Recrutadores humanos “aceitam sem problemas” os enviesamentos da IA, conclui estudo

Human Resources com Lusa
18 de Novembro 2025 | 14:00

Um estudo da Universidade de Washington descobriu que os responsáveis de recrutamento seguem frequentemente as recomendações de contratação de grandes modelos de linguagem (LLM) tendenciosos, avança o HR Dive.

 

A combinação de IA e recrutadores humanos está a tornar-se cada vez mais dominante, revelou Kyra Wilson, estudante de doutoramento na Universidade de Washington e principal autora do estudo, em comunicado de imprensa. Perante esta realidade, Wilson afirmou que os investigadores procuraram determinar como a tecnologia de IA influencia a tomada de decisões dos recrutadores. «Os nossos resultados são claros: a menos que o enviesamento seja óbvio, as pessoas estão perfeitamente dispostas a aceitar os enviesamentos da IA.».

Um relatório recente da Employ Inc. constatou que 65% dos recrutadores estavam a utilizar a IA nos seus fluxos de trabalho e 52% disseram que planeavam investir em novas tecnologias de recrutamento, sinalizando uma adopção acelerada. Já um estudo da Resume.org publicado em Agosto revelou que um terço dos trabalhadores norte-americanos acredita que os processos de contratação dos seus empregadores seriam inteiramente conduzidos por IA até 2026.

As preocupações com o enviesamento na contratação através de IA têm sido expressas nos últimos tempos. O estudo da Universidade de Washington descobriu que, embora os participantes que utilizaram modelos de IA com viés severo tenham tomado decisões ligeiramente menos tendenciosas, ainda seguiram as sugestões da IA ​​em cerca de 90% das vezes. Mas, segundo Wilson, os empregadores podem reduzir o enviesamento implementando melhores modelos.

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Outro método para combater o enviesamento pode ser exigir que os recrutadores realizem testes de associação implícita que ajudam a detectar enviesamentos subconscientes. A universidade afirmou que o viés diminuiu 13% entre os participantes que iniciaram o estudo com um teste deste tipo.

Aylin Caliskan, professora associada da Information School da universidade, atesta no comunicado que os cientistas que concebem modelos de IA também têm um papel a desempenhar na redução do enviesamento, tal como os decisores políticos.

«As pessoas têm poder de decisão, e isso tem um impacto e consequências enormes, e não devemos perder a nossa capacidade de pensamento crítico ao interagir com a IA», alerta Caliskan. «Mas não quero colocar toda a responsabilidade nas pessoas que usam a IA.»

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