muito antes de o conceito ter sido formalizado. Actualmente, continuam a traduzir-se em práticas concretas, assentes em ambientes de trabalho éticos e inclusivos. Segundo a directora, o foco está no impacto real das suas práticas, nomeadamente «na forma como os colaboradores se sentem, como são tratados e como vivem a empresa no seu dia-a-dia». A nível global, existe uma equipa dedicada à consolidação dos objectivos ESG, com a missão de garantir que «as boas práticas são reforçadas e replicadas em toda a organização», acrescenta.

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Desenvolvimento e progressão de carreira

Para além do compromisso ESG, o desenvolvimento das pessoas assume também um papel central na estratégia da farmacêutica, sendo um dos «pilares mais claros do posicionamento enquanto empregador». A organização tem reforçado iniciativas de desenvolvimento de liderança, formação contínua e aprendizagem interna. A gestão de carreiras e a mobilidade interna são trabalhadas de forma consistente, garantindo crescimento sustentável e retenção de conhecimento, «fundamentais para uma organização com 100 anos que continua a preparar o futuro», afirma.

Entre as iniciativas previstas, destaca-se o lançamento de um programa global de mentoria. O programa estará disponível para todos os colaboradores, quer na função de mentor, quer de mentorado, e estruturado com regras e um enquadramento previamente definidos. A iniciativa irá reunir profissionais de áreas distintas, promovendo a partilha de conhecimento e a troca de experiências.

A diversidade geracional é outro dos traços distintivos da organização, que «reflecte a própria história da Recordati», revela Sónia Gonçalves. A combinação entre experiência e novos talentos contribui para uma cultura de aprendizagem contínua. A responsável sublinha ainda que a maioria dos colaboradores termina a sua carreira na empresa, evidenciando uma forte cultura de pertença e continuidade. Cada colaborador tem valor e contributo próprios, independentemente da idade, sendo a riqueza da empresa construída a partir da aprendizagem entre diferentes gerações e do contributo de cada uma.

O grupo implementou recentemente o programa de reconhecimento interno, designado “RecordatisFlame”, que visa consolidar um novo modelo de valorização dos colaboradores. A iniciativa estabelece regras de elegibilidade e critérios de atribuição alinhados com os valores da Recordati – Better Together, Always Deliver e Never Settle, – dimensões que, segundo a responsável, «criam ligação emocional e fortalecem o sentimento de pertença». Destaca-se também o Dia da Família, que convida os colaboradores a trazerem as suas famílias às instalações, promovendo momentos de convívio e partilha no local de trabalho.

No contexto dos 100 anos da empresa, Sónia Gonçalves recorda uma história simbólica de um colaborador que, em criança, acompanhava os pais à fábrica e que guarda um profundo sentido de gratidão pela forma como a empresa os tratava e integrava. Hoje, integra a equipa com orgulho, carregando consigo esse legado familiar.

O impacto destas iniciativas é avaliado através de indicadores como engagement, retenção, mobilidade interna e feedback estruturado dos colaboradores. De dois em dois anos, é realizado um Engagement Survey e, nos períodos intermédios, um Pulse Survey. Estes instrumentos são complementados por uma prática contínua de escuta activa que, segundo Sónia Gonçalves, «permite ajustar e evoluir a estratégia de forma alinhada com as expectativas dos colaboradores».

Ao longo do ano, a empresa promove também iniciativas como pequenos-almoços com o director-geral, que juntam colaboradores de diferentes departamentos, bem como sessões de comunicação aberta com o director-geral e com os membros da direcção.

IA e transformação do trabalho

Para a responsável, «a tecnologia é um facilitador, mas nunca substitui aquilo que nos define: a relação humana», considerando a inteligência artificial (IA) uma ferramenta de apoio que permite concentrar no essencial: as pessoas. «Não podemos parar o vento com as mãos», refere, sublinhando que o foco está em perceber de que forma a IA pode ser uma vantagem competitiva e libertar as pessoas para tarefas de maior valor acrescentado, ligadas à dimensão humana e à especialização.

Existem equipas na organização a trabalhar no desenvolvimento de agentes de IA, que permitirão optimizar processos em diferentes áreas da empresa, de acordo com as necessidades específicas de cada uma.

Um legado que atravessa gerações

A Recordati destaca-se pela «capacidade de conjugar um legado de 100 anos com práticas actuais, humanas e sustentáveis », adianta Sónia Gonçalves. A consistência, a proximidade, o desenvolvimento das pessoas e a aposta em relações duradouras continuam a orientar a estratégia de Employer Branding.

Com um século de história, a Recordati afirma olhar para o futuro com a mesma ambição que marcou a sua origem: crescer com as pessoas, incentivar a aprendizagem contínua e gerar impacto de forma consistente. «Mais do que uma organização, a Recordati afirma-se como uma comunidade construída ao longo de gerações, aberta a todos os que queiram contribuir, evoluir e deixar a sua marca», conclui.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Employer Branding”, publicado na edição de Maio (n.º 185) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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